10/07/2022 às 11h39min - Atualizada em 09/07/2022 às 13h46min

Curitiba: Diversidade cultural e artística nas tradicionais Feiras Especiais de Inverno

A programação reúne gastronomia, exposições artesanais e artistas de diferentes modalidades

Madson Lopes - Revisado por Flavia Sousa
Doralice Silva Messias com o figurino da dança carimbó, na barraca da Amazônia. (Foto: Daniel Castellano/SMCS).
As Feiras Especiais de Inverno ocorrem todos os anos e já fazem parte da agenda dos curitibanos. Tradicionalmente realizadas nas praças Osório, onde concentra o maior número de barracas (60 no total), e Santos Andrade, no centro de Curitiba. As feiras trazem diversidade de culturas representadas pela gastronomia, artesanato e arte, trazidas através dos artistas de rua que se apresentam diariamente durante a programação.

Com o início das feiras, a prefeitura abre a programação especial Inverno Curitiba 2022, um itinerário de eventos e atrações para quem ama o frio. Até o dia 23 de julho, os visitantes podem aproveitar as feiras nas praças, com as mais diversas opções de lazer. Com gastronomia e exposições artesanais de segunda a sábado a partir das 09h00 às 21h00, e no domingo, das 14h00 às 19h30.



Gastronomia local e regional

Bem ao lado do portal de entrada está uma carroça de pinhão, a comida típica dos paranaenses não poderia faltar. E esse ano, além de cozidos, os pinhões também serão vendidos in natura, novidade da edição.

A visitante Franciely Araújo de Jesus, que trabalha com Recursos humanos, não perdeu tempo. Ela relata que aproveita a feira para comprar e “fazer uma boquinha”. “Essa feirinha é muito gostosa, estou levando pinhão, que não pode faltar em casa”. E diz que já está se programando para “voltar à noite e tomar um quentão e um pastel com os amigos”.



Quentão, pastel, pamonha e bolos de milhos dentre outras comidas típicas do período de inverno, podem ser encontradas facilmente em quase todas as barracas da feira.

Mas para aqueles que gostam de provar comidas diferentes de sua região, ou mesmo quem é de outro estado e migrou para a capital paranaense, na feira vão poder matar um pouco a saudade de casa. Isso porque, na barraca da Bahia tem; acarajé, tapioca e cuscuz de milho. E na barraca da Amazônia, é possível experimentar o famoso tacacá (Prato típico com tucupi) e provar a famosa cachaça de jambu.


Artesanato criativo e representatividade

As exposições artesanais também trazem suas peculiaridades, e revelam que a feira possui acessórios capazes de atender as demandas dos diferentes públicos que lhes visitam. É o caso da barraca da dona Claudete Chemin.

A artesã fabrica, à mão, varinhas de Harry Potter (ver fotos) dentre outros itens relacionados à saga. Apaixonada pelo universo Geek, Claudete começou fabricar as varinhas quando sua filha se interessou pela obra de J. K. Rowling, e com o sucesso de vendas, não quis mais parar. Hoje, com mais de 20 anos expondo nas feiras da cidade, ela já é reconhecida pelo seu trabalho, e conta isso com muita satisfação:

 
“A felicidade de saber que você deixa o outro feliz através de você, e que, você é produtivo de alguma maneira para alguém, não só no sentido de espécie, mas até emocional, como quando às crianças vem aqui e saem 'súper' felizes (...). Eu acho isso muito importante, sabe?”.

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Da cultura Geek, para a representatividade negra no artesanato. Outro trabalho em exposição na feira interessante e de relevância para o contexto atual é o da artesã Alessandra Oliveira, de 42 anos.

Alessandra confecciona, há seis anos, bonecas negras e bebês orixás. Seu trabalho se destaca pela excentricidade no seguimento de bonecas, já que, não faz muito tempo, só era possível encontrar bonecas loiras e de olhos azuis. Ela que antes, trabalhava numa agencia de intercâmbio, conta que sempre amou o artesanato e que começou confeccionar as bonecas para dar de presente aos amigos, mas há três anos passou a ser sua principal renda.

Segundo ela “ver a alegria das pessoas ao se verem representadas em uma boneca não tem preço” e que seu trabalho “é uma forma lúdica e meiga de ir quebrando barreiras”.



Mix de arte, artistas e danças

Quem visita a feira no período da tarde pode ser surpreendido no portal de entrada com um bem vindo ao som de Elton John, além de vários hits que marcaram os anos 90. São as apresentações do músico de rua, 'Rebaje'.

  
'Rebaje', se apresentando na praça Osório. (Reprodução: Madson Lopes Jornalismo Cultural - YouTube).

Minha intenção é resgatar a boa música, seja em italiano, espanhol, português ou mesmo inglês”, diz ele. O baiano de 48 anos vive da música e se apresenta, principalmente, nas feiras temáticas da Osorio e Largo da Ordem. Uma das dificuldades que esses artistas enfrentam é a aceitação do público quanto ao que eles fazem serem ou não ‘trabalhos dignos’. Quanto a isso, diz Rebaje, com certa tranquilidade: “graças a Deus, tenho conquistado até mesmo estes”.

Mas, o fim de tarde na feira não tem apenas os hits interpretados pelo músico. Isso porque, na barraca da Amazônia tem roda de Carimbó, um ritimo amazônico envolvente, típico do Pará.

A iniciativa partiu da paraense de Marabá Doralice Silva Messias, que há 23 anos tem a barraca da Amazônia, na feira especial de inverno. O objetivo das apresentações é espalhar a cultura do Amazonas e proporcionar alegria e diversão para aqueles que visitam a barraca.

 
“Sou apaixonada pela cultura do meu Amazonas, na minha barraca não falta música e saias para quem quiser entrar na roda”, comenta Dora.
Saias não faltaram mesmo, e nem visitantes. A roda de carimbó que encerra o expediente de trabalho na barraca da Amazônia, terminou lotada.
 
Roda de carimbó na barraca da Amazonia. (Reprodução: Madson Lopes Jornalismo cultural - YouTube).

 E depois da nostalgia das musicas dos anos 90, trazidas pelo 'Rebaje', da empolgação da roda de carimbó, a reflexão fica por conta do artista Leonir Carvalho, a ‘Estátua viva’.


Bem no meio da feira, entre um visitante e outro, o artista se incorpora na arte e na mensagem que ela transmite. Sem fazer qualquer movimento ou falar uma única palavra, aos que imprecionados o obeservam, o artista pede aquilo que o mundo mais tem precisado: Paz.

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