29/07/2019 às 09h55min - Atualizada em 29/07/2019 às 09h55min

Ética e Vergonha na Cara

Escrito por Clóvis de Barros filho e Mario Sérgio Cortella o livro apresenta texto em forma de diálogo

Jéssica Viturino
Internet/Divulgação

O livro Ética e Vergonha na Cara é escrito pelos autores, Clóvis de Barros filho e Mario Sérgio Cortella, e apresenta uma estrutura textual no formato de  diálogos entre eles. 

 

Durante a leitura do livro, podemos observar as formas como eles tentam passar as questões éticas ao leitor, com uma fácil compreensão, ressaltando as questões que encontramos no dia-a-dia e que nos levam a refletir sobre algumas questões de convivência e sobre nossas escolhas.

 

Mario Sérgio Cortella é um filósofo, escritor, educador, palestrante, professor universitário brasileiro e um dos pensadores contemporâneos mais celebrados do Brasil. Muito conhecido por sua capacidade em transformar ideias filosóficas em coisas simples. 

 

Já Clóvis é professor, Doutor e Livre-Docente pela Escola de Comunicações e Artes da USP, ele ensina com ênfase, argumenta às vezes com fúria, faz rir com inteligência, o que é um modo exuberante de refletir sobre decência, vergonha e conduta.

 

Podemos observar no nosso cotidiano que a sociedade desacredita muitas vezes da justiça, pois sabemos que as pessoas estão cansadas de acordar cedo ir trabalhar e chegar tarde em casa, em meio a tantas dificuldades que existem no meio do caminho, os transtornos que passam nos ônibus ou nos metrôs sem comodidade nenhuma e ainda ver a violência a cada dia aumentando, e observar muitas vezes as impunidades, o que faz o indivíduo duvidar da justiça e da honestidade. 

 

Porém apesar de todos os obstáculos que enfrentamos devemos sempre refletir sobre as questões de nossas escolhas.

 

Analisando um exemplo no livro, é notório a surpresa de um jornalista por causa da atitude de um competidor de corrida de cross- crountry. Onde um competidor espanhol ao invés de se aproveitar da situação do seu concorrente Aqueniano, distraído e confuso pela situação, o espanhol simplesmente o empurrou  para a linha de chegada, ajudando seu adversário vencer. E ele, diz ao jornalista que não teria mérito algum se deixasse o seu concorrente perder, e concluiu: “Se eu ganhasse desse jeito, o que ia falar para a minha mãe?". 

 

Como a mãe é matriz da vida, fonte de vida, ela é a última pessoa que se quer envergonhar. Não há nada mais vergonhoso do que uma pessoa fugir ou praticar uma atitude indigna diante de alguém que ela ama. Clóvis vai dizer que todo comportamento humano pode ser avaliado a partir de uma reflexão ética.

 

Temos um exemplo interessante, vamos pensar, se pegarmos o formigueiro, vemos que as formigas convivem regidas com a natureza da formiga, não ao que fazer, é uma convivência curiosa, pois quase todas as formigas trabalham o dia inteiro e duas ou três não fazem nada e ficam com tudo, mas essa forma de viver é da natureza da formiga. 

 

No nosso caso não somos regidos complemente pela nossa natureza, os nossos papéis sociais são definidos pela nossa a inteligência, a nossa capacidade de argumentação, tudo pode ser diferente do que é, e por isso, as coisas podem ser melhores do que são. A ética é a busca do aperfeiçoamento da convivência, mas para isso tem que haver formação, não basta o medo da repressão, a certeza de ser punido. 

 

Clóvis, retrata, algo muito interessante que são as conquistas das metas, a perseguição para se obter os resultados. Ir sempre ao alcance das cenouras, você entra numa empresa  e está no nível G15 não tem lugar nem para a bicicleta no estacionamento! Enquanto você não conquista o G14 será sempre insignificante. E assim vai aparecer uma nova meta, novas cenouras e sempre o indivíduo vai viver  nessa luta de sempre ter o objetivo de conquistar uma cenoura.

 

Desde a escola até a vida no trabalho, não somos preparados para a alegria. Um exemplo disso é aquela frase "sair da zona de conforto" que os profissionais de recursos humanos gostam de recomendar. Não é aceito um momento de alegria em hipótese alguma. De alguma maneira, seja no ambiente escolar, seja na família, a ênfase no resultado, essa ideia de um  pulsão que é de vitória a qualquer custo.

 

Podemos ver durante a leitura, que no percurso da vida somos obrigados a fazer escolhas, uma vez feita, fica sempre a impressão de equívoco, fazendo com que nossa vida seja permanentemente acompanhada por um sentimento de angústia que é próprio de quem é livre, sabe que é livre e sabe que tem que exercer essa perspectiva de escolha.

 

Cortella, ressalta que a corrupção é uma das formas mais agressivas de comportamento porque está no campo público e no campo privado, sendo, portanto, algo da esfera da vida. Hoje na sociedade contemporânea ela é entendida como comum; portanto é um critério de frequência. Quando é natural, não há o que fazer.

 

O livro é consistente, tem discussões que contribuem para o entendimento da ética em nossa sociedade. Ele se faz necessário no contexto político em que vivemos, aborda a estrutura de outros países em relação ao Brasil, e como é tratada a corrupção. Porém, deixou a desejar em novos pontos de vista, pois os dois teóricos concordavam em tudo.


Editado por Bruna Santos
 

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