03/03/2022 às 13h06min - Atualizada em 03/03/2022 às 12h01min

Opinião - Estrangeirismo: Como onda de técnicos estrangeiros tomou conta do Brasil

De Vojvoda a Fabian Bustos e Victor Pereira, estrangeiros já são mais da metade dos técnicos nas séries A e B

Ian Sousa - Editado por: Alan Martins
Reprodução/Site Lance

Desde o sucesso recente do português Jorge Jesus, passando por Abel Ferreira e Juan Pablo Vojvoda, técnicos estrangeiros quase que viraram prioridades para os cartolas no Brasil. A cada ano aumenta mais o número de técnicos estrangeiros no nosso futebol e crescem os debates sobre a qualidade dos treinadores nacionais. O futebol brasileiro em 2022 caminha para ter um recorde de treinadores vindo de fora do país. Flamengo, Palmeiras, Corinthians, Santos, Cruzeiro, Fortaleza, Coritiba, Internacional, Botafogo, Atlético-MG já contam com técnicos de outras nacionalidades e com a chegada das Sociedades Anônimas do Futebol (SAF), esse número deve aumentar ainda mais, visto que muitos dos empresários (donos das SAFs) preferem técnicos com mentalidade europeia. Tendo em vista que os prórpios investidores são estrangeiros também.

Os treinadores brasileiros no geral, foram superados pois são acomodados e não conseguiram acompanhar a modernização do futebol. Por muito tempo eles deixaram de lado aspectos táticos e se apegaram a qualidade técnica de seus jogadores. Aos poucos isso tem mudado, mas ainda longe de suprir anos de atraso.
 
Os ex-jogadores como técnicos 
 

No Brasil existe uma cultura de colocar ex-jogadores como treinadores, mesmo sem eles possuírem alguma qualificação. Decerto, isso não contribui em nada para evolução do nosso futebol. Além disso, ter capacidade física e técnica para a prática do esporte não significa ter visão para ler e entender tudo o que ele envolve. Exemplo disso são os inúmeros atletas que falharam ao tentarem ser treinadores. 
 
Na Europa é diferente, a qualificação é obrigatória. Veja o caso de Zidane por exemplo, que estudou e trabalhou nas categorias de base do Real Madrid antes de assumir o comando do time principal. Há também outros casos como: Jurgen Klopp, Alex Ferguson, e Arsène Wenger, grandes treinadores que não conseguiram ter uma carreira magnífica como jogador.
 
 A CBF 

Já parou para pensar que o país do futebol nunca parou para estudar futebol a fundo. Só a partir de 2017 que virou obrigatório ter o curso da CBF Academy.  É preciso evoluir, e como entidade máxima do futebol brasileiro tem que partir da CBF a mudança. Passando por uma melhor qualificação dos treinadores, seja com um curso em parceria com a UEFA para uma licença unificada que faça ampliar o mercado para treinadores brasileiros, como também mudanças no calendário. Ou até mesmo cursos  para dirigentes terem um gestão mais profissional.
Fato é que os "gringos" invadiram nosso futebol. Isso não é culpa deles, o fato ocorre pela  falta de qualificação dos nossos profissionais. Assim também como a necessidade cada vez maior de técnicos que falem e entendam sobre o jogo e as questões táticas que o norteiam. Por fim, que nossos técnicos e dirigentes possam aproveitar esse "intercâmbio" para aprenderem e evoluirem no pensamento sobre o esporte. Certamente, essa troca é necessária e caso aconteça só quem ganha é o nosso futebol
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