21/03/2022 às 18h34min - Atualizada em 21/03/2022 às 18h06min

Mergulho na história: Museu Judaico de São Paulo promove discussões sobre a cultura semita

Localizado na Bela Vista, centro da capital, o museu expõe visitantes ao mundo hebreu através de informação, artigos e comida

Giovanna Macedo - Revisado por Flavia Sousa
Museu Judaico de São Paulo mescla contemporaneidade e tradição para contar a história dos judeus. (Foto: Reprodução / UOL TAB).
Inaugurado em dezembro de 2021, o Museu Judaico de São Paulo abriga na antiga sinagoga Beth – El a história rica e cativante dos judeus. As exposições levam o espectador a uma imersão na cultura judaica, desde a entrada até a loja de artigos e lembranças, e compartilha a memória que enriquece a educação da sociedade.

Pioneiro em contar sobre o povo judeu em São Paulo, mistura o moderno ao antigo na sua estrutura que foi acoplada ao templo da Bela Vista, SP, para abranger diversas mostras e ser espaço de ensino, diversão e conexão.

Do primeiro andar até os subsolos, o museu conta com um rico acervo distribuído entre quatro exposições, duas temporárias e duas de longa duração. Logo à entrada, os visitantes são capazes de se surpreenderem com a definição do que é ser judeu, por pessoas diversificadas a contar sobre suas experiências em telas, além de uma lista de pessoas de origem judaica, dentre cientistas, atores, historiadores e cantores.


A primeira exposição “A vida Judaica” apresenta a riqueza da cultura dos judeus, não só como um aspecto da vida religiosa, mas dos elementos culturais que os fazem ser um povo. Os detalhes dessa mostra expõe o valor do sagrado e do simbolismo à vida dos judeus, representado no modo que eles observam o mundo, contam os anos e festejam/vivem cada pedaço de sua história. Em todos os elementos, o museu se dispõe a enfatizar ainda mais seu objetivo ao coletivo: todos os povos têm o direito de serem livres.

A fim de potencializar a experiência e tornar a exposição acessível a todos os públicos, o museu aproveita da linguagem audiovisual e insere, por exemplo, os diferentes sons do shofar – instrumento de sopro tocado antes de datas importantes, como o ano novo – e vídeos ensinando receitas típicas das festas. Para que os visitantes tenham acesso, o museu pede para levarem fones de ouvido.


Também, há maneiras de interagir com a história judaica através das mãos: por toda a mostra, há algumas telas com objetos ou livros específicos, como o “Hagadá de páscoa” e o pião (sevivon) de Chanuká. Ao meio do salão, a vida judaica é exposta em documentos e artigos de vestuário e rituais, desde o nascimento até a morte; o que indica e revela a importância que os judeus dão à vida e sua fé.

No mezanino, a vida judaica choca-se com o Brasil. “Inquisição e cristãos novos no Brasil” é a exposição que reforça mais uma vez a importância da liberdade, já que coloca à vista do visitante os 300 anos de perseguição na Inquisição e a luta dos judeus – chamados cristãos novos – para reconstruir suas vidas no Brasil. Uma das partes dessa mostra, reforça o valor que as mulheres domésticas tiveram na preservação do judaísmo e inclui a educação como algo de extrema importância.

Dentro de uma proposta artística, o museu traz em “Da letra à palavra” diversas obras e esculturas que relacionam imagem e escrita, na gama de 32 artistas contemporâneos brasileiros. Essa é a prova de que o museu judaico busca levar o sentimento de inclusão e ajuntamento das culturas judaica e brasileira.


A última e maior exposição é a que, de fato, trança totalmente o brasileiro ao judeu. Em “Judeus no Brasil: histórias trançadas”, os visitantes são pegos de surpresa ao ver que o povo de Israel tem grande participação na história brasileira. Por uma linha do tempo que percorre todo o salão, contendo espaços de exposição de objetos, vestuário, livros e publicidade, a mostra coloca a vida judaica no Brasil em movimento e educa o espectador frente aos acontecimentos atuais, como antissemitismo, preconceito e violência aos povos.

Visto sua importância, na exposição há um espaço reservado ao holocausto que debate as ideias de que precisamos preservar as memórias de opressão para não esquecer de construir dias melhores. Nessa área, objetos de sobreviventes do holocausto e textos explicativos sobre cada momento dessa história são apresentados, levando o visitante à emoção desde a trilha sonora triste.

Apresentação do Museu Judaico; exposições, valores e espaço. (Reprodução: Museu Judaico de São Paulo – YouTube).
Ao todo, o museu judaico coloca-se como uma referência de ensino sobre um povo que sofre com preconceito e intervenções desde sua formação. A função educativa desse espaço em São Paulo é de extrema importância para gerar memórias e experiências aos visitantes, na interação das exposições, bem como na cafeteria e loja de artigos judaicos, que os levem a conhecer e dar valor a uma história tão rica e tocante como a dos judeus.
 
MUSEU JUDAICO DE SÃO PAULO
Horário de funcionamento: Terça a Domingo – 10h às 19h
Reserva do ingresso pelo site

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