20/06/2022 às 17h43min - Atualizada em 18/06/2022 às 22h07min

Uma fábrica de hits: a influência do Tiktok na revolução da indústria fonográfica

As ‘dancinhas’ virais da Geração Z ditam o que é sucesso nas paradas

Paula Magalhães - editado por Larissa Nunes
Logo do TikTok em uma tela de smartphone. (Foto: Reprodução / Sheldon Cooper/SOPA Images/LightRocket via Getty Images / Billboard)

Quem nunca marcou o horário específico de início daquele programa que reunia os principais hits do momento? Sucesso nos anos 90 na MTV, esses programas "perderam a vez" para o apelo da interatividade das redes sociais entre o público juvenil.

A indústria da música é uma das áreas que mais foram impactadas pela revolução que a internet fez nas últimas décadas em nosso cotidiano. Não foram só os equipamentos e plataformas que sofreram alterações, - de vinis, discmans para um clique dos streaming como Spotify, Deezer e Apple Music - os usuários que consomem esses conteúdos também mudaram.

Por ser algo que trata diretamente com consumo e público, a indústria da música (gravadoras, artistas e compositores) se viu na obrigação de adaptar suas estratégias de divulgação a este novo cenário. Cada vez mais jovem, o público que dita o que é sucesso nas paradas usa e abusa da plataforma TikTok para viralizar seu conteúdo. Mesmo com um tempo relativamente curto de lançamento, a rede social chinesa já atingiu mais de 3 bilhões de downloads mundiais em 2021, passando a marca de outras redes sociais famosas, como Instagram, Whatsapp e Messenger.



 

Criada em 2016, a plataforma se popularizou mesmo durante a pandemia da Covid-19. Já que a grande maioria dos shows e eventos públicos de músicas estavam suspensos, o ponto de encontro entre artista e público se tornou a internet. O app é marcado pelo compartilhamento de vídeos, que duram geralmente de 15 segundos até um minuto. Assim como nas outras redes, você pode seguir diversos usuários e também compartilhar os vídeos em outras redes sociais.

O aplicativo ganhou a afeição dos usuários por se tratar de uma plataforma livre para explorar a criatividade, com ferramentas nativas que permitem a edição de vídeos na própria rede. Além disso, os famosos covers, challenges e 'trends' - danças com coreografias relativamente simples com o objetivo de se tornarem virais - ajudam a colocar faixas musicais nas paradas.



 

Desenvolvido para viciar, o algoritmo da rede é um dos mais inteligentes e rápidos do planeta. Em um curto período de tempo, ele aprende o que você gosta e o que não gosta, entregando exatamente aquilo que você procurava, muitas vezes inconscientemente. 

Por essas e outras razões que a famosa Geração Z representa a grande maioria do público da plataforma. De acordo com uma pesquisa conduzida nos Estados Unidos em 2020, 52% das pessoas da geração Z (entre 13 e 23 anos) usavam apps como TikTok ou Triller, e 48% delas consumiam vídeos relacionados à música nas plataformas.

Por usar de forma massiva o recurso da interatividade com público, à rede que era conhecida por ser exclusiva da geração Z, vem sofrendo uma mudança exponencial no quesito faixa etária, conquistando os millennials. O aumento da participação de adultos no TikTok não exclui o fato de que os adolescentes ainda compõem grande parte do público da rede. Mas, sem dúvida alguma, quebra o estereótipo de que a rede social pertence apenas aos mais novos.

Existe fórmula para hitar?

Com tudo isso, alguns estudos já estudam as consequências desse movimento para o mercado da música. A tendência é que cada vez mais sejam produzidas músicas do mesmo gênero e formato, com letras e melodias parecidas. Por mais que os compositores tenham que se adaptar a esta nova era de divulgação para fazer com que seu conteúdo tenha alcance, essa busca pelo que é viral e a fórmula do sucesso na "terra do TikTok" gera uma certa padronização que preocupa especialistas.



 

Com isso, muitos produtores e artistas enfrentam essa dicotomia entre precisar se manter atualizado para ter seu trabalho notado pelo público e manter a sua essência artística. 

Oportunidades para todos

Para os artistas independentes, a rede surge como uma janela de divulgação possível e acessível, apesar de que não há garantia de que uma música se torne viral na rede. Muitas vezes artistas com grandes carreiras e talentos indiscutíveis não conseguem o mesmo alcance que músicas que seguem essa "fórmula do sucesso''. A fama repentina gerada pelo app, baseada na repetição, muitas vezes tem mais a ver com a forma com que um meme se espalha na internet do que com o processo musical.

Até quando dura um hit?

Com todas essas visualizações, streams e downloads, será que ter uma música viral realmente significa que determinado artista ‘chegou lá’?

Muitas vezes não. Afinal, temos em comum entre quase todos os virais da plataforma, a tentativa frustrada dos artistas em manterem seus sucessos a longo prazo.

O rapper estadunidense Lil Nas X é um desses exemplos. Artista lançado e descoberto pelo TikTok com o hit caseiro “Old town road”, ele se viu saindo do completo anonimato para o artista mais tocado do mundo em poucos meses.

O clipe da música, inspirado no game "Red Dead Redemption II", virou desafio no app, com jovens dublando e dançando como caubóis ou cowgirls. Com isso, a música ficou em primeiro lugar no ranking de músicas mais tocadas da Billboard nos Estados Unidos.

Videoclipe de ‘OldTown Road’ de Lil Nas X. (Reprodução: LilNasXVEVO - YouTube).
 

Depois de "Old town road", Lil Nas conseguiu emplacar outras duas músicas no ranking da Billboard até julho do ano passado, mas os resultados não chegaram nem perto de seu hit viral.



 

É inegável a influência que o TikTok realizou na indústria fonográfica, mudando completamente a forma que consumimos hoje em dia.

 


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