05/08/2019 às 10h08min - Atualizada em 05/08/2019 às 10h08min

Perigo nas alturas

No Brasil existem 36 Normas Regulatórias, as chamadas (NR’s), definidas pelo Ministério do Trabalho

Ronerson Pinheiro - Edição: Lavínia Carvalho
Foto/Reprodução: Sinduscon
É difícil andar por uma rua e não ver nenhuma obra, principalmente com operários no topo de prédios, em andaimes ou pendurados em cordas. O setor da construção civil emprega milhares de pessoas em todo o país e é a atividade que mais gera oportunidades de trabalho, entretanto o perigo da profissão é constante. Paulo Roberto, 23, trabalha na construção de um prédio da zona oeste de Belo Horizonte e relata os perigos vivenciados diariamente. “A gente trabalha de sol a sol e vive os perigos dessa profissão árdua. Usamos capacete e os outros equipamentos de proteção individual, mas vivemos nessa corda bamba de nos acidentarmos todos os dias”, conta.

No vai e vem para cumprir o prazo de entrega os perigos como a falta de segurança podem estar escondidos mesmo com modernos equipamentos de proteção individual. “Nas atividades relacionadas a Construção Civil existe um conjunto de regras, requisitos e instruções relativas à segurança do trabalho. No Brasil existem 36 Normas Regulatórias as chamadas (NR’s) definidas pelo Ministério do Trabalho (MT), e grande parte delas refere-se as atividades relacionadas às empresas de construção civil. “Essas normas são requisitos legais a qual o operador deve seguir e caso contrário, a obra pode ser multada e até interditada”, explica o Técnico em Segurança do Trabalho, Francis Amorim.

Quem trabalha no ramo da Construção Civil muitas vezes exerce atividades que são consideradas insalubres e até perigosas, o que em sua grande maioria, gera um adicional no salário do colaborador. Francis, explica os aspectos importantes sobre a insalubridade. “Primeiro passo é saber diferenciar insalubridade e periculosidade. A insalubridade é paga ao trabalhador que exerce sua atividade em ambiente nocivo à saúde como doenças a médio e longo prazo. Já a periculosidade é paga ao trabalhador que exerce sua atividade em ambiente nocivo à vida com risco de morte imediata”, esclarece.
 
Construção Civil em números
Segundo o Ministério da Previdência Social, em 2017 foram registrados 549.405 casos de acidentes de trabalho no Brasil. Separados por atividade econômica o número de registros na construção civil foi de 7.428. Já o número de Comunicados por Acidente de Trabalho (CAT) emitidas em 2017 ultrapassa 2.700 registros. De acordo com dados do Boletim Estatístico da Previdência Social (BEPS) no primeiro trimestre de 2019 a média de auxílio-doença pago a trabalhadores urbanos foi R$ 820,98. Já para a população rural o valor foi de R$ 501,78. Se comparado com o mesmo período do ano passado a média de valor pago foi de R$ 811,51 para a população urbana e de R$ 485,48 para população rural.

Sindicato alerta
De acordo com secretário do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias e Administração da Construção em Edificações (STIC-BH), Flávio Moreira, para evitar irregularidades e acidentes em obras a empresa deve capacitar os operários. “Muitas das vezes o trabalhador chega na obra e ele não conhece o ambiente. O treinamento é importante para que ele tenha conhecimento do seu local de trabalho e com o que ele vai trabalhar”, explica.

Ações entre o trabalhador e empresa
Em caso de acidente de trabalho, após prestado os atendimentos necessários, o trabalhador só pode retornar as atividades depois de receber alta em caso de lesões leves ou pequenas escoriações. Em casos graves o trabalhador deve-se atentar. “Se ocorrer um acidente de trabalho com licença por um longo período, é dever da empresa cobrir com os primeiros quinze dias de afastamento. Após este período, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), deve arcar com os gastos com o auxílio doença ao funcionário contribuinte”, alerta, Francis Amorim.

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