22/10/2022 às 10h53min - Atualizada em 22/10/2022 às 10h38min

Resenha Cyberpunk: Mercenários

O anime feito em uma parceria entre a CD Projekt RED e o estúdio Trigger entrega emoção e ação em grande estilo em boa sintonia com o universo criado pelo game.

Felipe Grande - Editado por Ana Terra
A mais nova adição ao catálogo da Netflix baseada em games é Cyberpunk: Edgerunners, ou Mercenários, uma série anime feita spin-off do universo de Cyberpunk 2077. Ela foi anunciada antes mesmo de recebermos o game em mãos, ainda em 2020, e antes de sabermos o desastre que ele seria em seu lançamento. É claro que a imagem que Cyberpunk 2077 adquire com o tempo não ajuda com o hype da série que, no entanto, entrega emoção e ação em grande estilo.

Em Edgerunners, somos apresentados à David Martinez, um dos protagonistas do anime, que acompanharemos por toda a temporada. David é um dos melhores alunos de uma escola muito prestigiada da Arasaka, grande corporação de Night City. É claro que em Cyberpunk o capitalismo atinge o seu auge, e aqueles que não possuem dinheiro o suficiente para pertencer às camadas mais altas da sociedade, como Martinez e sua mãe, acabam sofrendo consequências muitas vezes trágicas.

É isso que acontece não muito tempo depois de entender como o universo funciona, algo que a série explica com maestria, incluindo tanto os fãs do game, quanto quem nem sabia o que é um Cyberpunk. David e sua mãe são pegos em um tiroteio entre gangues rivais e se envolvem em um acidente de carro, que leva à morte da mãe do protagonista. Esse evento e a revolta de Martinez com a cidade, que se recusa a salvar sua mãe pelo dinheiro, levam aos próximos acontecimentos e desenrolam toda a trama da série.

Ao se aprimorar ciberneticamente pela primeira vez, com um Sandevistan, que permite que o jovem se mova muito mais rápido do que aqueles a sua volta, David conhece Lucy, que o convida para fazer parte de um esquema de roubos aos mais ricos em um vagão de trem. É aí que Martinez é apresentado ao estilo de vida Edgerunner, Mercenário, ou apenas Cyberpunk.

Cyberpunk: Edgerunners mostra o arco de um personagem revoltado, atolado em dívidas, que acaba de perder um ente super querido e que não vê outra saída na dura realidade de Night City. Histórias que devem se repetir todos os dias nessa cidade, em sua maioria com finais infelizes. A luta de David representa de maneira crua a luta dos Cyberpunks para sobreviver em Night City.

Essa é a premissa principal da narrativa de Edgerunners, que logo nos apresenta também a gangue inteira de David, liderados por Maine, um grande personagem com cibernéticas pelo corpo todo, que vira uma espécie de irmão mais velho para Martinez. Além dele, vemos também as netrunners Lucy, interesse romântico do protagonista, e Kiwi, e os irmãos Rebecca e Pilar. Apesar de apenas 10 episódios, a maneira como a série é construída torna possível criar um sentimento de empatia e carinho com todos eles.

Mercenários brilha quando explora elementos que não foram tão notados no game, como todo o caminho trilhado por David até se tornar de fato um cyberpunk, que leva cerca de 5 episódios, enquanto vemos V crescer em Night City em uma curta cena de 5 minutos. E é claro que um dos principais temas aqui, a cyber psicose também é algo que nos prende para saber o que acontece a cada episódio.

Cyber psicose é um estado que atinge todos aqueles que modificam o corpo ao extremo, que altera a mente e faz com que eles se tornem agressivos, paranoicos e tenham “apagões” muito violentos. Vemos essa doença afetar personagens importantes para a história, e quando isso acontece a emoção brilha, algumas das cenas com esses personagens são de fato de tirar lágrimas dos olhos.

Essa balança entre a ação e a emoção é peça-chave no sucesso de Edgerunners. A série possui uma animação muito bonita e fluida em momentos de ação, enquanto a trilha sonora, as cores, e o roteiro funcionam de maneira fantástica também para criar emoção. Os olhos de muitos marejam até hoje quando “I Really Want to Stay at Your House”, música tema de Lucy e David, toca em momentos aleatórios na Night City de Cyberpunk 2077.

A CD Projekt RED lançou uma atualização para o game que traz itens únicos da série, como a jaqueta de David ou a escopeta usada por Rebecca, além de aumentar as vezes que as músicas dos animes passam pela rádio. Essa interação entre a série e o jogo fez o número de jogadores de Cyberpunk 2077 crescer abruptamente por todas as plataformas, atingindo o pico de 136 mil jogadores simultâneos na Steam, enquanto The Witcher 3 chegou a 103,3 mil.

Cyberpunk: Mercenários está disponível no catálogo da Netflix desde 13 de setembro de 2022, com 10 episódios no total. Cyberpunk 2077 está disponível para Xbox One, Xbox Series X|S, PS4, PS5, PC e Google Stadia, até janeiro de 2023.


REFERÊNCIAS:
BRAGA, ESTRADA e SOLANO. “MRG 626: Cyberpunk: Edgerunners!”. Matando Robôs Gigantes, 2022. Disponível em: https://open.spotify.com/episode/68gR0ekaijhmEhuQWN2DuJ?si=ebb58ca05a004541. Acesso em: 14 de outubro de 2022.

RIBEIRO, Pedro Henrique. “Cyberpunk: Mercenários traz beleza e contemplação de uma distopia autodestrutiva”. Omelete, 2022. Disponível em: https://www.omelete.com.br/mangas-animes/criticas/cyberpunk-mercenarios-critica. Acesso em: 15 de outubro de 2022.

“Cyberpunk: Edgerunners é a MELHOR SÉRIE do ANO – O Veredito”. Central, 2022. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=7yKQzC26owc&ab_channel=CENTRAL. Acesso em: 15 de outubro de 2022.
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