11/02/2022 às 09h04min - Atualizada em 11/02/2022 às 08h31min

A subvariante BA.2 da ômicron, devemos nos preocupar?

A sub-linhagem que ficou conhecida como "furtiva" tem sete casos notificados no Brasil.

Liza Modesto - Editado por Manoel Paulo
A subvariante BA.2 da ômicron teve sete casos registrados no Brasil de acordo com o Ministério da Saúde nesta segunda-feira (7), sendo três no estado de São Paulo, três no Rio de Janeiro e um em Santa Catarina. Esta sub-linhagem não configura uma nova variante de preocupação, embora aparente ser mais infecciosa e mais difícil de diferenciar. 

Por que "furtiva"?

A identificação do vírus e suas variantes é feita por meio de sequenciamento genético. Em contraste com a BA.1, a BA.2 possui a proteína S. A presença desta proteína na subvariante fez com que ela fosse conhecida como "furtiva" uma vez que é sua ausência que tornava a variante BA.1 mais fácil de diferenciar. Isso não quer dizer que exista dificuldade em identificar o vírus SARS-CoV-2, e sim que são necessárias mais etapas para identificar que se trata da sub-linhagem. Pesquisas ainda estão sendo realizadas para descobrir se aqueles infectados pela variante familiar possuem imunidade contra a subvariante.
 
A ômicron em si, em relação à variante delta, acumulou mais de 30 mutações na proteína spike — proteína responsável pela entrada do vírus na célula, reconhecida pelos anticorpos para poder combater o vírus — e se mostrou uma variante de preocupação para cientistas por apresentar aspectos como o aumento de transmissibilidade, particularidades imunoevasivas, além de apresentar risco de reinfecção. Esta cepa representa quase 100% dos casos de Covid-19 atuais no Brasil. 

A Secretaria Municipal de Saúde do Rio, afirmou que já existem indicações que há transmissão local da linhagem ao confirmar o caso de uma paciente de 43 anos que não possuía "histórico de viagem ou contato com alguém que tenha viajado recentemente".

Transmissibilidade

Dois meses desde o surgimento dos primeiros casos no país, atualmente dois terços dos casos na Dinamarca são da BA.2, de acordo com o Instituto Statens Serum dinamarquês, que afirma que a sub-linhagem pode ser 33% mais transmissível que a BA.1. Na Índia, a subvariante já é a cepa dominante, segundo o Dr. Sujeet Kumar Singh, diretor do Centro Nacional de Controle de Doenças da Índia. Estudos apontam maior transmissibilidade da subvariante. Entretanto, os sintomas, a gravidade da doença e o método de diagnóstico permanecem estáveis até aqui e não há maior risco de hospitalização. 

Um estudo dinamarquês dos mesmo instituto mostrou que a BA.2 era mais eficiente em infectar pessoas vacinadas do que a BA.1. Aqueles vacinados, no entanto, ainda são menos prováveis de serem infectados e transmitirem as variantes, em comparação aos não vacinados, reafirmando a eficácia das vacinas. Dessa maneira, a BA.2 pode vir a substituir a cepa que lhe deu origem, mas não representa, até o momento, uma ameaça que mude os rumos da pandemia. 


Novas variantes são previstas por cientistas, visto que podem surgir toda vez que o vírus se replica no organismo de uma pessoa. 

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