05/04/2019 às 14h03min - Atualizada em 05/04/2019 às 14h03min

Conheça o Lu, o criador da ruiva que conquistou centenas de fãs na internet

O cara que imaginou a Lena, personagem que saiu do feed do instagram para os livros e e-books. Saiba mais, sobre ele e o seu trabalho com a caneta vermelha, na matéria a seguir.

Ana Paula Figueiró - Editado por Bárbara Miranda
Arquivo pessoal do @lucianofreitaslu
O brasileiro sempre foi apaixonado por quadrinhos, mesmo quando não é consumidor assíduo de HQs, sempre está de uma forma ou outra em contato com esse conteúdo, seja na editoria de entretenimento dos jornais, nos finais das revistas, nos livros de português ou, principalmente, nos gibis das crianças. São histórias que nascem após a criação de um personagem e da vivência de mundo, e assim atrai leitores de todas as idades. 

Hoje, em meio ao nosso mundo digital, a publicação dessas histórias na internet ficaram mais comuns e recorrentes. Os artistas encontraram uma forma mais rápida e barata para publicar seus trabalhos, em contrapartida se viram em um mundo de oferta e demanda, quanto mais rápido é o consumo, maior será a produção.

Mesmo entre notícias rápidas e feeds lotados, muitos cartunistas e quadrinistas conseguem destaque e espaço entre os fãs, como é o caso do designer gráfico e ilustrador, de 37 anos, Luciano de Freitas Costa, mais conhecido como Lu, criador do “Na mira da Lena” (@namiradalena), a história e os dramas amorosos de uma jovem ruiva, chamada Lena. 

Apaixonado pelo trabalho, Luciano também gosta de fotografar, jogar videogame e escutar música nas horas vagas, como também desenhar, é claro. O seu trabalho se iniciou na faculdade de Publicidade e Propaganda, segundo ele, “meio que para exercitar a criatividade (redação e ilustração). No início não tinha grandes sonhos não.”

Os artistas se apegam aos seus trabalhos, são como filhos, se assim podemos dizer, imaginam tudo para eles, desde da personalidade até um mundo fictício, porém real para quem ler. Com o Luciano não foi diferente, ele criou um mundo para suas histórias, com vários personagens e também lugares, tudo para a Lena, sua principal personagem .

Lu afirma que já desenhava tirinhas antes, e a Lena surgiu de maneira natural por ser tratar de um hobby no começo, tudo fluiu com o tempo. “Eu estava rabiscando um papel com uma caneta vermelha (por isso ela nasceu ruiva) e me encantei com a figura que acabara de desenhar. Aos poucos ela foi se repetindo em meus rabiscos até que um dia resolvi criar um universo para ela, que são as tirinhas”, conta.
 
Identificação entre as mulheres
As tirinhas do ilustrador Luciano fazem sucesso entre os fãs, principalmente entre as mulheres, que se identificam com uma ou mais de suas personagens. Em seu instagram, são centenas de comentários do tipo “Olha, eu”, “Euzinha”, “Me identifico muito com a Taty”, são várias amigas marcando umas às outras com comentários “Muito nós”, “Eu sendo a Taty e você a lena” e por aí vai, a cada tirinha nova são novos comentários. 

Luciano ficava assustado no começo, mas logo se acostumou, mesmo com sua responsabilidade na construção dos personagens aumentando. “O que mais me impressiona é quando recebo declarações de meninas de 13, 14 anos, que teoricamente não viveram metade das coisas que a Lena retrata, por exemplo. Nesses casos fico bastante pensativo em relação ao meu papel como autor”, afirma Lu.

Existem limitações quando se trata em representar o sexo oposto e Luciano tem consciência disso, há vantagens e desvantagens. “A vantagem é que a mulher me inspira profundamente, e pra mim é fonte inesgotável de histórias e possibilidades. A desvantagem é que, sendo um homem, certas coisas nunca saberei retratar sobre uma mulher. Não me sinto no local de fala para representar certas lutas", revela. 

O artista procura se reduzir ao retratar as mulheres, ou seja, os desenhos são baseados apenas no que é observado por ele. O cotidiano das mulheres é mostrado com suas personagens, ao fazer isso, ele representa bem o lado feminino e decidido da mulher brasileira, fugindo do clichê machista que sempre vemos em outras representações. 

Em todos esses anos, ele reconhece que não é fácil e que já errou algumas vezes. "Representar tantas mulheres é um trabalho que levou muito tempo para se construir. Nesse tempo todo já pisei muito na bola, reconheço, e costumo dizer que aprendo muito com as leitoras (que sempre que podem puxam minha orelha)”, afirma. 

