26/07/2019 às 22h45min - Atualizada em 26/07/2019 às 22h45min

Biografia de Odylo Costa Filho

Adriana de Sousa - Editado por Socorro Moura
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   O Maranhense Odylo Costa Filho nasceu em 14 de Dezembro de 1914 em São Luís - Ma e faleceu em 19 de Agosto de 1979 no Rio de Janeiro -RJ. Foi cronista, jornalista, poeta e novelista.
   Cumpriu seus estudos em Teresina, onde se casou com D. Maria de Nazaré Pereira da Silva Costa em 1942, com os padrinhos: Manuel Bandeira, Ribeiro Couto e Carlos Drummond de Andrade. Formou-se em Direito no Rio de Janeiro na Universidade do Brasil , poré, desde os 15 anos, tinha vocação para Jornalismo e amava literatura.
    Foi o quarto ocupante da Cadeira 15 da Academia Brasileira de Letras. Algumas de suas obras são Distrito da confusão (1947), Maranhão: São Luís e Alcântara (1971), Boca da Noite (1979), dentre outras. Odylo Costa Filho teve um extenso currículo e foi um grande poeta, faleceu aos 64 anos por insuficiência cardíaca.
   Alguns de seus poemas são - 
 
A MEU FILHO
Recorro a ti para não separar-me
deste chão de sargaços mas de flores,
onde há bichos que amaste e mais os frutos
que com tuas mãos plantavas e colhias.
 
Por essas mãos te peço que me ajudes
e que afastes de mim com os dentes alvos
do teu riso contido mas presente
a tentação da morte voluntária.
 
Não deixes, filho meu, que a dor de amar-te
me tire o gosto do terreno barro
e a coragem dos lúcidos deveres.
 
Que estas árvores guardam, no céu puro,
entre rastros de estrelas, a lembrança
dos teus humanos olhos deslumbrados.
                                                                           
(Cantiga incompleta, 1971.)
 
 
ILHÉU
Nasci numa ilha.
Era meu destino.
Numa ilha vivo
desde pequenino,
a estender os braços
pelo mundo todo
em busca de traços
que à terra me liguem.
Quero o continente!
Não me deixem só,
não me quero ausente.
 
Ninguém me compreende
esta busca ansiosa:
tenho o mar comigo,
quero ainda a rosa.
Joguem fora a âncora!
Pois o amor que achei,
meu anel de amigos
e a casa do rei
trazem sede e fome
de mais terra e céu.
Por Deus compreendam
quanto sou ilhéu!
 
Careço de afetos
em roda de mim.
Foi sorte ou desgraça,
numa ilha vim.
 
Tempo de enxurrada
nessa ilha nasci,
como a água que corre
sou daqui, dali.
Por Deus me acarinhem
que nasci na ilha,
num mês de enxurrada,
mês de água andarilha,
sobrados e terra
porém terra pouca,
lavado azulejo
sob uma água rouca.
Meu amor me abraça
porque sou ilhéu
ando só - na areia
entre águas e céu.
                                                                    
    (Boca da noite, 1979.)
 
PAZ DE AMOR
Calemos esta paz como um segredo
de amor feliz. Não seja este silêncio
ponto final em nosso terno enredo:
não nos encerre o amor, antes condense-o.
 
Olhemo-nos nos olhos face a face.
sem recuar surpresos como o amigo
que de repente no outro deparasse
apenas o lembrar do tempo antigo.
 
Não. Sempre em nós renascerão searas.
novas chuvas trarão nova colheita.
folhas novas, translúcidas e raras.
 
E brotará da tua mão direita
água súbita e casta do rochedo
um novo amor, que vença a morte e o medo.
                                                                                 
  (Boca da noite, 1979.)
 
SONETO DA TARDE
Não digo que o sol pare, nem suplico
que teu cabelo não se faça branco.
Nos segredos serenos que fabrico
vive um pouco de mago e saltimbanco,
 
mas te desejo simples, natural,
e que o dia na tarde amadureça.
Venceste muita noite e temporal.
Confia em que outra vez ainda amanheça.
 
O teu reino da infância sempre aberto
guarda o campo e os brinquedos infinitos
nas cores puras, sob o céu coberto.
 
Nos cajueiros, os pássaros... Os gritos
infantis... Mas a ronda neles nasce
e embranquece o cabelo em tua face.
                                                                                
  (Boca da noite, 1979.)
 
 

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