05/04/2019 às 22h11min - Atualizada em 05/04/2019 às 22h11min

Clubes passam mais da metade do ano sem partidas oficiais

Calendário vazio se torna obstáculo no pagamento de despesas anuais

João Felipe Carvalho - Editado por Amanda Cruz
Léo Borges/Cabofriense

"É um piscar de olhos e tu estás desempregado". A frase dita pelo ex-centroavante Alê Menezes em 2013, define a situação de jogadores de equipes consideradas pequenas após o fim dos campeonatos estaduais pelo Brasil. Como muitas equipes têm apenas os três primeiros meses do ano ocupados pela competição regional, os clubes fecham, junto aos jogadores, contratos cuja duração não passa de seis meses, com o objetivo de aproveitar o elenco durante o Estadual e evitar despesas com salários em meses sem jogos oficiais. Em 2018, 43,5% dos contratos profissionais eram nesse modelo, segundo dados do Rede de Futebol.

O problema está na organização do calendário do futebol brasileiro. Das 742 equipes profissionais atualmente existentes no Brasil, apenas 128 (17,25%) têm calendário garantido até o mês de junho de 2019. Porém, se avançarmos para setembro, esse número cai para 44 (5,92%). Ou seja, o clube que não consegue se inserir em nenhuma das quatro divisões nacionais chega a ficar até nove meses sem uma partida oficial, situação que equipes como Cabofriense e Nova Iguaçu enfrentaram em 2017 e 2018.

Sem contrato devido ao fim do calendário oficial de partidas, alguns jogadores considerados “medalhões” do futebol se veem obrigados a buscar campeonatos amadores com mais datas para receber de forma mensal. E não são apenas eles. Muitos clubes de divisões inferiores não são capazes de dar conta de gastos de uma equipe profissional e acabam retornando ao amadorismo, juntamente com clubes que rejeitam o profissionalismo temendo essas despesas, a exemplo do Lausanne, equipe de futebol amador do interior de São Paulo.

O desequilíbrio do calendário tornou-se pauta de movimentos como o Bom Senso FC - formado no ano de 2013 e responsável por algumas manifestações durante jogos do Campeonato Brasileiro - e o Calendário Justo. Entretanto, alternativas de distribuição de partidas dos estaduais durante toda a temporada esbarram no calendário projetado para jogos de equipes grandes pela liga nacional, além de torneios internacionais como Copa Libertadores da América e a Copa Sul-Americana, que forçam elencos de equipes como Flamengo e Palmeiras a jogar quase 80 partidas por temporada, enquanto times sem divisão fazem, em média, 15 jogos.

A quantidade varia de acordo com o formato do seu campeonato regional e das copas estaduais, que apesar de funcionarem como uma opção extra para alguns clubes garantirem vaga na Copa do Brasil ou na Série D do Brasileiro, apresentam o formato eliminatório, o que daria a uma equipe eliminada na primeira fase apenas mais duas partidas no calendário.

Enquanto nenhuma ideia surge das federações nacionais e regionais com o objetivo de resolver ou amenizar o problema, os clubes de menor porte seguem depositando nos estaduais a única chance de realizar uma partida de forma oficial na temporada.

 


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