Ele acredita que não é preciso ignorar seu lado masculino, que ainda possa ter algumas ideias machistas, mas que “é um aprendizado diário”. Ao escrever um roteiro, ele pensa em como outras mulheres irão ver/ler aquela história, mas confessa que depois de um tempo já pegou o jeito. “Digamos que eu já tenha adquirido o jeito de escrever para as minhas leitoras, mas claro que a preocupação de não ofender ninguém sempre se faz presente, não apenas as leitoras, mas os leitores também.”, declara.
 
O quadrinista acredita que existe um pouco dele nas histórias, mesmo não tendo vivenciado algo parecido, todo aquele universo é o seu ponto de vista em relação ao que desenha.
 
“Representar tantas mulheres é um trabalho que levou muito tempo para se construir. Nesse tempo todo já pisei muito na bola, reconheço, e costumo dizer que aprendo muito com as leitoras.”   Luciano Freitas
A personagem que saiu da vida real
Dentre os vários personagens, um deles se destaca, a Kelly (@kellygoms), amiga de faculdade do Luciano na vida real, que foi transformada em personagem nos desenhos. Kelly Gomes é do Rio Janeiro, formada em jornalismo, ama sol, praia e mar, bem a cara do verão. Ela conta que sempre acompanhou o trabalho dele e que brincava “se o Jaime me conhecesse a vida dele iria melhorar”.

A personagem é uma cópia fiel da jornalista, da mesma forma que ela se apresenta em seu instagram, a Kelly dos desenhos também tem a mesma essência. Ela nos revela como aconteceu o convite/homenagem, "ele veio me fazendo umas perguntas aleatórias sobre minhas tatuagens, fui respondendo meio sem entender (rs), daí ele me explicou o motivo, NOSSA! Eu fiquei extremamente honrada, sabia nem como me expressar na hora!”, conta.

Kelly agora é namorada do Jaime nas tirinhas, muito provavelmente continuará tendo aparições nas próximas séries.

Do feed para os eBooks
Tudo que é postado na internet tem um de dois destinos, sucesso ou limbo, muitos artistas desistem por não alcançarem o público desejado, outros caminham devagar até conseguirem alguma coisa, o certo é: todo quadrinista, designer e ilustrador deve ser persistente. Luciano sempre esperou que seu trabalho fosse crescer, mas nunca imaginou a proporção que seria. 

Quando se viu desanimado com o desenho, em 2016, pensou em desistir, foi nesse momento que nasceu a série “O verão da lena”, a primeira de várias. O artista relembra, “tive a ideia de uma série de verão diária e comecei a publicar em janeiro de 2017, já pensando que se nada acontecesse até o fim daquele mês eu pararia de vez, mas para a minha surpresa foi um sucesso. Dessa série surgiu o livro”.

As séries viraram livros e eBooks, por simplesmente procura dos fãs e oportunidade de mercado. “Quando notei que existia uma procura pelas séries durante todo o ano. E como eu já havia publicado "Bahia" (verão de 2018), resolvi transformar a primeira série em eBook e retirá-la da internet.”, conta. O eBook está entre os mais vendidos no Amazon, estando em 7° lugar no rank de HQs do próprio site.

A personagem Lena já rendeu cinco séries, três delas já migraram para os livros e eBooks, além do “Verão da Lena” temos “O mundo da Lena” e “Bahia”, as outras duas, “Parafina” e “Quente” ainda estão disponíveis no instagram, por enquanto. 
 
A publicação de um livro, “é como um filho que acabou de nascer, um registro de muitas noites de trabalho duro, desenhando, postando, respondendo leitores.”, declara Lu. 
Muitos de nós crescemos lendo Maurício de Sousa ou Ziraldo, quando é perguntado sobre se em algum momento ele chegou a se comparar, a qualquer quadrinista da sua infância, logo temos a resposta, “não cheguei a me comparar, imagina, mas é uma felicidade indescritível!”. E essa comparação, vale-se por suas obras também estarem entre o público infanto juvenil. “Recebo muitos relatos de crianças e adolescentes fissurados na Lena. É incrível, sempre!”, conta o artista. 
 
Sabemos que o mercado no Brasil voltado aos quadrinhos não é algo grandioso, poucos artistas conseguem prestígio e viver apenas disso. Como já sabemos, ele também foi tentado a desistir, mesmo sabendo do potencial do seu trabalho, mas para a nossa felicidade, sua paixão foi maior. Segundo ele, às vezes falta disposição para levar uma profissão e um hobby tão a sério.

Lucciano sabe que ainda há muito a conquistar. “Tenho muitos projetos em mente, mas cada pequena conquista que a Lena me proporciona é uma felicidade enorme, mas também é uma sensação de uma longa estrada pela frente.” finaliza.

Caso queira conhecer mais:
Instagram: Luciano Freitas - @lucianofreitaslu
Na mira da Lena - @namiradalena
Kelly Gomes - @kellygoms
Livros: loja.namiradalena.com.br
eBooks: amazon.com.br

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