05/07/2022 às 15h35min - Atualizada em 05/07/2022 às 15h35min

Governos de esquerda retomam espaço na América do Sul

A vitória de Gustavo Petro no último dia 19, simboliza mais um avanço da esquerda nos países sul-americanos

Stefane Amaro - Editado por: Eduardo V. Schmitt
Gustavo Petro ao lado de Francia Márquez Mina, eleitos presidente e vice-presidente da Colômbia (Foto: Reprodução/Twitter/Francia Márquez Mina)

No domingo do dia 19 de junho a Colômbia definiu o novo presidente do país: Gustavo Petro, ex-prefeito de Bogotá e ex-guerrilheiro, foi eleito com 50,44% dos votos. Petro se junta a outros nomes vitoriosos de esquerda nos países sul-americanos. Antes dele, o continente assistiu e participou das eleições de Alberto Fernandez na Argentina em 2019, Pedro Castillo no Peru em 2021 e Gabriel Boric no final do mesmo ano.

Esses triunfos, como explica o cientista político João Carlos Amoroso, remontam ao período político da América do Sul denominado “onda rosa”.

 

“A eleição de Hugo Chávez em 1998 na Venezuela iniciou uma série de governos de esquerda e centro-esquerda na América Latina. Assim como a onda rosa já havia sido uma reação às reformas de orientação neoliberal promovidas a partir do fim dos anos 1980, o giro à esquerda gerou uma reação a ele na forma de governos de direita e centro-direita, a começar por Mauricio Macri, eleito presidente na Argentina em 2015. Porém, este ciclo já dá sinais de ter se esgotado em favor de uma volta da onda rosa”.

 

Bárbara Cunha, historiadora e professora de cinema, avalia que a recolocação da esquerda é uma narrativa que percorre a miséria que a direita tem deixado nos países sul-americanos. Segundo ela, apesar da heterogeneidade da América do Sul, isso não anula os nossos diálogos, isso não anula os nossos compartilhamentos, os nossos pontos em comum - porque sim, temos

 

Sobre o papel da direita nesse cenário, Diego Trindade, professor de Relações Internacionais, diz acreditar que o interesse da extrema direita em taxar de radical, revolucionário, comunista, partidos que vão desde os social-democratas do centro até os de esquerda mais radical, tem empobrecido o debate político e a compreensão do que verdadeiramente existe no espectro político de cada país. 
 


Apesar das recentes vitórias, governos de esquerda têm enfrentado fortes instabilidades. É o caso da Argentina, por exemplo, com a maior inflação dos últimos 30 anos. João Carlos Amoroso acredita que a volta da centro-esquerda à Presidência argentina pode ser encurtada por causa das dificuldades econômicas que o governo atual tem enfrentado. A opinião é compartilhada por Bárbara Cunha, que acredita, porém, que esse fator não consiga paralisar a mobilização que se tem em relação à esquerda hoje na América do Sul. 

 

Em relação ao Brasil, o cientista político destaca a importância das eleições de outubro para análise do cenário sul-americano, uma vez que essa poderá confirmar a tendência ou deixar o cenário incerto, a depender de quem vença.  


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