02/09/2019 às 23h58min - Atualizada em 02/09/2019 às 23h58min

Resenha do filme Simonal

Biografia do cantor que teve sua história marcada por traições e mentiras

Maria Clara Monteiro - Editado por Letícia Agata
Reprodução/Internet
Wilson Simonal teve sua história contada, recentemente, em uma cinebiografia. O diretor, Leonardo Domingues, já havia produzido o documentário "Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei", em 2008. Fabrício Boliveira interpreta o grande cantor e tem como par romântico Isis Valverde, que dá vida à Tereza Pugliesi.

Wilson revolucionou os palcos, a música brasileira e o seu jeito de vida. O filme abordou o início da sua carreira no grupo dos "Dry Boys" e o dia em que cantaram para o grande produtor, Carlos Imperial. O seu swing chamou a atenção de Imperial e logo foi contratado para ser seu assistente, mas o futuro de Simona não era por aí.

Logo, começou a se apresentar em pequenos bares da cidade e, assim, conheceu a futura esposa, Tereza Pugliesi. Teve a sua marca adquirida de acordo com as alterações nas músicas que ia fazendo. Modificou a música "Terezinha" e a deixou com sua identidade: alegria e swing.

Tereza e Simonal, representados no filme por Isis Valverde e Fabrício Boliveira. (Foto: Reprodução/Internet)

A partir daí, o sucesso no rádio só resultou em bons frutos. A grande influência do Beco das Garrafas deu na consagração de sua profissão e era perceptível o quanto as pessoas o veneravam. Em um certo show, Simonal animou a platéia para que cantassem o refrão de "Meu limão, meu limoeiro". Ele saiu do palco para beber uma dose e quando voltou, o público entoava o seu sucesso. Onde ele havia chegado, era motivo para orgulho, como ele mesmo demonstrava.


Simona entoando um de seus sucessos. (Foto: Reprodução/Internet)

Porém, o sucesso subiu à sua cabeça. A arrogância fez-se presente em sua vida pessoal e profissional. Infiel com sua esposa, acreditava que, naquele momento, era o rei do Brasil e, por isso, nada o abalaria. Por inocência ou ignorância, não percebeu o que acontecia diante de seus olhos. No seu discurso afirmava que "não era de esquerda, nem de direita, mas, sim, direto". Mas isso não foi o suficiente quando cantou "Tributo a Martin Luther King". O regime militar não entendeu essa admiração pelo estadunidense e Wilson não foi bem visto.

Paralelamente, gravou o grande sucesso "Paraíso Tropical", de Jorge Ben Jor, e o talento musical o levou à soberba. Na sua empresa, Simonal Produções Artísticas, a contabilidade deu o sinal negativo. Por isso, entrou em contato com o DOPS para verificar a história que o seu contador dizia. Algumas torturas foram feitas com ele e, ao voltar pra casa, denunciou o caso à imprensa. O cantor, que já não estava com a sua visibilidade em alta, foi acusado de sequestro. Foi preso, mas logo aguardou o julgamento em liberdade.

Aliado a isso, corria o boato de que Simonal estava dedurando os colegas que eram contra o regime militar, como Caetano Veloso e Gilberto Gil. O respeito e admiração que conquistou, estavam se perdendo entre os seus dedos. Não conseguia fazer shows com o mesmo prestígio e foi obrigado a viver em "exílio dentro do próprio país", como afirmava.

Wilson Simonal teve uma carreira brilhante que foi destruída por orgulho e mentiras. Todo o elenco trabalhou de forma encantadora e foram responsáveis em reproduzir as cenas com louvor. O figurino e arquivos da época fizeram o espectador viajar em um túnel do tempo e reviver suas memórias, já não tão velhas.
 
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