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01/06/2024 às 13h00min - Atualizada em 01/06/2024 às 12h52min

Dia mundial contra o tabagismo

José Castro - labdicasjornalismo.com
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Dia mundial contra o tabagismo

  No dia 31 de maio é comemorado o dia contra o tabagismo, a data foi criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1987, para alertar sobre doenças e perigos do tabaco. Essa substancia mata mais de 8 milhões de pessoas por ano, no mundo todo. Segundo estudos científicos, publicados este ano, mostram que os fumantes têm maior risco de desenvolver doença grave e morte por COVID-19 do que não-fumantes.


E, quando falamos em Brasil, os números são bastantes preocupantes. Uma pesquisa revelou o perfil do câncer de pulmão no Brasil. Os dados mostram que a maioria dos brasileiros desconhece a gravidade da doença, apenas 15% citaram a severidade da doença, antes 24% do total na América Latina. 


Outro dado alarmante é a quantidade de cigarros que os brasileiros fumam por dia, 39% fumam 11 ou mais cigarros por dia, (acima da média de 27% da América Latina), sendo que 17% fumam todos, os 25% fumam ao menos três vezes por semana. O tabagismo (ativo ou passivo) está ligado a 80% dos casos da doença. 


A pesquisa mostrou que 28% dos brasileiros fumam cigarro, abaixo da média de 38% da América Latina, mas fumam mais. Ou seja, não é o país com maior incidência de fumantes, mas tem a maior porcentagem de pessoas que fumam mais de 11 cigarros por dia.


De acordo com Instituto Nacional do Câncer (INCA), 9,51% da população fuma, o que caracteriza uma em quase dez pessoas. Mas, vale lembrar, que o país foi reconhecido pela OMS como um exemplo no combate ao fumo, com atitudes ao longo dos anos. Com várias campanhas de prevenção e combate tanto para o público em geral, como principalmente com o público jovem, que é o mais prejudicado por seu corpo ainda estar em formação. 


Em 2021, durante a pandemia, o número de fumantes no Brasil era de menos de 10%, entre os homens chegava a 11,8%. E entre as mulheres era de 6,7%. O que representa 9% da população brasileira. Já nos números mais atualizados, de 2023, apontam aumento tanto entre os homens, como entre as mulheres. Entre os homens a porcentagem é de 15,9%, e entre as mulheres 9,6%. 


E, segundo pesquisadores, o uso do cigarro convencional ou de eletrônicos, quadriplica as chances de infarto. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), o uso habitual de cigarros eletrônicos aumenta em até duas vezes mais o risco de alguém sofrer um infarto em comparação aos não fumantes. O consumo de nicotina, seja qual for, está associado ao aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial.  


Vamos conversar com a médica Gabriella Fadel, especializada em pneumologista, e que já tem quase quinze anos de carreira.


Doutora, sabemos que o cigarro é extremamente prejudicial a saúde, mas o número de fumantes no Brasil ainda é grande. A senhora acha que se as pessoas tivessem mais informações do que já são disponibilizadas, as pessoas largariam o hábito de fumar ou nem iniciariam?  


Bom, o número de fumantes caiu bastante durante os anos no Brasil, em relação aos anos 80 e 90. Mas,  se tiramos os últimos dez anos, teve um crescimento bastante significativo. Mesmo com campanhas educativas, e com a proibição de propagandas de cigarro. Os números de novos fumantes aumentou, justamente porque essa geração não passou por coisas que a geração anterior passou. Vendo parentes morrendo de câncer de pulmão, alto numero de pessoas com problemas respiratórios, etc. 


E, segundo a OMS chegou à 24 milhões o número de fumantes entre pessoas de 15 a 22 anos, no Brasil. Porque cada vez mais cedo os adolescentes e jovens estão indo a festas, bares e ambientes que propiciam o contato com o cigarro. 


Em relação à informação, quanto mais melhor, até porque acredito que hoje, um jovem tem muito acesso a informação com a internet. Mas claro que reforçar é importante, e pode ser uma ferramenta para combater tanto novos fumantes, como ajudar fumantes a pararem. 


Agora, só educar não basta, tem que, também, tomar atitudes em relação a proibição e prevenções. Como, por exemplo, no caso dos adolescentes, que são proibidos de fumar e consumir bebida alcoólica. Já as bebidas alcoólicas, a supervisão é maior, mas com o tabaco não. Porque é fácil você ver principalmente em bairros mais carentes, crianças, que nem chegaram a adolescência propriamente, já fumando e a maioria das pessoas tomam isso como algo comum. E aí precisamos de todos junto para combater isso, é onde entra o papel da polícia de fiscalizar e punir os responsáveis por fornecer ou vender cigarro a menores de idade. 


Doutora do que são feitos os cigarros, pra fazer tão mal à saúde ?  


Os três elementos básicos do cigarro, são o tabaco, papel e o filtro. Mas nem todos os produtores utilizam só o tabaco na sua composição, os cigarros mais baratos, são produzidos de forma nada higiênica, com materiais, como, papel jornal, fragmentos metálicos, algodão, e até restos de insetos. 


Vale lembrar que esses cigarros não tem licença para fabricação, e para serem comercializados. Mas por conta do seu baixo custo de produção, eles são bastante vendidos. É vendido por até três reais o maço, e revendido por centavos a unidade, em banquinhas de bombom, e por ambulantes.  


