09/11/2019 às 23h33min - Atualizada em 09/11/2019 às 23h33min

Tinna Joné: documentários e as novas tecnologias

Quando a estória pode ser vista de vários ângulos

Francine Ribeiro - Editado por Mário Cypriano
Escola Paulista de Teatro - Crédito: divulgação do evento
No dia 01/11, a Escola Paulista de Teatro recebeu a diretora sueca Tinna Joné, da Universidade de Artes de Estocolmo, para o debate "Formas não Lineares para contar Históras Documentais". A diretora exibiu o resultado de sua pesquisa envolvendo novas tecnologias para a realização de documentários. Seu objetivo com o estudo é trazer meios sustentáveis e possíveis para fazer documentário. 

A base para o estudo são as novas câmeras de 360 graus. Como documentarista, Tinna não queria ficar de fora das novas tecnologias que permeiam o universo da internet e dos games, além de tirar o documentário da forma tradicional e corriqueira. Assim, assume não só o lugar da diretora, mas também de cinegrafista, onde ela mesma faz a imagem.

Com o ideal de reduzir as distâncias culturais entre sul e norte na sua região - tradicional e multicultural -  tinha como objetivo fazer a exibição do projeto em locais públicos, através da instalação de equipamentos apropriados. Todavia, não houve sucesso, pois era necessário alguém para realizar a manutenção do equipamento, quando ocorresse algum problema ou fosse necessessário orientar pessoas que não soubessem utilizar o equipamento.

Como vantagem do experimento, Tinna lembra que na narrativa linear o espectador é passivo, enquanto na narrativa 360 graus, ele recebe o estímulo auditivo e pode girar a câmera para eleger que quadro quer observar e visitar outras perspectivas. Os estudos chegaram à um docudrama onde, através de uma avatar, era possível escutar os atores, mas não vê-los. 

As perspectivas não sofrem tantas deformações. Em uma documentário linear, é possível fazer edições alterando a percepção de quem vê. No 360, diante de tantos quadros, torna-se impossível fazer edição sem prejudicar a estória, de forma que a documentarista opta por não realizar.

Durante sua estadia em São Paulo, Tinna, como professora, trouxe oito alunos que, de posse do mesmo equipamento, realizavam filmagens pela capital. "Mais importante não é o que será captado, mas a tecnologia poder ser usada para captar cenas triviais do cotidiano", afirmou. A documentarista espera atingir seu objetivos de reduzir distâncias. "Por ser uma pesquisa pouco pragmática, muitas vezes ela não se torna tão evidente ao grande público, o que pode se tornar uma problema uma vez que é financiada com verba pública", relata.

Tinna Joné iniciou a carreira como jornalista, passando pela área dramática teatral, para depois iniciar nos documentários. A carreira acadêmica veio da vontade de ficar mais próxima dos filhos. E, nela permanece por 15 anos tendo como um dos principais desafios a utilização das diversas linguagens para juntar o norte e o sul de sua cidade, com sua particularidades. A Escola Paulista de Teatro fica na praça Franklin Roosevelt, 210, no centro de São Paulo.
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