08/04/2019 às 19h01min - Atualizada em 08/04/2019 às 19h01min

Conheça o material Grafeno e entenda sua importância

Universidades pesquisam usos do Grafeno e formas de revolucionar diversos setores da indústria brasileira

Daiana Pereira
Universidade Presbiteriana Mackenzie

Considerado revolucionário pelos pesquisadores no Brasil e no mundo, o grafeno pode ser uma alternativa com grande potencial ao aço, cobre, diamante e plástico. O ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, se reuniu com pesquisadores do MackGraphe, na Universidade Presbiteriana Mackenzie, no dia 27 março, com o intuito de realizar uma parceria entre o Governo Federal e a Universidade para estudos do material.

Pesquisas apontam que devido às suas características inovadoras, o grafeno se diferencia por ser mais leve, forte, flexível e um ótimo condutor de energia. Além disso, é composto por camada única de átomos de carbono em uma estrutura bidimensional, parecido com um favo de mel.
Atualmente esse material está sendo objeto de estudo em Universidades no Brasil, como o Mackenzie, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp), enquanto que em outros países empresas de diversos setores já estão atentas para incluí-lo em seus produtos.

MackGraphe
O Instituto de Pesquisa Mackgraphe iniciou suas atividades focadas no estudo do material grafeno em 2013, por meio de um grande investimento do Instituto Presbiteriano Mackenzie, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Cnpq).
Segundo a Mackgraph, o objetivo é buscar uma forte interação/colaboração com o setor produtivo em três áreas principais: fotônica, energia e sensores e materiais compósitos. As pesquisas são realizadas em um prédio de sete andares, localizado na Universidade Presbiteriana Mackenzie, unidade Higienópolis, em São Paulo. No centro há mais de 20 laboratórios dedicados à pesquisa e equipamentos de última geração. Para essa iniciativa, os pesquisadores são os próprios professores.
Segundo o estudante de Engenharia Elétrica do Mackenzie, Luiz Fernando, os alunos não possuem um contato direto com o material, por enquanto. “Os alunos possuem um acesso superficial, ou seja, apenas alunos que fazem Projetos Integradores e Iniciação Científica são permitidos conhecer o Grafeno pessoalmente, além de as vagas serem limitadas para os projetos”, disse.
Ainda segundo Luiz Fernando, não há muita abrangência do assunto no curso.  “Acho importante sim o contato com o material, pois ele irá revolucionar toda a área tecnológica, mas antes eu acho mais importante o avanço na pesquisa para passar isso para os alunos estarem mais preparados para trabalhar com o material”, finalizou.

Mudanças próximas
O Mackgraphe aponta como avanços tecnológicos: dispositivos flexíveis, transparentes e condutores, como smartphones e tablets melhores, mais resistentes e com telas flexíveis; baterias mais leves, duradouras e de recarga mais rápida; materiais compósitos leves e resistentes; interruptores ópticos feitos a partir de grafeno, que poderão aumentar em até 100 vezes a velocidade de transmissão de dados da internet; dispositivos para dessalinizar e purificar água contaminada. Ou seja, problemas como superaquecimento de celulares e baterias com curta duração irão acabar no futuro.
 
Uso do Grafeno pelas empresas
De acordo com o Portal Interfaces Científicas, algumas empresas mundiais estão de olho no Grafeno, como a Lockheed Martin, sediada nos Estados Unidos e atua no setor de segurança e aeroespacial. Essa entidade estuda desde 2013, formas de usar o Grafeno para dessalinização da água do mar e combater o grave problema de falta de água potável.
Outro exemplo é a parceria entre o Instituto Hohenstein e as empresas alemãs Ionic Liquids Tecnologies (IoLiTec) e Fuchsuber Techno-Tex e as belgas Centexbel e Soieries Elite. A parceria busca revolucionar o setor têxtil. O grafeno seria usado para retardar chamas nas roupas, através da resistência à abrasão e quebra de fibras.

Medicina
Na Medicina, o grafeno oferecerá oportunidades revolucionárias, como produzir implantes de retina, permitindo que pessoas cegas voltem a enxergar.
Em doenças como Alzheimer, Parkinson e tumores cerebrais também poderão ter tratamentos mais eficazes, pois estudos apontam que o óxido de Grafeno é capaz de estimular células, segundo pesquisas do Instituto de Biologia da UNICAMP.



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