19/07/2019 às 23h12min - Atualizada em 19/07/2019 às 23h12min

Estudantes goianos vencem torneio da NASA

Chiclete com pimenta é criado para melhorar a sensibilidade olfativa e paladar dos astronautas

Daiana Pereira - Editado por Thalia Oliveira
Fotografia: Tecmundo
Sete estudantes do SESI de Goiânia criaram um chiclete com pimenta para tentar resolver um problema que acomete muitos astronautas, a desnutrição. Os jovens participaram, na última terça-feira, 16, do torneio internacional de robótica First Lego League (FLL), na Universidade da NASA, Estados Unidos. O torneio consistia na montagem de um robô em dois minutos e apresentação de um projeto criativo, que foi a goma de mascar.

No espaço, devido a microgravidade, os astronautas perdem com o tempo a sensibilidade olfativa e paladar. Consequentemente, a falta de sabor dos alimentos gera a falta de prazer.

O astronauta Chris Hadfield conta, por meio de uma série de vídeos direto da Estação Espacial Internacional, a ISS, que os astronautas sentem os cincos sentidos se alterarem quando viajam para o espaço. Alguns deles não melhoram nem com a vinda para a Terra.

A estudante Ana Sofia, 16 anos, explica o porquê de não sentirem o sabor da comida, “Nesse ambiente de microgravidade, tem a falta de pressão hidrostática, que faz com que os fluídos vão para a parte superior do corpo e obstruindo as vias aéreas”, afirma a estudante. Por conta dessa obstrução das vias aéreas, o astronauta não sente o cheiro e consequentemente não sente o sabor. Para Chris Hadfield a sensação é de estar constantemente gripado.

O estudante Cairo Silva salienta que o nosso paladar identifica cinco sabores: o salgado, doce, azedo, amargo e umami. Já o olfato capta mais de 10 mil cheiros diferentes, tendo um papel importantíssimo para a nossa captação de sabor e prazer.

Com base em pesquisas, os estudantes perceberam que a pimenta poderia ajudar os astronautas a captarem os sabores. Felipe Caetano explica que “a pimenta tem a propriedade química Capsaicina, que entra em contato com as células odoríferas do nosso nariz, e permite que as células dos alimentos entre em contato com as nossas células, permitindo que o astronauta sinta o sabor do alimento normalmente”. Por meio desse contato da Capsaicina com o cérebro, a pessoa consegue diferenciar sabores.

Foram criados dois sabores de chiclete, o de menta com pimenta e o de barbecue com pimenta. Porém, para uma pessoa na Terra, o sabor pode não ser muito agradável. A pimenta escolhida é a pimenta Bode, de preferência as vermelhas, que são as mais fortes. Como o sentido do paladar é neutralizado no espaço, as comidas têm que ser muito temperadas e fortes.

Além do olfato e paladar, os outros sentidos são alterados. Segundo Chris, com o tempo no espaço, a visão passa a ficar embaçada. Isso acontece devido a pressão dos fluídos que ficam armazenados na cabeça. Isso causa o achatamento dos olhos e um inchaço do nervo ótico. Para ele, é possível se acostumar com o inchaço do nervo ótico, mas o achatamento dos olhos não melhora nem com a vinda para a Terra.

Na audição, por mais que imaginemos que eles não escutem nada, já que as ondas são mecânicas e não conseguem viajar pelo vácuo, eles conseguem ouvi-las. Eles as escutam porque ao entrarem na ISS, elas encontram barreiras para refletir o som.

O tato das mãos não se altera, mas a dos pés sim. Chris conta que por não andarem, os pés ficam mais sensíveis e perdem a rigidez. Ao voltarem para a Terra, ainda demora um tempo para se acostumarem a andar.

O projeto da goma de mascar fez a equipe ficar em primeiro lugar no torneio da NASA. Eles concorreram com 70 equipes de 12 países diferentes.
 
 
 

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