06/09/2019 às 20h39min - Atualizada em 06/09/2019 às 20h39min

Como escrever um bom texto

Resenha do livro A Arte de Escrever Bem de Dad Squarisi e Arlete Salvador

Yorrana Maia - Editado por Millena Brito


“Escrever está na moda”, é assim que começa o livro de Dad Squarisi e Arlete Salvador, A Arte de Escrever Bem. A escrita foi ressuscitada pelos meios de comunicação digital e, segundo as autoras, nunca se precisou tanto da escrita quanto agora. Seja em mensagens eletrônicas, redações de vestibulares ou em matérias de jornais. Mas a forma de escrever também mudou. A comunicação se tornou mais concisa e objetiva na medida em que ganhou rapidez. Assim, as autoras se propuseram a “ajudar estudantes a escrever bem” nesse novo contexto da imprensa.

O livro foi publicado pela primeira vez em 2004, no entanto os problemas enfrentados pelas redações dos jornais e revistas atuais não se diferenciam muito dos problemas há 15 anos. Como colocar toda a informação da apuração da matéria em um espaço limitado pela diagramação é um dos problemas. Como escrever essa matéria de uma forma atrativa ao leitor, sem nenhum erro de português, com criatividade, e dentro do deadline, são outros. É com esse contexto que o livro se inicia.

Ele é divido em quatro principais capítulos, encadeados como um percurso de aprendizado sobre como escrever melhor. No primeiro, é tratada a questão de como começar o texto. “O texto passa a existir muito antes de tomar corpo na tela”, começa pelo pensamento ordenado e lógico do redator. Logo, Dad e Arlete sugerem um “plano de voo”, um roteiro para chegar a um texto informativo sucinto e direto (característico do texto jornalístico).

Em seguida, tratam do lead mais utilizado pelos jornalista, a pirâmide invertida. Com exemplos de leads publicados em diferentes jornais brasileiros, as duas escritoras explicam essa técnica jornalística de colocar no primeiro parágrafo todas as informações relevantes. Mas, as duas, ao final do capítulo, mostram que os textos jornalísticos não são sempre técnicos e que a pirâmide invertida é contestada pelo Novo Jornalismo, tendência de fugir da estrutura clássica de texto factual, acrescentando elementos literários.
Já no segundo capítulo, como escrever o texto se torna o foco. Cada subcapítulo aborda uma dica diferente sobre como melhorar o texto. Dar passagens a frases e palavras curtas; por sentenças na forma positiva e na voz ativa; escolher o termo específico para cada situação; restringir o uso de adjetivos; entre outras dicas. Todo o capítulo, enfim, pode ser resumido em uma ideia central: para escrever bem é preciso clareza. De nada adianta utilizar uma palavra rebuscada ou sentenças extensas para se sentir inteligente. “O jornalista, como o empresário, o advogado, o economista, escreve de olho no destinatário.”

A matéria do jornal é destinada aos leitores do jornal, que possuem vários níveis de escolaridade, diferentes profissões e faixa etária. O repórter deve se fazer entender por todos. Esse é o desafio dos profissionais do texto. O leitor deve ter a impressão, ao ler uma reportagem, de que o texto foi escrito para ele. E para alcançar esse patamar, o jornalista só precisa de três coisas: “linguagem clara, informações precisas e estilo atraente”.

O terceiro capítulo do livro explica os diferentes gêneros jornalísticos, expondo exemplos e particularidades de cada um. Desde a notícia à artigos de opinião e editoriais. Por fim, o quarto e último capítulo expõe as observações finais das autoras. A utilização ética das palavras, longe de qualquer preconceito ou injúria ao outro; o estrangeirismo presente na língua portuguesa; a utilização comum de pleonasmos na fala e na escrita; entre outras coisas.

Em apenas105 páginas, A Arte de Escrever Bem elucida várias técnicas e dicas para aprimorar o hábito milenar de escrever. O livro é um guia ao aluno e recém formado em jornalismo pelo árduo caminho de escrever um bom texto. 

 

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