27/03/2022 às 19h07min - Atualizada em 19/03/2022 às 16h46min

Mistura Homogênea: Conheça o Álbum de Martinho da Vila

Álbum inédito de Martinho da vila traz reflexões para sociedade

Paulo Victor Alves dos Reis - Revisado por Isabelle Marinho
Capa Álbum Mistura Homogênea (Foto: Reprodução/ Sony Music)
Os ouvintes e amantes da música brasileira e do samba devem reservar um espaço na sua rotina para ouvir e adicionar às suas playlists o novo álbum de um dos maiores nomes do samba, Martinho da Vila.O álbum tem o nome Mistura Homogênea e contou com participações de parceiros de longa data, como: Zeca Pagodinho, Xande de Pilares, Hamilton de Hollanda, Teresa Cristina, e até de filhos e netos do compostor.
 
O disco também teve participações ilustres: o rapper Djonga, Carlinhos Brown, Moaçyr Luz, pastor Henrique Vieira e o rabino Nilton Bonder, salientado o título do disco e apresentando uma variação de diferenças, como nas religiões que, por mais que difiram, devemos nos tornar um só no quesito respeito.

Produzido pela Sony Music, O álbum conta com 13 canções entre músicas inéditas e regravações e aborda diferentes temas, como: resistência, amor, racismo, religiões, partido alto e escola de samba.

 

Por que Mistura Homogênea?   

Durante a adolescência, o compositor fez um curso no Senai de Auxiliar de Química Industrial, e tomou conhecimento sobre a mistura homogênea das substâncias, ficando na memória do poeta que tudo que observa é absorvido, transformado e poesia.

A mistura homogênea é uma mistura que não consegue perceber a diferença entre as substâncias que a compõem, sendo considerado apenas uma só, como, por exemplo, o café e a aguá com açúcar.
 
O sambista adaptou a mistura homogênea da química para sua obra, promovendo um encontro sem limites para preconceitos enraizados, gerando uma conexão da poesia e música, entre samba e rap, branco e negros, reza e festa, catolicistas, evangélicos e religiões de matrizes africanas. 


Conhecendo as canções do álbum
 

Álbum Mistura Homogênea (Reprodução: Spotify/Martinho da Vila)
 
Unidos e MisturadosA canção foi gravada em 2021, e contou com a participação da cantora Teresa Cristina, a música foi composta pelo próprio Martinho com Zé Catimba  e o Tuninho Professor. Sendo um Samba otimista que transmite a mensagem da alegria, o compositor inseri na canção alguns vocábulos da sua religião no trecho: "E com o axé dos nossos guias, Tomar um banho de ervas”. O single foi o pilar do álbum, pois a partir dele surgiu a ideia da produção.

Vocabulário de Partideiro: Conta com a participação de Zeca Pagodinho e Xande Pilares, grandes referências do Samba de partido alto. A música é um cartão postal para conhecer o vocabulário de “Partideiro” (cantor de partidor alto), não se limitando apenas a linguagem, mas dando espaço para os fatos sociais vividos pelos sambistas.

Sim Senhora: Inspirada nos poemas do mineiro Geraldo Carneiro, durante as leituras noturnas do cantor, contou também com a participação dele na composição. No Mistura Homogênea, teve a participação do Cantor Tunico.  

Viva Martina: Faz uma homenagem a cantora Mart’nália, sua filha. Martinho retrata os traços marcantes dela com leveza e maestria

Muadiakime/Samba dos Ancestrais: Nessa faixa, há uma junção da canção angolana Muadiakime com sua música em parceria com o violinista Rosinha Valença.

Zuela de Oxum: É uma regravação da canção de Moaçyr Luz, onde Martinho faz referências as religiões de matrizes africanas, fazendo sua própria leitura da canção e promovendo um encontro com a música na sequência. 

Oração Alegre: A música é uma síntese do que representa a alcunha da obra, pois promove a poesia vinculada a mistura homogênea, fazendo um encontro entre diferentes religiões e apresentando diversas formas de contemplar o divino nas diversas crenças e rezas. Tem as participações do pastor Henrique Vieira, do rabino Nilton Bonder, do líder muçulmano César Kaab Abdul e de Carlinhos Brown.

Vidas Negras Importam: Foi lançada como single em 2021, a primeira participação com Noca da Portela é uma referência das palavras de ordem do movimento Black Lives Matter, fazendo um apelo pela igualdade de raças. 

 

Era de Aquarius: Conta com a participação do rapper Djonga, uma sugestão do seu neto Guido, que mostrou os vídeos do rapper e o compositor gostou das músicas. Com trechos marcantes imaginando um cenário de paz e felicidade da humanidade.
 
“O futuro do país está bem próximo
Conservadores serão liberais
Os raivosos vão ficar dóceis
E as doces mais adocicadas
Quando a era de Aquarius chegar”
Dois Amores: A cada verso e estrofe, ele salienta sua paixão pela poesia que divide o mesmo afeto com a música ao decorrer de sua vida e carreira. A canção traz um poema inédito da escritora moçambicana Paulina Chiziane, uma das autoras preferidas do cantor. 

Canção de Ninar: Inspirada nas leituras noturnas do sambista dos poemas de autoria do maranhense Salgado Maranhão.

Odilê Odilá: É uma composição com a participação do cantor e violinista João Bosco, lançada em 1985, no álbum Criações, Recriações e inserida nesse novo projeto do partideiro.

Canta Canta, Minha Gente! A Vila é do Martinho: Marca o encerramento do disco, o sambista canta com seus filhos e netos o samba-enredo da escola de samba Vila Isabel, que irá homenageá-lo. 

Coloque seu fone ou ligue seu som para ouvir esse novo projeto de Martinha da Vila, que está imperdível e traz diversas reflexões e ensinamento para a sociedade. 
 

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