15/07/2019 às 18h08min - Atualizada em 15/07/2019 às 18h08min

Insetos podem entrar em extinção

Estudos revelam dados que mostram uma redução de 76% de insetos voadores

Daiana Pereira - Editado por Thalia Oliveira
Fotografia: Conexão planeta
Pesquisas divulgadas em 2017 pela revista científica PLOS ONE indicam que 76% de espécies de insetos voadores reduziram entre os anos de 1989 e 2016. Os causadores da redução são as mudanças climáticas, desmatamento e uso de pesticidas e agrotóxicos na agricultura.

Devido a quantidade de invertebrados que estão desaparecendo da cadeia alimentar, foi realizado uma revisão de pesquisas anteriores, a fim de ver a gravidade do problema. A pesquisa da Biological Conservation, divulgada em abril deste ano, mostra que os dados encontrados são alarmantes, pois já está afetando outros animais da cadeia alimentar, como aves, rãs e lagartos. Segundo os pesquisadores, a chamada de sexta extinção de animais em larga escala, como a dos dinossauros, pode ser a dos insetos.

Os táxons (classificação dos seres vivos) que parecem ser os mais afetados são: Lepidoptera (Borboletas e mariposas); Hymenoptera (vespas, abelhas e formigas) e Escaravelho(besouros). Além dos insetos aquáticos que já perderam uma quantidade considerável de espécies, dos táxons Odonata, Plecoptera, Trichoptera e Ephemeroptera.

Nos últimos estudos realizados nas florestas tropicais de Porto Rico, houve desmatamento de 78% da área, o que consequentemente gerou uma redução de 98% dos insetos. Dados que demonstram que além de animais vertebrados, os invertebrados também estão sendo afetados e larga escala. Com isso, toda a cadeia alimentar é alterada, inclusive a dos humanos
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Parece que os declínios de insetos são substancialmente maiores do que aqueles observados em aves ou plantas nos mesmos períodos de tempo, e isso poderia desencadear efeitos em cascata de ampla gama em vários ecossistemas do mundo.”- Biological Conservation.
 
Segundo uma análise do professor Luiz Marques, do Departamento de História da UNICAMP, o processo da sexta extinção não acontece como as outras, que foram causadas por “irradiação de ondas a partir de um ponto de impacto (meteoros ou vulcões)”. A dinâmica da sexta extinção “é determinada por um processo que, ao contrário, se intensifica no espaço e no tempo e, além disso, amplifica-se mais na periferia do sistema econômico (os trópicos, mais ricos em biodiversidade) que em seu centro (os países industrializados).”
 
Abelhas

A perda das colônias de abelhas é a parte mais visível de um problema amplo. O Distúrbio do Colapso das Colônias atinge hoje abelhas dos Estados Unidos, Europa, China, Taiwan, Japão, Oriente Médio e Brasil. As abelhas são as principais polinizadoras, e sem elas, todo o agronegócio perde.

De acordo com Cristiano Menezes, pesquisador de abelhas, a polinização das abelhas é responsáveis pelo aumento de 30% dos alimentos cultivados na agricultura. Os polinizadores profissionais, como são chamadas as abelhas, movem o mercado do Brasil em 50 bilhões de reais por ano. E além do efeito que elas causam nos alimentos, o simples fato de polinizarem já gera renda. Hoje, colônias de abelhas são vendidas e alugadas para melhorar a agricultura.
 

 

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