25/07/2019 às 00h07min - Atualizada em 25/07/2019 às 00h07min

O enigma por trás do funcionamento dos antidepressivos no cérebro humano

Adrieli Fátima Bonini - Editado por Socorro Moura
Imagem: Pinterest
Durante vários anos, a depressão carregava consigo um longo período de negligência e discriminação, onde os que sofriam da doença eram simplesmente retirados da sociedade. Com a vinda dos antidepressivos, antipsicóticos e ansiolíticos, a conjuntura dos mesmos começava, gradualmente, a melhorar.

O consumo de antidepressivos configura-se visivelmente crescente. Uma pesquisa da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Pró Genéricos) constatou que, apenas no primeiro semestre de 2017, o crescimento na venda de medicamentos para depressão foi de 4,22% para marcas reconhecidas, 6,23% para os similares e 21% para os genéricos.

Tal mudança anda lado a lado com a estatística da Organização Mundial da Saúde (OMS), no qual informa que o Brasil é a nação que mais registra casos de depressão na América Latina. Todos esses dados nos dizem que a depressão se encaminha como uma das doenças mais incapacitantes, fazendo com que inúmeras pessoas mundo afora necessitam afastar-se de sua vida normal para procurar auxílio e tratamento especializado.

O cérebro humano é composto, segundo a assessora técnica do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP), Amouni Mourad, por células do sistema nervoso, chamadas de neurônios. Estas liberam substâncias - chamadas de neurotransmissores - que têm vida útil limitada, sendo degradadas e quebradas ao fim de sua duração em um processo denominado "recaptação". Diversos são os tipos de neurotransmissores, sendo que os mais conhecidos são a serotonina e a noradrenalina, que promovem a sensação de bem-estar, amenizam os sintomas de ansiedade e regulam o humor. Também, há a dopamina, responsável pela concentração.

No entanto, pessoas com distúrbios psíquicos, como ansiedade e depressão, podem ter alterações nesses componentes, o que gera sintomas como tristeza constante ou preocupação excessiva com o futuro. A ação dos medicamentos para depressão é baseada na inibição da recaptação dos neurotransmissores e aumento da sua duração, o que provoca bem-estar, tranquilidade e foco, por exemplo.

Embora os benefícios dos antidepressivos surjam em curto prazo, em alguns casos, o medicamento pode não fazer o efeito desejado, fazendo com que ocorra a troca do mesmo ou até mesmo um regulamento da dose do remédio. É um processo lento, que sozinho não há um resultado estritamente positivo. É necessário que haja a psicoterapia, para auxiliar no tratamento.

Antidepressivos viciam?

Há inúmeras pesquisas na área da psiquiatria questionando se antidepressivos realmente viciam. Tal ideia é refutada pelo psiquiatra Antônio Geraldo da Silva, superintendente técnico da Associação Brasileira de Psiquiatria, o qual afirma que a ação dos remédios para depressão não causa dependência. Já a assessora do CRF-SP, Amouni Mourad, vai contra ao dizer que tomar esses medicamentos por longos períodos cria uma necessidade de o paciente continuar a usá-los. No entanto, ela afirma que isso pode ser amenizado com a diminuição gradual e orientada da dose do antidepressivo, prática a qual também reduz o risco de o distúrbio voltar e evita efeitos colaterais pela brusca pausa.

É necessário que uma vez diagnosticado algum transtorno psíquico, o paciente busque auxílio médico em um centro especializado em saúde mental. Sim, é preciso fazer terapia regularmente e se preciso fazer uso de antidepressivos. A família é essencialmente importante na melhora do mesmo. O apoio constante além não promover julgamentos contra o depressivo é essencial. Afinal, o mesmo não tem culpa de ter desenvolvido tal transtorno, visto que ambos estão estritamente relacionados com a química cerebral.
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