07/04/2019 às 15h06min - Atualizada em 07/04/2019 às 15h06min

Entrevista | Roteirista Roberto Lemos dá dicas de como se consagrar na carreira de cineasta

Naryelle Keyse e Águida Leal
Roberto Lemos, professor e roteirista | Créditos: Arquivo Pessoal
A carreira de cinema pode ser acessada de diversas formas, até mesmo pela publicidade como conta o professor Roberto Lemos. Ele é formado em Publicidade e Propaganda, pós-graduado em gestão da Comunicação nas organizações, mestrando em Comunicação e roteirista premiado. Em entrevista, ele conta sobre os projetos cinematográficos e como tem sido os últimos trabalhos na área.
 
- Você é formado em Publicidade e Propaganda e vinha trabalhando com Marketing Digital antes desse avanço estrondoso. Como foi o caminho da publicidade até o cinema?
São áreas muito próximas. Na publicidade, escrevi muito roteiro institucional para clientes. Um bom roteiro, independentemente se é comercial para a publicidade ou se é uma narrativa para o cinema, tem uma história por trás, por isso, considero que sempre escrevi histórias. A diferença de estrutura depende mais do tempo de tela do que da estrutura narrativa.
 
- Como professor, tem notado maior interesse universitário nessa área?
Sim. Há um interesse crescente. E é natural, porque conteúdos brasileiros para cinema e plataformas digitais tem desempenho cada vez melhor. Com isso, amplia a visibilidade desse mercado, que entra no “radar” das pessoas.
Fico feliz em ver esse interesse. O brasileiro é criativo e altamente conceitual, podemos explorar ainda mais esse nosso potencial e conquistar mais espaço internacional, como já aconteceu com a nossa telenovela e a nossa publicidade. Por falar em publicidade, a brasileira é uma das melhores do mundo. No último Festival Internacional de Criatividade de Cannes, as agências brasileiras ganharam 101 prêmios. E o desempenho destacado acontece ano após ano.
 
- Como você vê o mercado atual de cinema em Brasília? Ainda é preferível buscar trabalho apenas em Rio-São Paulo?
O eixo Rio-São Paulo concentra as principais oportunidades de trabalho, mas isso não significa a ausência de boas experiências profissionais aqui em Brasília. Eu, por exemplo, estou fazendo um trabalho com uma sala de roteiristas de Belo Horizonte. As reuniões são semanais e ocorrem por videoconferência. Essa é uma das maravilhas da internet. Posso trabalhar com equipes incríveis sem a necessidade da proximidade física.
 
- Como começou a escrever roteiros e por que essa área do cinema?
Sou redator publicitário. E como tal, escrevo peças para mídia impressa e eletrônica. A experiência escrevendo roteiros publicitários para empresas, produtos e serviços me levou a querer escrever um roteiro para TV. Curti tanto que logo estava escrevendo outro, para cinema. O processo de escrita criativa é muito prazeroso. Depois que começa, não dá mais vontade de parar.
 
- O mercado do audiovisual brasileiro vem crescendo estrondosamente nos últimos anos. Acha que teremos ainda mais espaço na sétima arte?
Há muito filme sendo realizado no Brasil. E tem coisa de excelente qualidade. Acho que o próximo desafio do setor é dar mais visibilidade para nossas produções de cinema.
 
- Fala pra gente um pouco das suas conquistas atuais, vim acompanhando pelas redes sociais e são muitos prêmios recebidos por Michelângelo (roteiro para série de TV).
Primeiro, agradeço a oportunidade de divulgar isso. Foram sete premiações internacionais. Seis para Michelângelo, que é uma série, e uma para Coração Verde (Green Heart), que é um roteiro de longa de animação.
Michelângelo foi selecionado em 20 concursos e festivais internacionais, em três continentes, mostrando a universalidade de sua temática.
Coração Verde ainda está começando sua trajetória de concursos e festivais. Foi selecionado em quatro até agora. Espero que conquiste ainda mais espaço.
 
- Falando nessa obra, podemos esperar que venha para a TV ou serviços de stream como a Netflix e Amazon?
O espaço para produções brasileiras está em franca ascensão e os roteiros se destacaram em diferentes concursos e festivais. Com isso, tenho boas expectativas em relação à produção. Mas como é tudo muito recente, ainda estou no estágio bem embrionário, de conversas com produtores.
 
- E por último, o que estudantes de comunicação ou aspirantes a cineastas podem esperar desse mercado em Brasília e no Brasil?
Acho que todos precisam pensar na amplitude do mercado. Temos o cinema, temos a TV, as mídias digitais... enfim, são muitos os meios para divulgação de conteúdos. Um profissional dessa área pode estar confiante que está em um mercado pujante economicamente. Em 2018, somente a publicidade movimentou algo em torno de 2% de todo o PIB nacional. Não é pouca coisa. O audiovisual está em ascensão de forma geral. Além do mais, o Brasil é referência global em muitos mercados criativos. Eu, particularmente, sou bastante otimista em relação ao setor.
 
Em Brasília, o curso se espalhou e hoje é possível encontrar na já citada Universidade de Brasília e no IESB como graduação. O Centro Universitário de Brasília (UniCEUB) oferece o curso técnico de 2 anos em Audiovisual e o Centro Universitário Estácio de Brasília oferece pós-graduação também em Audiovisual. Outras instituições oferecem cursos extracurriculares em cinema, audiovisual e TV.
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