12/04/2022 às 19h20min - Atualizada em 26/03/2022 às 18h58min

Buffy, a caça-vampiros comemora 25 anos de seu legado dentro e fora das telas

Um dos principais exemplos na vanguarda de “série de TV progressista e feminista”. O programa não só definiu debates na cultura pop como também ajudou a trazê-los para o século XXI.

Ivan Fercós - Editado por Ana Terra

Uma das séries mais populares dos anos 90, completa 25 anos desde a sua primeira exibição na TV americana, em 10 de março de 1997. Um misto de ação, fantasia, horror e aventura, a série explora as dores e dramas da passagem para a vida adulta pela metáfora estudantil de uma jovem adolescente de 16 anos.

Buffy Summers, interpretada por Sarah Michelle Gellar, muda-se com sua mãe para a pequena cidade de Sunnydale, após a jovem ser expulsa do seu antigo colégio em Los Angeles. Mas, o novo colégio, ironicamente, para que foi transferida fica em cima da “Boca do Inferno”, um ponto de conexão entre dimensões que atrai todo o tipo de criatura demoníaca.

Fonte: 20th Century Studios

Fonte: 20th Century Studios

Há 25 anos, mais precisamente em março de 1997 – bem no auge das séries de TV, o até então desconhecido diretor e roteirista Joss Whedon (Os Vingadores) começava a escrever o que seria um marco para cultura pop mundial dos anos 90. A inteligência e profundidade de seu roteiro fizeram com que a série fosse cultuada e referenciada até os dias atuais. E em decorrência consolidando a carreira de sucesso de Whedon, que na época estava dando os primeiros passos, sem grandes pretensões deixando logo na estreia a sua marca registrada no setor.

Buffy, a caça-vampiros veio ao ar pela primeira vez durante a estação de verão na América. Aproveitando o que os norte-americanos chamam de, mid-season, nesse período do ano, os canais passavam na maior parte de sua programação reprises e pequenas produções, o que de certa forma abria novos espaços para divulgação e lançamentos de novas séries. Havia uma oportunidade. Se o público mostrasse interesse dava-se continuidade ao projeto, senão era deixado de lado e seguia-se adiante rumo a uma nova história.

Buffy O Filme / Fonte: 20th Century Studios

Buffy O Filme / Fonte: 20th Century Studios

Em 1993, o roteiro de Buffy que já estava finalizado foi lançado nos cinemas. No entanto, a história sofreu tantas modificações para ser mais vendível a época pelos produtores do longa, que ao invés de se propor a subverter a narrativa clássica do gênero terror, acabou se tornando uma comédia - nos moldes da franquia Todo Mundo em Pânico. A crítica especializada foi feroz. Apesar do fracasso, Whedon começava a entender como as cabeças por trás dos estúdios de Hollywood funcionava.

A ideia principal do autor era a de satirizar os filmes clássicos de terror, os quais sempre tinham a figura frágil e ingênua de uma garota loira como vítima. Eis que o projeto chega as mãos dos produtores da The WB, que decidem investir no roteiro adaptando-o para TV. Com o interesse do canal, sinal verde e liberdade criativa, Whedon tinha todas as cartas para encomendar a primeira temporada da série, Buffy em sua essência original.

Com Sarah Michelle Gellar (Scooby-Doo e Grito) como protagonista, o que começou trash veio a se torna referência quando o assunto era televisão. A princípio, o orçamento era cerca de US$ 3 milhões, uma quantia bem limitada para custear todos os investimentos envolvidos na produção dos doze capítulos previstos para a primeira temporada. A história toma outro rumo quando lançam o projeto-piloto da série, que cai rapidamente no gosto popular, rendendo-lhe agora o investimento de US$ 2,3 milhões por episódio.

Fonte: 20th Century Studios

Fonte: 20th Century Studios

Buffy, já foi citada como a segunda melhor série de todos os tempos pela revista Empire e a nona pela Entertainment Weekly, em 2006. O início da série foi marcado por outro grande acontecimento, o boom da Internet. Sendo um dos primeiros programas de televisão a ter uma fanbase, fóruns de discussão e interação direta entre público e roteirista, já que Whedon era muito atento às novidades e fazia questão de ser presente. O que fez ele se converter na peça-chave para o sucesso da iniciativa nos primórdios da internet implementando uma transmidiação com a TV – isso ainda quando nem sequer se cogitava essa interação entre os meios.   

