28/05/2022 às 21h34min - Atualizada em 28/05/2022 às 21h23min

BookTok: As resenhas curtas que impulsionam o consumo de literatura no Brasil

Na rede social TikTok, criadores de conteúdo começaram a fazer pequenas resenhas literárias em vídeo. O nicho cresceu tanto que recebeu o próprio nome: BookTok

Juliana Carvalho - Editado por Marcela Câmara

O TikTok é uma rede social que conta com milhares de usuários por todo o mundo. Durante seu crescimento, algumas pessoas começaram a fazer vídeos de resenhas curtas de livros, o conhecido BookTok. Esse fenômeno influenciou o público a consumir literatura, colocar livros em alta e até mesmo reviver títulos antigos que não faziam tanto sucesso antes da divulgação pela rede.

No final do ano de 2020, durante o surgimento do BookTok, o mundo ainda estava em plena pandemia. As pessoas continuavam presas dentro de casa, limitadas em suas saídas, suas interações e vivências. Hobbies eram o que ajudava o tempo a passar, a leitura sendo um deles. Segundo pesquisas retiradas do Painel do Varejo de Livros no Brasil, realizado pela Nielsen BookStan, o ano de 2021 bateu um recorde de vendas de livros, superando em 30% os números de 2020.

O poder do BookTok dentro do consumo de literatura no Brasil é considerado por editoras, livrarias e autores. Um exemplo a ser dado é o livro “A Canção de Aquiles”, de Madeline Miller, lançado no país em abril de 2013, pela editora Jangada. Na época, a obra não teve muito sucesso, e foi aos poucos esquecida. Após o início do BookTok, que reviveu e aclamou a obra, o número de vendas aumentou. O título foi comprado pela editora Planeta Minotauro, teve sua primeira reimpressão, e entrou para a lista de mais vendidos do Brasil. Além de editoras, diversas livrarias organizam suas prateleiras se baseando nos livros em alta na rede, como é o caso das Livrarias Curitiba, que têm em seu sistema de busca um separador para “BookTok” com vários dos títulos comentados na plataforma.


A Editora Ronin, que trabalha com escritores independentes, também faz a divulgação da empresa e dos seus títulos por meio da rede. “O TikTok já começa por entregar mais conteúdo do que o Instagram, fora que ele tem uma vertente muito forte voltada para a literatura nacional, principalmente independente. Então encontramos uma fonte de autores, principalmente jovens, iniciando as carreiras. Existe até uma hashtag própria para isso, que é o #booktokbrasil”, declarou Jairo Sylar, co-fundador da editora. Atualmente, a Ronin é a editora mais seguida do Brasil na rede social, com mais de 100 mil seguidores. “Nosso trabalho na plataforma também faz parte de um funil de vendas, então é fazer um TikTok com um livro nosso, para pessoa ver e pensar ‘que livro é esse?’, e aí, é nesse momento que a venda de fato acontece. É no Tiktok onde mostramos os nossos livros e nosso trabalho, porque isso gera aquela pulga atrás da orelha dessas pessoas”, alegou Ruhan Diniz, também co-fundador da empresa.

Nos últimos tempos, o BookTok vem perdendo a força em visualizações, e isso levantou a questão de que a pandemia poderia ser a grande responsável pelo aumento do consumo de livros. Thiago Neiva, criador de conteúdo para o BookTok, comentou sobre o assunto: “Nessa época (pandemia) muitas pessoas que já tinham e que não tinham o hábito de leitura foram engajadas a começarem a ler, porque contavam com muito tempo livre. A questão de estar perdendo a força pega muito nessa parte da quarentena, porque agora que o pessoal está voltando à vida normal, o engajamento está diminuindo. Mas o BookTok teve um pontapé inicial muito grande, um ‘boom’ muito grande, que obviamente vai diminuir com o tempo, mas daqui a uns meses vão ter outros livros engajados. Infelizmente, não tanto quanto na quarentena, mas a rede tem muita força, a forma como ela pode atingir muita gente é bem poderosa”.

Assim como o Thiago Neiva apontou, vários usuários da rede alegaram retomar os hábitos de leitura, ou até mesmo começar a tê-los por conta do BookTok. Autoras como Colleen Hoover, Sarah J. Maas e Holly Black foram constantemente mencionadas pelos usuários, lidas por influência da rede. “Eu não costumava ler por lazer antes do BookTok, mas agora tenho mais do que livros de leituras obrigatórias na minha estante”, disse Giovanna Macedo. Karol Zuculim, usuária da rede, também pontuou: “Não leio mais tanto porque voltamos ao dia a dia normal, mas continuo assistindo os vídeos e salvando as recomendações que eu vejo na rede para ler no meu tempo livre”.
 
Referências
RODRIGUES, Renata. BookTok: conheça a trend que está em alta no TikTok. Influu. 3 nov. 2021. Disponível em:
. Acesso em: 11 dez. 2021.

MATOS, Thaís. 'Booktok': onda de vídeos sobre livros no TikTok impulsionam obras de suspense e fantasia. G1. 26 jul. 2021. Disponível em:
. Acesso em: 11 dez. 2021.

LIMA, C.Q. Saiba como o booktok tem incentivado a leitura atualmente. Fala Universidades. 26 maio 2021. Disponível em:
. Acesso em: 11 dez. 2021.

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