14/07/2019 às 00h29min - Atualizada em 14/07/2019 às 00h29min

Meio social e as redes

Qual o nível de influência das redes sociais na vida das pessoas?

Maria Clara Monteiro - Cultura
Victhorya Monteiro, Cherlya Benjoino, Lucas Oliveira e Ana Clara Silva
Reprodução/Internet
É possível perceber o aumento do consumo das redes sociais que são utilizadas para entretenimento, comunicação e, até mesmo, para acompanhar notícias. De acordo a Exame Abril, 74% dos consumidores se orientam por meio das redes sociais. É uma possibilidade de levar diversos produtos a lugares que, por exemplo, a TV não levaria.

O anseio em estar sempre conectado resulta em pessoas gastando 1/4 do dia, aproximadamente 8,8 horas, para interagir com o conteúdo digital. Visto como uma exceção, o estudante, Lucas Oliveira, de 24 anos, afirma que fica conectado cerca de 1 hora por dia. "Às vezes, perdemos muito tempo em redes sociais, olhando a vida das pessoas. Isso faz com que a gente deixe de viver intensamente a nossa".

Em seu último período de Psicologia, Victhorya Monteiro acredita que as redes oferecem perigo ao consumidor. "A questão é equilíbrio. Ao mesmo tempo que é uma ferramenta de meio de trabalho, o uso excessivo dela também traz malefícios". Ela destaca um destes. "A questão da comparação midiática, principalmente, na ditadura da beleza".

A estudante, Ana Clara Silva, revela que já teve alguma experiência negativa com a rede. "Vi alguma postagem que me entristeceu e algum comentário desnecessário. A questão de a autoestima ser afetada ao ver as vidas 'perfeitas' do Instagram".

(Foto: Reprodução/Internet)

(Foto: Reprodução/Internet)



Victhorya confirma que o Instagram é considerado a rede social mais nociva para a autoestima. "Você começa a se comparar, porque as pessoas postam muito o que elas querem que as pessoas vejam da vida dela. É uma vida montada, idealizada. Você internaliza isso sem se dar conta".

Ana Clara demonstra o que faz para lidar com isso. "Me desligo da rede por algum momento, refletindo sobre o que é realmente válido para me preocupar. Sei que muitas vezes o real, não condiz com o virtual".

Para Victhorya, Ana está certa. Ela diz que é possível utilizar o Instagram de maneira saudável. "[Sim]. É só saber que essa é mais uma ferramenta para facilitar a sua vida e, também, de entretenimento. Mas sem você querer se comparar, sem ficar [pensando] em ter o melhor conteúdo, o maior número de likes, o maior número de seguidores. Você tem que encarar com naturalidade, sendo quem você é. [...] Não tem como você comparar. Cada um tem o seu caminho. Cada um tem a sua trajetória. Cada pessoa é única".

A influência que a rede social está tendo na sociedade é inegável. É possível ver esse reflexo nos influencers digitais. Como o próprio nome já diz, essas pessoas são contratadas para influenciar. Geralmente, para divulgar marcas, produtos e serviços, para que as vendas aumentem. O perigo se instala quando essa influência se torna prejudicial.

Cherlya comemorando os seus 4k de seguidores. (Foto: Cherlya Benjoino)

Cherlya comemorando os seus 4k de seguidores. (Foto: Cherlya Benjoino)



Cherlya Benjoino, de 42 anos, é influencer e diz que descobriu na brincadeira o novo talento. "Eu sempre gostei de fazer lives à toa. Certo dia, resolvi mostrar o tanto de lojinhas no precinho popular. Eu comecei a falar e achei interessante.  É isso deu uma repercussão, eu vi que surtiu efeito. Muita gente no direct [falando comigo]. Em doze dias, consegui 1200 seguidores. Tudo está fluindo com muita tranquilidade e espontâneo".
 

A influencer conta que ela tem como objetivo incentivar as pessoas. Por isso, as mensagens que ela transmite são sempre alegres, mas com a intenção de conscientizar e fortalecer a quem a escuta. "Tem tantas pessoas depressivas por trás da tela do celular que me mandam mensagens. O meu 'bom dia, Brasil', 'acorda para vida' e 'vamos ser feliz', está despertando e fazendo tanta gente levantar. Isso é a motivação maior para mim. [...] Tem mensagens que eu recebo que chego a chorar".

Atualmente, associar as redes sociais com a sociedade é associá-la com a cultura. De acordo com Lucas, é desempenhado um papel essencial. "Hoje, temos a capacidade de perceber a aproximação de diversas culturas de cada região do Brasil. Estamos na era digital e mais tecnologias irão aparecer, o uso das redes socais poderá ser mais moderado com o avanço científico e com as pessoas conscientizadas". 

O consumo saudável é comprovado com pessoas esclarecidas sobre a função do mundo digital. Dessa forma, a sociedade continua a ser um meio social, mas, agora, tem-se a opção 3D. Cabe ao cidadão fazer a escolha correta.

Editado por Pâmela Rita
 
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