27/05/2022 às 15h01min - Atualizada em 27/05/2022 às 11h57min

Após reviravoltas, Real Madrid chega à final em busca do 14º título da Liga dos Campeões

Atual campeão espanhol precisou reverter desvantagens em todas as fases do mata-mata; confira a trajetória

Igor Oliveira - Editado por: Nathalin Gorska
Jogadores comemoram classificação para a final. Foto: David S. Bustamante/ Getty Images
O Real Madrid enfrenta o Liverpool pela final da Liga dos Campeões da Europa, no próximo sábado (28). Para chegar até a decisão que será disputada em Paris, o clube espanhol fez uma campanha memorável, especialmente nas fases eliminatórias da competição, na qual a equipe precisou buscar o placar no segundo tempo em todas as três partidas de volta do mata-mata.

Quando se fala em destaque no Real Madrid, o primeiro nome a ser lembrado é o de Benzema, afinal de contas o francês é o artilheiro da competição com 15 gols, dez deles apenas no mata-mata. Mas não apenas de Benzema vive o atual campeão espanhol. Sem as defesas de Courtois, talvez a equipe sequer teria passado das oitavas. Outros nomes que merecem ser lembrados são Modric, Vinicius Junior, Rodrygo e claro Carlo Ancelotti. Aliás, o desempenho dos dois brasileiros têm muita influência do treinador italiano. Ancelotti conseguiu destravar o potencial dos jovens do elenco, o que era a principal crítica sobre o trabalho de Zidane, seu antecessor. Além de Vinicius e Rodrygo, outros jovens do elenco como Valverde, Eder Militão e Camavinga, melhoraram seu desempenho e foram fundamentais na campanha, que tenta dar ao clube de Madrid a 14ª taça do torneio de clubes mais importante do mundo.

Fase de grupos

Na primeira fase o clube merengue estava no grupo D, junto a Inter de Milão, Sheriff Tiraspol e Shakhtar Donetsk. A caminhada do Real se iniciou em Milão com uma vitória suada sobre o time da casa, graças a um gol de Rodrygo aos 44 minutos do segundo tempo. Na segunda partida, a equipe de Madrid foi surpreendida pelo modesto Sheriff, da Moldávia, que não se intimidou com a torcida presente no Santiago Bernabeu e saiu vitorioso por 2x1. Naquele momento, o pequeno clube que fez sua estreia na Champions nessa temporada era o líder do grupo. A derrota para o Sheriff Tiraspol não abalou a equipe de Madrid, que venceu as quatro partidas restantes da primeira fase. Assim, o Real terminou na primeira posição de seu grupo com 15 pontos.

Primeira reviravolta

O sorteio para as oitavas de final colocou o Real Madrid frente a frente com o PSG do temido trio Messi, Mbappé e Neymar. Assim que o confronto foi definido, uma das maiores expectativas era em relação a postura de Kylian Mbappé, já que existiam rumores de que o atacante francês já estava apalavrado com o clube espnahol.

A partida de ida das oitavas foi de domínio absoluto do Paris Saint Germain, não fosse a ótima atuação de Courtois (que defendeu até pênalti cobrado por Messi) a equipe francesa teria definido o confronto logo na primeira partida. Mas graças ao goleiro belga o placar só foi inaugurado nos acréscimos do segundo tempo com um belo gol de Mbappé, que deu a equipe parisiense a possibilidade de jogar pelo empate no jogo de volta.

Na volta, tudo indicava que o cenário da ida iria se repetir, especialmente quando Mbappé abriu o placar antes do intervalo. Mas no segundo tempo Carlo Ancelotti colocou Rodrygo e Camavinga nos lugares de Marco Asensio e Toni Kroos e isso fez com que o Real começasse a sufocar a saída de bola do PSG, algo que não aconteceu na primeira etapa. Foi justamente da pressão na saída de bola que surgiu o início da reação espanhola; Vinicius Junior dividiu com Donnarumma e a bola sobrou livre para Benzema empatar a partida e incendiar o Santiago Bernabeu. Daí em diante, o clube de Madrid tomou conta da partida e Benzema marcou mais duas vezes, selando a classificação para as quartas de final.



Duelo de campeões

O sorteio das quartas colocou o atual campeão Chelsea no caminho do Real Madrid. Mesmo fora de casa, a equipe espanhola venceu com certa tranquilidade por 3x1, com direito a mais um hat-trick de Karim Benzema. O segundo jogo foi completamente diferente do primeiro, com o Chelsea dominando as ações da partida desde o início. Mason Mount, Rudiger e Timo Werner marcaram os gols que deixavam o Real em situação complicada, precisando de um gol para pelo menos levar a partida para a prorrogação. Aos 33 da segunda etapa, Ancelotti colocou Rodrygo no lugar de Casemiro, o jovem precisou apenas de dois minutos em campo para marcar o gol da esperança merengue após um passe milimétrico de Modric. Na prorrogação, Vinicius Junior fez boa jogada pela esquerda e cruzou para Benzema marcar o gol da classificação para a semifinal.



Um campeão nunca está morto

A última parada antes da final colocou a equipe de Madrid diante o Manchester City, de seu velho rival Pep Guardiola. O City tentou tomar as rédeas do confronto desde o primeiro minuto da primeira partida e não demorou muito para que abrisse o placar com Kevin De Bruyne. A partir desse gol o que se viu foi trocação franca entre as equipes. Antes do intervalo Gabriel Jesus chegou a ampliar o placar, mas Benzema diminuiu para 2x1. Na volta dos vestiários, Fernandinho fez boa jogada pela direita e cruzou para Phil Foden fazer o terceiro. Mas o jogo estava em um ritmo completamente frenético, dois minutos após o gol de Foden, Vinicius Junior aplicou um belo drible em Fernandinho e avançou em direção a meta defendida por Ederson para diminuir mais uma vez. Antes do final da partida, Bernardo Silva voltou a colocar a vantagem em dois gols de diferença, mas Benzema cobrou pênalti com muita categoria para levar a desvantagem de apenas um gol para o Santiago Bernabeu.

Na volta, a equipe de Manchester esteve em vantagem no placar agregado durante os 90 minutos iniciais. A vantagem se tornou maior ainda quando Mahrez abriu o marcador aos 28 minutos da segunda etapa. Naquele momento, o City estava tão à vontade em campo que Guardiola decidiu sacar De Bruyne, Mahrez e Gabriel Jesus, três dos seus melhores jogadores na partida. Mas o Real mostrou durante toda a competição que ele jamais pode ser dado como vencido na Champions. Mais uma vez Ancelotti colocou Rodrygo em campo e ele mudou o rumo da partida. No primeiro minuto dos acréscimos, o brasileiro antecipou a defesa adversária para empatar o placar e deixar o clube merengue a um gol da prorrogação. No minuto seguinte, ele aproveitou cruzamento de Marco Asensio e cabeceou sem chances para Ederson. 2x1 e mais uma prorrogação à vista. No tempo extra, Rodrygo foi importante mais uma vez ao criar a jogada que resultou em pênalti convertido por Benzema. Com o adversário mentalmente abalado e sem seus principais jogadores, coube ao Real apenas segurar a vantagem para comemorar a classificação para mais uma final europeia.



Hora da verdade

O Real está a poucas horas de disputar o jogo mais importante da temporada, no qual reencontrará o Liverpool para o tira-teima na final da Champions. Em 1981, os Reds foram campeões; três anos atrás os espanhois saíram vencedores. Falta pouco para descobrir quem ficará em vantagem no duelo.

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