05/05/2022 às 20h51min - Atualizada em 05/05/2022 às 18h52min

​Tiktok além do entretenimento: a influência do app no comportamento dos jovens

60% dos usuários brasileiros têm menos de 24 anos

Robeson Dantas - Revisado por Flavia Sousa
Fonte: Reprodução/ Google. 4,72 milhões de brasileiros e brasileiras utilizam o tiktok em 2021.

Com o advento das redes sociais, é inevitável o uso de smartphones, sobretudo pelo público mais jovem, e é claro que a escola não fica de fora no que se trata desse uso, já que os usuários, principalmente adolescentes, passam horas em frente aos smartphones acessando redes sociais. A pandemia do Covid-19 causou um boom no uso de diversas redes, incluindo o Tiktok, mas até onde o uso desse app é saudável entre jovens?

Como surgiu?

Em 2014, ainda com o nome Musical.ly, surge um app desenvolvido por uma empresa chinesa, com a intenção de fazer as pessoas postarem vídeos dublando músicas. Em 2017, o app foi vendido para a também chinesa ByteDance, que tinha posse de um aplicativo chamado Douyin. A partir desse momento, o Musical.Iy muda de nome para TikTok ganhando reconhecimento mundial, enquanto o Douyin permanece com circulação local na China.

Somente em 2019, o TikTok se consagra internacionalmente e conquista grande números de usuários, atingindo a marca de 750 milhões de downloads, tendo como principal mercado a Índia, Estados Unidos e Brasil.

No Brasil, uma pesquisa realizada pela opinionbox.com mostra que mais da metade da população brasileira já encontraram músicas e produtos que não conheciam e gostam ficar por dentro das trends através do Tiktok.


 



Por que o Tiktok se tornou tão popular?

O aplicativo é uma ferramenta capaz de produzir; editar e divulgar vídeos, que oferece diversos recursos para editá-los, como filtros, legendas, trilha sonora, música, gifs, cortes, e outra série de recursos.

O TikTok pode ser baixado por IOS ou Android, e assim como outras redes sociais, permite que o seu perfil siga e seja seguido por outros, criando interação, curtidas, comentários e compartilhamentos.

A popularização do app se dá devido ao enorme apelo pela viralização. Seus usuários realizam desafios, fazem dublagem, imitam famosos, elaboram pequenas esquetes retratando o cotidiano e reproduzem coreografias (as famosas “dancinhas”). Tudo isso, causa identificação nos seguidores e atrai cada vez mais o público jovem.



 



É importante analisarmos que o TikTok é uma mídia social bastante jovem, e possui quase 70% dos usuários pessoas com menos de 30 anos, sendo 60% entre 16 e 24 anos, e uma grande parcela com 13 anos. Ou seja, é uma plataforma que tem como usuários crianças, adolescentes e jovens adultos produzindo e consumindo muito mais da metade do conteúdo publicado.

Há no TikTok um recurso de gerenciamento que permite aos pais delimitar os conteúdos e as funcionalidades e evitar que menores de idade estejam expostos a conteúdos inapropriados. Isso na teoria, pois na prática a situação ganha outra roupagem. Não há filtro por parte da família, do que os jovens e crianças estão assistindo e nem dos comentários que estão recebendo.


 



Há um risco?

Crianças, adolescentes e jovens precisam de acompanhamento e monitoramento, em todas as esferas da vida, e principalmente na internet. O uso excessivo de mídias digitais pode atrapalhar os estudos e concentração, pode causar vício e dependência (não é à toa que os membros de redes sociais são chamados de ‘usuários’), pode causar ansiedade, e em casos extremos levar à morte.

Como é o caso do Lucas Santos de 16 anos, filho da cantora Walkyria Santos, que foi encontrado morto em agosto de 2021 no condomínio onde morava em Nova Parnamirim (RN). Walkyria, que já foi vocalista da banda magníficos, e tem quase 2 milhões de seguidores no instagram, desabafa em suas redes sociais, após o filho tirar a própria vida por receber comentários de haters no TikTok.

“Ele postou uma brincadeira de adolescente com os amigos e achou que as pessoas fossem achar engraçado, mas não acharam. Como sempre, as pessoas destilando ódio na internet. Como sempre as pessoas deixando comentários maldosos. Meu filho acabou tirando a vida. Eu estou desolada, estou acabada, estou sem chão", desabafa.



Fonte: (Reprodução/ Youtube.com/vertube)




O vídeo postado por Lucas rapidamente viralizou e recebeu diversos comentários preconceituosos, homofóbicos e com xingamentos. O jovem ainda postou um vídeo justificando o ocorrido e lamentando tantos comentários negativos. Mas no mesmo dia, não aguentou a pressão e, segundo a mãe, tirou a própria vida no dia 03 de agosto de 2021.

Fonte: Reprodução/ Youtube.com/TVItnet




A cantora postou o vídeo em suas redes sociais lamentando a perda do filho e fazendo um alerta: “a internet está doente”.

Estou aqui como uma mãe pedindo para que vocês vigiem... para que vocês fiquem alerta, eu fiquei o que eu pude. Ele já tinha mostrado sinais, já tinha levado em psicólogo, já tinha conversado várias vezes com ele, mas foi só isso, foram só uns comentários na internet, nesse TikTok “nojento”, que fez com que ele chegasse a esse ponto”.
 


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