28/06/2022 às 10h35min - Atualizada em 28/06/2022 às 10h29min

O poder da revolução cultural gerada pelo K-Pop da Coreia do Sul

Victória Santos - Revisado por Jonathan Rosa
Grupo sul coreano BTS no American Music Awards em 2019. (Foto: Reprodução/ Jornal de Brasília)

O K-Pop se tornou o principal produto cultural da Coreia do Sul nos últimos anos. Grupos como o BTS movimentam mais de R $3,7 bilhões ao ano na economia do país.
 

Há alguns anos atrás mal ouvíamos falar da Coreia do Sul, se nos perguntasse onde esse país ficava localizado no mapa não saberíamos responder. Mas o investimento pesado na cultura e na música transformou o país em uma das principais potências mundiais. 

 

K-Pop, principal expressão do país pelo mundo

 

O K-pop nos últimos 20 anos se tornou cada vez mais querido por diferentes pessoas ao redor do mundo. Com coreografias perfeitamente ensaiadas, figurinos exuberantes e videoclipes dignos de edição de filmes, o Korean Pop se tornou a principal expressão da Coreia do Sul. 

 

Por lá, o sucesso do ritmo foi tão estrondoso que fez com que o governo mudasse as leis de alistamento militar para os artistas do sexo masculino poderem investir totalmente à carreira. Mas, não vai achar que a forma de se tornar um K-idol é moleza, muito pelo contrário. Para você ter o seu famoso “debut”, é preciso passar por muitos estudos. 

 

Na Coreia do Sul, a carreira musical é fortemente incentivada, muitos jovens deixam suas casas ainda no começo da adolescência para se dedicarem nas escolas especializadas em treinar jovens para se tornarem um ídolo do K-Pop. Nessas instituições os alunos passam por aulas de dança, presença de palco, canto além de aulas de etiqueta, atuação, treinamento de como se portar diante da mídia, educação sexual, nutrição, etc. O período pode variar de 2 anos a uma década.

Escola de trainees em Seul.

Escola de trainees em Seul.

(Foto: Reprodução / Guia do Estudante) .

Investimento pesado
 

Não é à toa que a Coreia do Sul investiu pesado na cultura nacional nos últimos anos, o K-Pop é considerado um como qualquer outro trabalho indispensável para a economia do país, é o gênero principal que representa o país ao redor do globo. A prática que a Coreia do Sul utiliza para dar treinamento a esses jovens não é em vão: essas pessoas são a imagem sul coreana ao redor do mundo.

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Em 2019, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump fez uma visita diplomática ao país. Trump foi recebido pelo então presidente Moon Jae-in e por um boy band. Os componentes do grupo EXO presentearam a família com CDs autografados e fotos.

 

O intuito do país sul coreano era de utilizar os artistas para representar exatamente o que o país deseja mostrar ao mundo: sucesso, beleza e modernidade.

Grupo EXO na visita do ex-presidente do EUA, Donald Trump.

Grupo EXO na visita do ex-presidente do EUA, Donald Trump.

(Foto: Reprodução / CNN).

Rendimento de milhões
 

Os lucros do investimento foram inevitáveis. O K-pop rende mais de R $4,7 bilhões ao ano na economia, com ações na bolsa e liderados por empresas privadas. O Ministério da Cultura teve a verba aumentada no setor da cultura popular, que hoje é apelidado de departamento de "k-pop". 

 

O país em 2017 passou a ser o 6° maior no mercado da música mundial, a explosão se deu em 2012 com o fenômeno “Gangnam Style”, de Psy. Em 2005, o governo investiu mais de R $1 bilhão no k-pop, estima-se que só o BTS movimente mais de R $3,5 bilhões ao ano.

 

E não para por aí. Nos últimos 15 anos o turismo triplicou na Coreia do Sul, de acordo com o Instituto Hyundai, 1 a cada 13 turistas cita o BTS como motivo para escolher fazer uma visita ao país. 

 

Só em 2019, o país investiu cerca de R $6,4 bilhões voltado para a cultura. Isso porque a Coreia acredita que o mercado terá bons resultados futuramente, Sang Kwon diz que “nos próximos anos, o mercado cultural crescerá mais que os mercados de tecnologia e automóveis.”
 

Soft Power
 

Soft Power em tradução livre significa “poder brando”, é o termo utilizado para falar da influência que a Coreia do Sul exerce dos seus produtos culturais. O estalo para o investimento cultural veio a partir da novela sul-coreana “What is love” em 1997 que fez com que o governo começasse a pensar em globalizar a sua cultura. Com a criação do Ministério da Cultura, a cultura passou a receber investimentos e começou a se modernizar.

 

O “Hallyu”, a tal “onda coreana” é o nome utilizado para a explosão que houve no país da arte e cultura pelo mundo, do qual o k-pop é o principal. 


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