20/08/2019 às 13h03min - Atualizada em 16/09/2019 às 22h22min

Mulheres latinas marcham contra políticas do governo Bolsonaro

Mais do que resistência, mulheres lutam por condições de existência

Isabela Vilela - Editado por Camilla Soares e Renato Fragoso
(Foto: Andressa Zumpano via Midia Ninja/Cobertura Colaborativa)

(Foto: Andressa Zumpano via Midia Ninja/Cobertura Colaborativa)

(Foto: Andressa Zumpano via Midia Ninja/Cobertura Colaborativa)

(Foto: Andressa Zumpano via Midia Ninja/Cobertura Colaborativa)

Apossadas do espírito de luta e garra que deu origem ao movimento, 100 mil mulheres marcharam na capital federal nos dias 13 e 14 de agosto. A Marcha das Margaridas, maior movimento de trabalhadoras rurais da América Latina, chega a sua 6ª Edição em meio a um governo definido, por grandes nomes da política mundial, como machista, misógino e racista.

Com o lema “Margaridas na Luta por um Brasil com Soberania Popular, Democracia, Justiça, Igualdade e Livre de Violência “, o movimento, que acontece a cada 4 anos desde os anos 2000, contou com a participação de mulheres trabalhadoras do campo, das águas e das florestas, além de ribeirinhas, quilombolas e sem-terra, não só brasileiras, mas de vários países da América Latina. 
Em 2019, a marcha expandiu sua luta e passou a não só negociar reinvindicações com o governo, como acontecia nos anos anteriores, mas também pressionar e posicionar-se publicamente contra decisões tomadas pelo  Executivo. 

Além do símbolo de simplicidade e feminilidade da flor que nomeia o movimento, margarida é uma homenagem a Margarida Maria Alves, ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, assassinada em 1983 em Alagoa Grande, cidade do interior da Paraíba, a mando de latifundiários da região que contestavam sua luta por condições dignas de trabalho no campo e fim da violência rural. Desde de 2003, ano do primeiro ato em Brasília, a Marcha das Margaridas passou de 30 para 100 mil mulheres participantes.
 

EVARISTO SA VIA GETTY IMAGES

EVARISTO SA VIA GETTY IMAGES

(Foto: Evaristo Sa via Getty Images)

Este ano, as Margaridas tiveram apoio de outro importante movimento feminista nacional, a 1ª marcha das mulheres indígenas. Organizado após as polêmicas falas do presidente Jair Bolsonaro sobre o desmatamento na Amazônia e demarcação de terras indígenas, cerca de 3 mil mulheres protestaram sob o lema “Território: nosso corpo, nosso espirito”. Segundo elas, as falas e medidas do governo estendem-se ao sentido propriamente dito de terra e território, abarcando também o sentido do corpo indígena e de seu protagonismo cultural. 
 
A marcha, com duração de 5 dias, contou com a participação de 115 povos de quase 300 etnias que debatem sobre temas da saúde e educação. “A nossa resistência, ela sobrevive porque estamos vivas, nós somos a resistência”, diz Telma Taurepang, coordenadora da União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira (UMIAB), em entrevista ao Cimi (Conselho Indigenista Missionário). Na manhã da quarta-feira (14), ambos os movimentos se uniram e caminharam até a Esplanada dos Ministérios, onde participaram, posteriormente, de uma sessão solene na Câmara dos Deputados, em prol das duas marchas. 
 
Os movimentos marcam o posicionamento das mulheres frente às atuais falas do presidente Jair Bolsonaro, que enfrentou controvérsias durante a aprovação do texto base da Reforma da Previdência. Segundo o texto, o tempo de serviço para trabalhadores do campo é equiparado a ambos os sexos, o que não ocorre para trabalhadores urbanos. Em entrevista ao jornal Brasil de Fato, Mazé Morais, coordenadora da marcha e participante desde os 16 anos, a reforma da Previdência é a prova clara das desigualdades de gênero no país. O texto, aprovado na Câmara dos Deputados, define idade mínima para aposentadoria de 60 anos para trabalhadores rurais de ambos os sexos e com no mínimo 20 anos de contribuição.
 
Em julho deste ano, o Chefe do Executivo afirmou que não demarcará terras indígenas e que fará consulta pública sobre a extração mineral em território amazônico. Além disso, no inicio do mês de agosto, o presidente exonerou o diretor do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Ricardo Galvão, após a divulgação de dados sobre o aumento no desmatamento da floresta Amazônica, principal refúgio indígena no país. A demarcação de terras, hoje feita pela FUNAI (Fundação Nacional do Índio) é a garantia de proteção territorial, cultural e física da população indígena contra a crescente expansão latifundiária da fronteira agrícola no país. 
 

Andressa Zumpano/CPT

Andressa Zumpano/CPT

(Foto: Andressa Zumpano/CPT)


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