29/07/2019 às 12h01min - Atualizada em 29/07/2019 às 12h01min

A pressão de um vestibular e o apoio familiar

A família pode ser um fator decisivo para a prevenção de problemas mentais na fase de pré-vestibulares

Beatriz Evaristo
Foto: Beatriz Evaristo
Desde o mês de abril diversas universidades abriram inscrições para o “vestibular meio de ano”, um processo seletivo idêntico aos realizados no final do ano, que visa classificar os candidatos para ingressarem nas mesmas. Nos últimos anos também ocorreu o Sistema de Seleção Unificada (SISU) no meio do ano, como uma forma de aumentar o número de ingressantes nas universidades federais, mesmo sendo mais contido o número de vagas e de cursos disponíveis.
Passar em um vestibular ou conseguir uma posição boa no SISU são estigmas que a sociedade impõe aos jovens, aqueles que não conseguem, são vistos como incapazes, sendo assim, não terão profissões “dignas”. Mas essa tarefa não é a mais fácil do mundo, ainda mais quando se trata de alunos da rede pública, estes, de longe, são os mais afetados.

A diferença entre o ensino privado e público é descomunal, dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram que 65% das escolas que participam do ENEM são de classe média-alta, alta ou muito alta.
Nas instituições de ensino e nos cursinhos pré-vestibulares, privados ou públicos, a pressão que o aluno sofre por ter que se esforçar a todo custo para que consiga passar em uma boa universidade é expressivo, na grande maioria dos casos, essa pressão não se torna uma ajuda, mas sim um fator decisivo para o desenvolvimento de problemas mentais, como depressão e ansiedade.

Bárbara Pansardi,19, concluiu o ensino médio em 2017 e atualmente está a mais de um ano e meio tentando ingressar na universidade, seu sonho é cursar ciências biológicas na Universidade Estadual Paulista (Unesp). Ao longo do ano de 2017 Bárbara resolveu dobrar sua jornada de estudo se preparando para os vestibulares e ENEM. No período da manhã frequentava as aulas do terceiro ano do ensino médio e no período da tarde, as aulas do cursinho pré-vestibular, ofertadas gratuitamente pela Unesp no campus de Jaboticabal, cidade onde reside. Ela conta que essa decisão foi tomada pois sabia que não estava equiparada em relação os seus “concorrentes” das escolas privadas. “Minha maior dificuldade foi exatamente o ensino da minha escola, já que comparando com o ensino privado e ao conteúdo que os vestibulares pediam, foi extremamente básico” conta Bárbara.

O ponto em comum entre esses estudantes, além do sonho de fazer uma boa faculdade, é ter a pressão de que tem a obrigação de passar nessas provas, ela já está pré-estabelecida desde o início do ensino médio. Essa pressão piora quando o resultado não é aprovação, é nesse momento que o estudante busca apoio nas pessoas próximas a ele.



A família
Ter um alicerce para se manter durante essa fase da vida é essencial para qualquer estudante, seja para aqueles que são aprovados ou não. Eles buscam apoio em todas as pessoas que estão próximas a eles, como professores, amigos e, essencialmente, familiares. O apoio da família é de extrema importância para que os estudantes se sintam confortáveis. Segundo Bárbara, quando ela estava no último ano do ensino médio sentia uma pressão gigantesca e sentiu a necessidade de ter um apoio. Ela conta ainda, que buscou a ajuda dos pais, eles nunca a negaram apoio, estavam presentes incentivando e ajudando no que ela precisasse.

De acordo com Cristiane Pansardi, 49, ser o apoio dos filhos nessa fase, faz com que ela entenda o sentido de ser mãe. “Quando a Bárbara não passou na primeira vez que fez ENEM eu vi que ela não estava bem. Durante a semana de resultados ficou tão ansiosa e quando percebeu que não ia dar, acho que ficou chateada consigo mesma. Mas estive com ela, incentivei, apoiei, forneci os recursos que podia e principalmente, falei para ela nunca desistir.”

Não ter o apoio familiar pode gerar vulnerabilidade no jovem, fazendo com que desenvolva diversos problemas psicológicos, como foi o caso da Gabriela Silva, 22, “meus pais nunca me apoiaram em relação ao curso que queria fazer, me obrigando a fazer os cursos de prestígio, como medicina. Me colocaram nas escolas mais caras e me faziam estudar muito para conseguir isso. Felizmente, após diversas brigas, eles perceberam que não estavam fazendo o certo, cederam e hoje curso música na UFU.”

A família é um fator decisivo para seus filhos, especialmente nessa fase, quando até eles duvidam da própria capacidade. Apoia-los é mostrar que está presente e que eles podem tudo. 
 

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