Falando sobre adolescentes e jovens, o que está na moda com essa faixa etária são os cigarros eletrônicos, mais conhecido como vapes ou prideved. Quais os perigos de se usar um produto desse ? 


É, esse produto já existe há um bom tempo nos Estados Unidos, mas chegou ao Brasil, há cerca de seis anos, lá pelo fim de 2017 e começo de 2018. Com um discurso de ser mais saudável, e de ajudar a parar de fumar, o que pra mim é uma grande falácia, inclusive tem um documentário muito bom na Netflix sobre essa indústria, chamada Big Vape. Que justamente fala de uma marca que impulsionou a venda de cigarros eletrônicos e tornou o produto popular e mais acessível, principalmente para o público mais novo. 


Quando chegou ao nosso país, demorou muito para tomar uma atitude sobre isso, tanto na questão de saúde pública, como na econômica. Porque os produtos chegavam sem pagar nenhum tipo de tributo, e qualquer pessoa podia vender e até criar lojas oline e físicas, só vendendo esses dispositivos. 


Mas assim que começaram os casos de pessoas parando na UTI por causa de fumar vape, surgiu um movimento de regulamentar a veda primeiramente e depois a proibição totalmente. Lembro que pessoas famosas, como cantores e pessoas da mídia tiveram problemas respiratórios após o uso constante de vape, então eles passaram conscientizar as pessoas para não fumarem os cigarros. 


A utilização de cigarros eletrônicos faz tão mal igual ao cigarro convencional, e os principais riscos, é o surgimento de câncer, doenças respiratórias, e também cardiovasculares, como, infarto, hipertensão, e até morte súbita. Porque, vale lembrar, que o corpo de cada pessoa reage de um modo diferente com o uso de uma substância, então esses sintomas podem aparecer com um longo uso do dispositivo ou com apenas uma semana de uso.  


E os principais sintomas são tosse, dor torácica, dor abdominal, náuseas, vomito constante, diarreia, febre, calafrios, e perda de peso. 


Outro fator que chama a atenção são os aromas desses cigarros, com sabor de frutas e comidas.


A senhora acredita que isso é mais uma ferramenta pra atrair os consumidores ? 


Com certeza, a indústria do cigarro convencional já utilizava desse artifício de colocar aromas de menta e outros sabores refrescantes. E a indústria dos vapes fez a mesma coisa, mas explorando mais sabores, como de chocolate, abacaxi, laranja, e até de comidas, como torta de maça. Tudo isso para atrair mais consumidores, e explorar tanto o publico mais jovem, como o publico que queria parar de fumar. Porque com esses sabores o habito de fumar ficava mais "gostoso", e incomodava menos as pessoas não fumantes, por não possui aquele cheiro ruim dos cigarros de tabaco. 


E, isso fez o número de fumantes de vapes crescer rapidamente, e o aroma também pode ser prejudicial. Porque quando os vasos sanguíneos são expostos a aromatizantes, há um aumento na inflamação e uma diminuição das substancias químicas normalmente liberadas para promover o fluxo do sangue. O que gera toxidade a curto prazo, e resulta em problemas sérios de saúde. 


Nessa segunda parte, falamos com o estudante de jornalismo Jonas Silva, usuário de cigarro.


Como você começou a fumar e por quê?


Eu comecei a fumar cedo, podemos dizer, foi aos dezesseis anos, por questão de se incluir no meio da roda de amigos. Andava com uma galera que sempre saímos juntos, pra dar um rolê em praças, festas, casa de amigos e sempre tinha alguém fumando e sempre me ofereciam. E eu sempre neguei, mas ficava me oferecendo e colocando até um certa pressão, mas claro que ninguém colocou uma arma na minha cabeça, eu comecei a fumar por que eu quiz, mas teve essa influência. 


Lembro que dia de sábado, nós íamos pra praça da basílica e ficávamos a tarde e a noite lá, conversando, andando de skate, e fumando, parando pra pensar, agora, não parece uma coisa legal, fumar em frente a uma igreja. Ainda mais pra mim que sou de família católica, mas naquela época nem pensava sobre isso. 


E mesmo sabendo dos riscos de fumar, por que você continua com esse hábito ?


Hoje pra mim o cigarro é mais como um relaxante, algo que uso pra desinteressar, e mesmo sabendo dos prejuízos a saúde, não me vejo parando de fumar, pelo menos em curto prazo. Mas,  hoje, mesmo fumando, tento tento ter uma vida mais ativa fisicamente, faço musculação há dois anos, e corro na rua uma vez na semana. 


Tive esse toque de mudar em questão à atividade física depois que percebi que ficava cansado com facilidade, quando subia uma escada, corria pra pegar um ônibus. E principalmente quando passei mal quando jogando futebol com meus amigos, minha vista ficou turva e a minha audição diminuiu, e eu só tinha jogado cinco minutos. Fui ao médico, e ele falou que era falta por falta de atividade física, excesso de comida gordurosa, álcool e cigarro. Aí dei uma manerada na cerveja e comecei a fumar menos, passei a fumar um dia sim ou não, antes fumava até três por dia, e sabe lá quantos quando ia pra festa. 


Já experimentou vape ou você só fica no tabaco ?   


Já experimentei sim, me falaram que ajuda a parar de fumar, mas eu não curti, não é a mesma coisa. Os efeitos do cigarro normal é diferente pra mim pelo menos, o eletrônico não da a mesma vibe e sensação.


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