21/07/2019 às 01h36min - Atualizada em 21/07/2019 às 01h36min

Loja de Unicórnios: amadurecimento e pertencimento

Como se preparar para encarar a vida

Jaci Lira - Editado por Mário Cypriano
Brie Larson como Kit no filme Loja de Unicórnios, sua estreia como diretora - Foto: Reprodução.


Filmes com o intuito de transmitir uma mensagem e nos colocar para cima sempre são bem vindos, e é com sua estreia como diretora que a atriz Brie Larson nos apresenta ao descontraído e colorido Loja de Unicórnios, filme em que também atua. O longa exibido em 2017, no 42º Festival de Toronto, conseguiu sua distribuição este ano, através da Netflix, colocando ainda mais holofotes sobre a atriz de Capitã Marvel.

Dos gêneros drama e comédia de fantasia e com roteiro de Samantha McIntyre
, Loja de Unicórnios nos revela Kit (Brie Larson) uma jovem que acabou de ser expulsa da escola de Artes e passa a morar com os pais. Se sentindo um fracasso, ela decide mudar alguns hábitos e encarar um emprego sério, totalmente diferente do que almeja. Tentando se adaptar, Kit começa a receber alguns cartões, convidando-a para ir à Loja, onde O Vendedor (Samuel L. Jackson) garante que ela poderá realizar seu sonho de infância e ter um unicórnio, desde que cumpra algumas atividades para provar que é capaz de ter um. À partir daí, começa a jornada de Kit em busca de amadurecimento e do lugar em que pertence.

 

“Não sei ser adulta. Meus pais acham que sou maluca.” 


Kit (Brie Larson) e O Vendedor (Samuel L. Jackson) em Loja de Unicórnios. Foto: Reprodução.

Kit (Brie Larson) e O Vendedor (Samuel L. Jackson) em Loja de Unicórnios. Foto: Reprodução.

Kit (Brie Larson) e O Vendedor (Samuel L. Jackson) em Loja de Unicórnios. Foto: Reprodução.

Kit (Brie Larson) e O Vendedor (Samuel L. Jackson) em Loja de Unicórnios - Foto: Reprodução.


A trama baseia-se na superação de obstáculos, na busca por sucesso e realização pessoal. Em algum momento é adicionada uma pequena competição, mas não é desenvolvida, deixando claro que o foco é apenas o crescimento pessoal da personagem principal. O filme segue leve, sem grandes reviravoltas ou soluções que tirariam o fôlego do espectador. Os temas abordados são apresentados desde o início e desenvolvidos rapidamente ao longo da trama, sem dar explicações ou focar em histórias e assuntos paralelos. Mesmo que alguns (bem poucos) surjam, o não-desenvolvimento não afeta a história. De certa forma, o filme só irá funcionar se você entender desde o início qual o propósito dele.

A fotografia e a composição dos cenários cumprem o papel em brincar com as cores de acordo com as cenas: nos momentos em que Kit está na agência, vemos cores frias; quando está em casa e pode ser ela mesma, somos presenteados com muitas cores; e quando a história segue para A Loja, temos saturação e imagens claras, bem iluminadas, dando uma aura de algo celestial.

 

“Todo mundo precisa de magia na vida, mesmo sendo adulto.”


No geral, a obra consegue cumprir seu papel e mesmo sem abrir mão da fantasia, não se torna um filme tosco, justamente por ter os assuntos sérios sustentados e trabalhados. Kit se vê deslocada, fracassada e até um pouco deprimida por todos à sua volta se condicionarem a trabalhar no que claramente não querem, ao ponto de ela passar a acreditar que este é o significado de vida adulta. Ter o unicórnio se torna a cor em meio ao estilo de vida cinzento e ela começa a cumprir as atividades achando que está preparando sua casa e um espaço para recebê-lo, quando na verdade está preparando a si mesma para encarar a vida, que envolve sucesso e fracassos, mas é isso que se enfrenta para seguir os próprios sonhos.


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