23/09/2019 às 14h22min - Atualizada em 23/09/2019 às 14h22min

O futuro do melhoramento genético animal

Seleção genômica marcou um importante passo no desenvolvimento da pecuária

Lavínia Carvalho
Assessoria Agropecuária

O futuro do melhoramento genético nunca esteve tão presente. A seleção genômica, que ainda é uma novidade na região do Triângulo Mineiro, teve seus primeiros experimentos realizados em Uberaba, há apenas dois anos, por meio do Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos (PMGZ), da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ). Segundo dados mais recentes do site da ABCZ, já foram realizados cerca de 85 mil genotipagens e a expectativa é ultrapassar a marca de 100 mil até o fim deste ano.

A seleção genômica ou mapeamento genético, foi divulgado em 2009, pela revista americana Science, uma das revistas acadêmicas mais prestigiadas do mundo. A descoberta foi fruto de um estudo com mais 300 cientistas de 25 países. De acordo com dados do site da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), estima-se que o genoma bovino seja composto por cerca de 22 mil genes e 2,87 bilhões de pares de nucleotídeos. Os genes são formados por fragmentos de DNA, que são os responsáveis pelas características desenvolvidas no bovino ao longo dos anos, como, peso em diferentes idades, maciez da carne, espessura de gordura, entre outras características que são avaliadas para o melhoramento genético.

Segundo o doutor em genética e melhoramento animal, professor Guilherme Costa Venturini, parte da bioquímica que estuda o genoma completo pode ser dividida em: genômica estrutural, que estuda as posições de genes; genômica funcional, que está relacionada com a função dos genes e em genômica comparativa, que estuda a semelhança e diferenças entre genomas de diferentes organismos. “A genômica auxilia na seleção de animais geneticamente superiores para determinadas características de interesse econômico e estes animais podem ser selecionados precocemente ou seja, diminuiremos o intervalo de gerações”, ressalta.  

 

Vantagens

As ferramentas genômicas têm contribuído para melhorar a eficiência da seleção de animais geneticamente superiores para características de interesse, além ampliar a qualidade dos produtos de origem animal. “Com a genômica foi possível selecionar animais mais jovens e assim diminuir o intervalo de gerações e aumentar a precisão de seleção das espécies”, destaca Guilherme Costa. 

Segundo o médico veterinário e mestre em nutrição animal, David Lopes Fernandes, a genômica desenvolve um papel fundamental para o melhoramento genético. “Uma das principais vantagens é maximizar a produtividade dos animais mais produtivos em sua aptidão e multiplicá-los, para atender regiões diversas e de longas distâncias do mundo”, afirma.

Desafios

Um dos principais desafios consiste no valor pago por cabeça, em torno de 150 reais. “Há também muitos criadores com pensamento muito antigos, que ainda estão relutando em aplicar estas ferramentas em seu rebanho, preferindo selecionar somente pelo visual”, conta Guilherme Costa. 

David Lopes destaca também a dificuldade de investimentos em estudos a curto, médio e longo prazo, treinamento e capacitação de pessoal, além do investimento em estrutura e adoção de novas técnicas de reprodução e produção.

Futuro

As expectativas para o futuro são promissoras! Segundo o doutor em em genética, Guilherme Costa, a proposta é intensificar uso da seleção genômica na população animal, com a finalidade de aumentar ainda mais a produção e exportação de proteína de origem animal. Além disso, espera-se que os custos reduzam com a aplicação em larga escala nas propriedades rurais.

Melhoramento Genético

Segundo a Embrapa, o melhoramento genético é um instrumento de grande importância para a pecuária. Por meio da genética, os criadores podem aumentar a eficiência de produção e a lucratividade de seus rebanhos. Entre as estratégias de melhoramento genético que podem ser utilizadas estão os programas de controle de desempenho e avaliação genética, os programas de cruzamento de raças e a própria aquisição de genética superior.

 


 
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