18/07/2019 às 20h46min - Atualizada em 18/07/2019 às 20h46min

Resenha: Como perder um homem em 10 dias

Somos mesmo as culpadas pelo término do nosso relacionamento?

Layse Oliveira - Editado por Socorro Moura
Foto: Reprodução.

Se você é um grande fã de comédias românticas, assim como eu, muito possivelmente já deve ter assistido a esse clássico do gênero. O filme “Como perder um homem em 10 dias” foi lançado em 2003 e retrata a história de um homem e uma mulher, ambos em busca dos seus objetivos profissionais. Eles se conhecem por acaso e, como já poderíamos imaginar, se apaixonam perdidamente. 

Andie Anderson (interpretada pela incrível Kate Hudson) é uma jovem jornalista que trabalha numa grande revista voltada para o público feminino, mas seu sonho é escrever sobre política e assuntos que ela considera relevante para a sociedade. Quando uma das amigas de Andie, Michelle, sofre mais uma de suas decepções amorosas e é consolada pelas colegas de equipe, a editora chefe da revista oferece uma promoção para Andie. A jornalista poderá escrever sobre qualquer assunto que desejar, desde que conheça um homem e o perca em 10 dias, e escrevendo em uma matéria tudo que fez de errado para perdê-lo. 

Também em busca de uma promoção, o publicitário galã Benjamin Barry (Matthew  McConaughey), carinhosamente tratado por Andie como “Ben”, faz uma aposta com o seu chefe. Na aposta, Ben precisa fazer com que uma mulher se apaixone por ele em 10 dias para comprovar ao chefe que entende sobre o universo feminino e que, ninguém melhor do que ele para realizar a campanha de joias da empresa. 

Mesmo o filme tendo sido lançado há 16 anos, ainda podemos ver os mesmos reflexos e erros do relacionamento de Ben e Andie nos relacionamentos atuais. O fato é que ao longo do enredo, Andie tenta reproduzir todos os erros que presenciou a amiga Michelle cometer nos seus relacionamentos frustrados. Na tentativa de fazer com que Ben desista do namoro, Andie se torna extremamente carente afetivamente. 

Ela não respeita o tempo de Ben com seus amigos, fala com seus familiares antes mesmo de Ben os apresentar, é desagradável e cria planos para o futuro quando eles ainda estão se conhecendo. A situação torna-se difícil para Ben que só não desiste da relação, porque, afinal de contas, ele também precisa ganhar uma aposta. A questão é até que ponto as mulheres são realmente carentes afetivamente e até onde elas são estereotipadas dessa maneira? 

Por muito tempo as meninas foram criadas para crescer, se casar e ter filhos. De que outra forma elas poderiam se sentir, senão pressionadas a conseguir um marido o quanto antes puderem? Além de que, enquanto as mulheres sempre foram condicionadas a “construir uma família”, os homens sempre foram incentivados a curtir a sua juventude e não se deixar ser “fisgado” tão cedo. As duas coisas juntas, realmente, não poderiam funcionar. 

Na vida real, ao contrário do mundo cinematográfico, nem sempre tudo tem um final feliz: o modo como o filme retrata a personagem de “mulher carente” coloca mais uma vez a figura feminina como a de uma pessoa desequilibrada. E é importante termos consciência de que esses padrões de comportamentos foram impostos à mulher, que hoje luta para quebrá-los. Não só essa imagem de que a mulher é um ser frágil e carente, como também de que só num relacionamento ela pode se sentir completa.  

Durante o filme, mesmo que com intenções nem tão boas assim, o Ben faz algo que a maioria de nós não somos capazes de fazer: explicar para o outro o que nos incomoda. Ele tenta explicar para a Andie que a forma como ela está agindo não é boa para nenhum dos dois, e talvez tenha sido nesse ponto que ele ganhou o coração da mocinha, que decidiu deixar a aposta de lado por um momento e se permitiu apaixonar. 

O grande “X” da questão seria justamente esse:  abrir um diálogo sincero sem deixar para o outro o trabalho de ter que adivinhar e atender suas expectativas. É essencial, mesmo que no início, estabelecer os termos da relação. Se uma das partes deseja algo mais sério, é importante deixar isso claro, já que as pessoas são diferentes e o outro pode não estar preparado. Além de ter a responsabilidade afetiva de também dizer ao outro, caso não esteja interessado em um relacionamento, assim ninguém cria expectativas demais e evitamos frustrações desnecessárias. Nunca conseguiremos um conto de fadas, mas quem sabe dessa forma, nós também chegamos a um final feliz. 

 
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