Outro elemento da série que merece destaque é a importância dada à pesquisa e ao conhecimento com pesos de igualdade à força e habilidade física. Um dos principais cenários da série, a biblioteca serve como um artifício para chancelar de que nada adiantaria saber artes marciais sem ter a informação necessária e pensamento estratégico para sair bem em batalhas desleais.

Expandindo o Buffyverso

Nos tempos atuais é quase que impossível imaginar que houve uma época em que ter uma jovem mulher chutando os traseiros de valentões, alguns vindos da ficção e outros nem tanto, e se descobrindo como pessoa e mulher numa sociedade cheia de normas e condutas para isso e aquilo, era sair “fora da caixa”, era começar uma revolução dentro e fora Hollywood, era a ousadia ganhando novos formatos, rostos e bandeiras. 

Apesar dos anos, as suas conquistas ainda continuam frescas na memória coletiva, assim também como a sua crítica silenciosa, porém ainda vibrante, em torno da falta de personagens interpretados por atores pretos regulares e vivos na trama.

Fonte: 20th Century Studios / Reprodução: Buzz Feed

Fonte: 20th Century Studios / Reprodução: Buzz Feed

O impacto do legado de Buffy é quase que imensurável e seus descentes espalhados por aí são a prova viva, como em personagens Katniss Everdeen (Jogos Vorazes) ou no elenco de The 100. No tempero sobrenatural de Teen Wolf, Supernatural e Scooby Doo. Na anarquia e nos romances da detetive Veronica Mars. Nos casos de heroísmo e morte presentes em Lost e Game of Thrones. Em discussões pró-direito das mulheres por autonomia em Orphan Black. No grupo de amigos tagarelas de Happy Endings. No grupo de exterminadores de seres sobrenaturais caçadores em Crazyhead. Em romances tóxicos e compulsivos abordados nos enredos vampirescos de Twilight e The Vampire Diaries. E, na sua mais recente contribuição ao influenciar os poderes e o clima sombrio de Jessica Jones.

A série ficou seis anos no ar (1997-2003), aqui no Brasil os fãs puderam a acompanhar nas madrugadas de sábado para domingo na Globo, e anos depois nas tardes de sábado na RedeTV. Buffy, caça-vampiros veio ao fim, após Gellar comunicar que se dedicaria a novos projetos. No pós-série a carreira da atriz se resumiu a pequenos papéis e participações. 

Transgressora, idealista e afrontosa, mas sempre com educação. Esses foram os temperos que fizeram de Buffy, de rainha a percursora de um setor em que na época era comandado, majoritariamente, por homens cis e brancos, abrindo as portas para futuras produções do gênero, novos de modos de narrativa, além de questionar aquilo que deveria ser básico: o respeito e igualdade entre as “espécies”. 

REFERÊNCIAS:
BENNETT, Alanna. Como “Buffy, a Caça-Vampiros” abriu caminho para nossas séries favoritas. BuzzFeed. 10 de março de 2017. Disponível em: <https://buzzfeed.com.br/post/como-buffy-a-caca-vampiros-abriu-caminho-para-nossas-series-favoritas>. Acesso em: 14 de março de 2022.
FORTUNATO, Edereli. Buffy: A Caça-Vampiros completa 20 anos sem perder a força. Omelete. 10 de março de 2017. Disponível em: <https://www.omelete.com.br/series-tv/buff-a-caca-vampiros-completa-20-anos-sem-perder-a-forca>. Acesso em 14 de março de 2022.
LORENZI, Rodrigo. ‘Buffy’, muito mais do que uma caça-vampiros. Scotilha. 14 de abril de 2015. Disponível em: <https://escotilha.com.br/cinema-tv/olhar-em-serie/serie-buffy-a-caca-vampiros-resenha-critica/>. Acesso em: 14 de março de 2022.

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