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31/07/2022 às 17h12min - Atualizada em 31/07/2022 às 16h30min

Dragão Fashion Brasil 2022 - Parte II

Saiba tudo sobre o maior evento de moda autoral da América Latina

Débora Noême - Editado por Beatriz Seguchi
Reprodução: Dragão Fashion Brasil

Theresa Montenegro

As peças da coleção “La Nuit”, de moda de luxo, são extremamente sensuais, pensadas para vestir mulheres únicas e de personalidade. Feitas à mão, contam com bordados e plumas, além de diversos tipos de tecido.


Kallil Nepomuceno

“É preciso renascer para poder enxergar de novo, tirar o embaçado da visão e contemplar a vida e o que ela nos traz”, declarou o estilista. Essa é a proposta de sua coleção, “abrir os olhos”, principalmente no atual cenário pós-pandemia. As peças, bastante coloridas, transitam facilmente entre um estilo e outro.


Olê Rendeiras

Fruto do projeto coletivo de Celina Hissa da Catarina Mina e a QUAIR BRASIL, empresa de energia renovável, a coleção foi inspirada no incrível trabalho das rendeiras, e também buscou homenageá-las. O projeto começou em 2019 para atender os homens e mulheres do Trairi, no Ceará.


Sau Swim

“Acredito que essa coleção representa para nós o amadurecimento. Temos alguns recortes nas peças em ondas pequenas, médias e grandes. Para toda onda, é preciso mergulhar, penetrar o mar e fazer parte daquele universo. Assim pensamos ser em nossas vidas, nos desafios cotidianos. Aprendemos que onda grande se atravessa mergulhando, e assim fizemos e fazemos na SAU. Estamos sempre em movimento, contornando os obstáculos, e encontrando nosso espaço no mercado, nos nossos corpos”, foi o que declarou a empresa de beachwear nas redes sobre a sua coleção apresentada no DFB festival, inspirada tanto em sua coleção passada “Mergulho” como nos líquidos suor, lágrimas e sangue, que significam movimento e mudança. A marca esteve pela primeira vez no evento.



• Rendá

Para homenagear o artista Vando Figueiredo, a fundadora da Rendá, Camila Arraes, criou a coleção “De que cor você pinta a sua vida?”. Além da marca registrada da empresa, o uso da renda renascença, as peças tinham plumas e pedrarias.


Vitor Cunha
Inspirado na libélula, Vitor Cunha criou a coleção “Alomorfia”, cheia de cor, movimento e, claro, muito macramê, a principal característica de sua marca.



Marina Bitu

“Peças que se inspiram em águas vivas e no exoesqueleto dos crustáceos cruzaram a sala levando consigo nosso processo de auto-descoberta”, disse a marca sobre sua coleção “Octopus”, nascida sob a premissa de alguém que está no fundo do mar e é resgatada, voltando a respirar. A marca é adepta do slow fashion e produz peças com materiais reutilizados.


• Baba

A coleção “De outro mundo” é inspirada nos universos de ficção científica e da ufologia. O ponto de partida foi a cidade de Quixadá, do interior do Ceará, famosa por suas paisagens cinematográficas e pelas histórias de aparições de OVNI’s e abduções. Com uma grande variedade de materiais, desde peças amplas como calças cargo à legging, tafetá metalizado, estampas de pé de galinha e macramê, a coleção mostrou-se criativa e única.



• Senac Richelieu

“Digitais”, criada por Ivanildo Nunes e inspirada nas asas da borboleta, trás todo o encanto da renda richelieu através das mãos de 15 artistas de Maranguape-CE. Busca demonstrar o verdadeiro potencial da arte cearense.


• Faculdade Santa Marcelina
A coleção Matula ficou em primeiro lugar no Concurso dos Novos. Em entrevista para o Lab, a dupla responsável por todo o processo de criação contou como foi a experiência.

