01/03/2022 às 19h48min - Atualizada em 01/03/2022 às 11h42min

Equipes russas sofrem punições de entidades internacionais do esporte

FIFA, Uefa, COI e outras organizações responderam a invasão na Ucrânia com o realocamento e cancelamento de eventos esportivos, além da rescisão de patrocínios

Tiago Silva - labdicasjornalismo.com
Atletas de equipes russas são impactados com suspensões de comitês internacionais (Fontes: GettyImages, Epislon, MotorSport, Sputinik Brasil, Reuters/Divulgação)
Entidades de várias modalidades esportivas cancelaram eventos e competições que aconteceriam na Rússia e aplicaram punições contra as federações e equipes russas nos dias que sucederam a invasão militar da Ucrãnia. As decisões são parte de uma série de retaliações aplicadas para tentar evitar a continuidade da intervenção, assim como um conflito armado de maior escala por parte do país governado pelo presidente Vladimir Putin.

As penalidades de maior destaque, até o momento, aconteceram no futebol, basquetebol. voleibol, judô, automobilismo e ginástica. Dentre elas, estão a suspensão de equipes de competições, cancelamento de torneios, realocação de partidas, substituição de sedes e até o cancelamento de contratos com empresas russas. A seguir, há uma lista com as principais sanções aplicadas até o momento desta notícia.


FIFA E UEFA SUSPENDEM TIMES E SELEÇÃO DE COMPETIÇÕES

As penalidades aplicadas em conjunto pelas duas maiores entidades futebolísticas foram as de maior impacto esportivo até o momento, principalmente por este ser ano de Copa do Mundo e porque a Rússia foi escolhida para sediar a final da UEFA Champions League. As primeiras sanções aconteceram na última sexta-feira (25/02), quando a Uefa decidiu mudar a sede da final do Estádio Krestovsky, em São Petersburgo, para o Stade de France, em Paris, na França. No mesmo dia, foi decidido que clubes russos e ucranianos, assim como as respectivas seleções, teriam mando de campo neutro.

Porém, punições mais severas foram aplicadas na última segunda-feira (28/02) quando a FIFA, em conjunto com a entidade europeia, excluiu a União Russa de Futebol (RFU) de competições internacionais até que um acordo de paz fosse firmado. A decisão impactou clubes e seleções de todas as categorias, tanto masculinas, quanto femininas. 
Dessa forma, a equipe do Spartak Moscou, que disputava a UEFA Europa League, foi eliminada, com isso o RB Leipzig (Alemanha) está classificado automaticamente para as quartas de final. Além disso, a seleção masculina da Rússia foi eliminada da repescagem europeia para a Copa do Mundo do Qatar, em que enfrentaria a Polônia na semifinal de sua chave e, caso se classificasse, Suécia ou República Tcheca na final. A seleção feminina também foi excluída da Eurocopa, que acontecerá em julho, na Inglaterra. Como resposta, a RFU comunicou que, além de estarem "em total desacordo com a medida",  tal decisão "terá um efeito discriminatório para um grande número de atletas, treinadores, funcionários de clubes e atletas da seleção".


No mesmo dia, a Uefa rescindiu o contrato de patrocínio com a Gazprom, estatal russa de energia e a maior no ramo do país. O valor renderia em torno de 78 milhões de euros (R$ 475 milhões) nos próximos dois anos, tempo que restava para o fim do contrato ativo desde 2012. Recentemente, a mesma empresa teve seu contrato rompido com o Schalke 04, clube alemão que era patrocinado pela estatal desde 2007, e cuja parceria era prevista até 2025.

RECOMENDAÇÕES E ORIENTAÇÕES DO COI

Durante o final de semana após o início da invasão russa, o Comitê Olímpico Internacional (COI) orientou todas as federações internacionais a trocar a sede das competições ou cancelar os eventos que aconteceriam na Rússia ou na Bielorússia em 2022. Houve, também, a recomendação de que as bandeiras e hinos dos dois países não fossem exibidas  O anúncio foi realizado na última sexta-feira (25/02) com a justificativa de que a invasão quebrou a trégua olímpica, que dura de sete dias antes do início de uma Olimpíada até sete dias após o término das paralimpíadas do mesmo ano. Já na última segunda-feira (28/02), o mesmo Comitê demandou que atletas russos e bielorrussos fossem excluídos ou não convidados para competições que ocorram durante todo o período da invasão.

Com a exigência do Comitê, diversas federações iniciaram uma série de realocações e cancelamentos de eventos: o Mundial de Curling, as partidas de equipes russas da Euroliga de basquetebol e duas etapas da Liga das Nações de Vôlei foram retiradas da Rússia, com novos locais a decidir. Já o Grand Slam de Judô, as copas do mundo de Escalada, esqui e esgrima, as etapas das World Series de nado artístico e saltos ornamentais e os eventos de ginástica da FIG foram cancelados.

No caso do judô, a Federação Internacional da modalidade (FIJ), além do cancelamento do Grand Slam, suspendeu o presidente russo Vladimir Putin do cargo de presidente honorário e embaixador internacional da federação. Putin é faixa preta e 8º Dan no esporte.

FÓRMULA 1, PATROCINADORES E PILOTOS

A Fórmula 1 decidiu cancelar o Grand Prix de Sochi, que aconteceria no dia 25 de setembro. O anúncio foi realizado no dia 25/02, um dia após a decisão tomada pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e no último dia de pré-temporada. em Barcelona. Ela  segue os mesmos ideais de outras federações esportivas, que se posicionam contra o conflito.

A Haas, equipe americana que tem como um dos pilotos o russo Nikita Mazepin, removeu a bandeira russa e o patrocínio da empresa UraKali de seu carro no último treino da pré-temporada. Além disso, por conta da pressão causada pela Federação Ucraniana de Automobilismo, que pediu o banimento de pilotos russos e bielorrussos, houve a cogitação de que um dos pilotos da equipe, Mazepin, fosse substituído pelo brasileiro Pietro Fittipaldi. Porém, em decisão publicada na tarde de hoje (01), a FIA decidiu que os pilotos dos dois países poderiam competir, mas sob bandeira neutra. Isso beneficiou tanto Mazepin, quanto Robert Schwartzman, piloto de testes da Ferrari, que continuarão na modalidade.

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