"O projeto Matula fala sobre uma releitura da persona Jeca Tatu, de Urupês, obra do Monteiro Lobato. É uma releitura sobre Jecas que temos na sociedade hoje em dia. Nós tentamos fugir de uma coisa caricata, muito literal, então a coleção traz esse bucólico, mas traz principalmente a essência da persona Jeca, que é urbano, trabalhador. As modelagens da coleção são folgadas ao corpo, desprendidas, arrastando, por conta desse jeca de interior, que trabalha, que pega roupas usadas, que nunca servem direito para o seu tamanho. Brincamos também com os acessórios, o pé de galinha esculpimos na cera, na resina, com folha de ouro; Como a proposta do trabalho era o algodão e tínhamos que usar optamos também por fugir do sentido literal então esse próprio Jeca que trabalha no campo em contato com a terra faz essa analogia para a coleção. Nós trouxemos a irregularidade desse jeca também por meio das pérolas barrocas, que são pérolas deformadas pela natureza e possuem um preciosismo muito grande. É uma coleção cheia de detalhes, de abstrações, de volumes, que busca trazer um novo olhar para essa persona. Acho que a peça mais pesada que tivemos foi o macacão. Nós o bordamos com mais de 7 kg de pérolas barrocas. Foi bastante especial a construção dessa nova persona, dessa jeca que é um ser andrógino."

As meninas, Bruna e Rafa, finalizaram ressaltando o quão incrível foi participar de um projeto como o DFB Festival. Entretanto, também foi um árduo trabalho, uma vez que as duas carregaram a coleção sozinha e em um curto período de tempo.



Senac Sergipe
A coleção que conquistou o segundo lugar no Concurso dos Novos foi inspirada na arte Delírio Poético da Cotton Cultura e baseada no patrimônio cultural de Sergipe.



FBUNI
A equipe levou a medalha de bronze. Não foi possível obter muitas informações a respeito da coleção, apesar das tentativas.



UFC
A coleção “Elos” busca mesclar a opulência e o glamour da ascensão social produzida pelo progresso do algodão no Ceará no final do século XIX e as contradições sociais relacionadas a esse ciclo.

Em entrevista ao Lab, Raphael Guilherme, estudante do 5° semestre de design de moda na UFC e integrante da equipe de criação da coleção contou detalhes de como foi o processo.
“Quando eu entrei o barco já estava andando. A equipe originalmente tinha 5 pessoas, mas 2 precisaram se afastar e para participar era necessário no mínimo 4 integrantes. Estavam procurando alguém que fosse bom em modelagem e com conhecimento e experiência com roupas fora do comum e eu me encaixava, então me tornei modelista da coleção Elos, que trazia o algodão como protagonista em referência a época que o Ceará era o grande produtor e buscava representar uma imagem de como se toda a riqueza da colheita tivesse ficado com os trabalhadores e não com os grandes latifundiários. Foram semanas queimando neurônios para transformar os desenhos em moldes para cortar no tecido e virarem roupas. Um dos grandes problemas que tive nessa parte foi a questão do tempo. Como não tinha ninguém além de mim na modelagem dos 8 looks, não tive tempo de testar tudo. É um trabalho que só termina quando a modelo entra na passarela, daí foi só chorar de emoção no backstage por tudo ter dado certo mesmo depois de tanto caos.”.
Raphael disse que, devido a falta de recursos, algumas modelagens tiveram que ser alteradas. Eles conseguiram um pouco de dinheiro através de rifas, brechós e doações. “Dinheiro não tinha, mas coragem e determinação não faltou.”.
O jovem, que sempre gostou de criar e fazer coisas, diz ter se encontrado na moda, e está feliz por ter participado do DFB. “Eu estava costurando as últimas coisas no corpo da modelo segundos antes de entrarem na passarela e muito mais que renderam uma experiência maravilhosa e me fez ver que realmente é isso o que quero fazer.”.



Unifor
Os alunos da Universidade de Fortaleza criaram a coleção “Reexistir da Despedida”, inspirada na cearense Maria da Penha Maia Fernandes, que dá nome à lei 11.340, responsável por punir a violência contra a mulher.



Universidade Potiguar
A universidade apresentou a coleção intitulada “A Imanência das Marias”, que busca revisitar os “tempos do algodão” ao mesmo tempo em que denuncia a escravidão.


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