27/01/2020 às 00h56min - Atualizada em 27/01/2020 às 00h56min

Spinning Out: a saúde mental no meio esportivo

Série estreou na Netflix no dia 1 de janeiro e aborda os bastidores da patinação artística

Jaci Lira - Editado por Letícia Agata
Kaya Scodelario é Kat Baker em Spinning Out. Foto: Netflix/Divulgação.

A patinação artística é o esporte que une técnica apurada, disciplina e arte. Sendo uma das modalidades mais antigas, segundo a Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CDBG), é a campeã de audiência nos Jogos Olímpicos de Inverno, atraindo uma quantidade imensa de torcedores e admiradores em todo o mundo. O vestuário exuberante e cheio de brilho, junto com a combinação de música, saltos e piruetas, arrancam suspiros e adoração do público. Os bastidores do meio esportivo, entre tanto, não são glamourosos como as apresentações.

Spinning Out (no Brasil, Spin Out), é uma série de drama e a primeira produção lançada pela Netflix em 2020. Criada por Samantha Stratton (Mr. Mercedes) e com direção de Samantha Stratton e Lara Olsen, a série nos apresenta Kat Baker, uma patinadora do gelo em ascensão que, após sofrer uma queda traumática, não consegue participar das competições. Quando Kat pensa em desistir do esporte, lhe é apresentada a proposta de patinar em dupla com Justin Davis (Evan Roderick). Enquanto isso, ela tenta superar o trauma e lidar com seus segredos.

Kat Baker (Kaya Scodelario) e Justin Davis (Evan Roderick) em Spinning Out. Foto: Netflix/Divulgação.

Kat Baker (Kaya Scodelario) e Justin Davis (Evan Roderick) em Spinning Out. Foto: Netflix/Divulgação.

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Kat Baker (Kaya Scodelario) e Justin Davis (Evan Roderick) em Spinning Out. Foto: Netflix/Divulgação. 

Diferente do filme Eu, Tonya, que faz uso da sátira aliada à comédia dramática, Spinning Out retrata o mundo da patinação artística com bastante drama, mas também mostra que para essas personagens, o esporte, além de um meio de vida, é uma paixão. A produção, no entanto, não perde a oportunidade de colocar logo no primeiro episódio uma piada sobre o escândalo em que a patinadora, Tonya Harding, se envolveu em 1994.

Com 10 episódios, a série nos cerca em uma trama que aborda muito mais do que patinação artística, sendo possível conhecer cada personagem, entender sua trajetória, seu passado e seus traumas. Aqui nos são apresentados os bastidores do esporte, nos quais as competidoras são submetidas à pressão da família, provocações e desentendimentos, além do cuidado com a saúde mental.

Kat, interpretada pela atriz anglo-brasileira Kaya Scodelario (Skins), tem transtorno bipolar e pratica automutilação. A discussão da doença se dá pela perspectiva genética, uma vez que a mãe de Kat, Carol (January Jones), também sofre do transtorno. A relação das duas é conturbada e Carol, que é uma ex-patinadora, chega a ser abusiva com a filha. Mas os problemas de relacionamento de Kat vão além da sua relação com a mãe. Ela também compete com sua irmã mais nova, Serena (Willow Shields, Jogos Vorazes), dentro e fora do rinque de patinação, tornando a relação entre as irmãs uma mistura de amor e ódio.

Sendo a bipolaridade o tema mais abordado na produção, Kaya Scodelario entrega uma atuação forte e precisa, mostrando as alterações de Kat. Spinning Out merece destaque por alertar sobre a doença, sem romantizar ou desmerecer, revelando como uma pessoa com transtorno bipolar tem a sua vida afetada e afeta a vida das pessoas à sua volta. No entanto, a série não mostra com clareza os episódios depressivos que essas pessoas têm, quando a fase de euforia termina.

Kat se despede do rinque de patinação. Foto: Netflix/Divulgação.

Kat se despede do rinque de patinação. Foto: Netflix/Divulgação.

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Kat se despede do rinque de patinação. Foto: Netflix/Divulgação.

O foco da série é os bastidores do esporte e como os atletas lidam com a disciplina dos treinos e os problemas que não estão no rinque de patinação, mostrando a pressão que a família coloca nas competidoras, fazendo as mesmas ignorarem seus limites e até suas lesões, para não desapontar os pais, que fazem grandes investimentos em suas carreiras, visto que a patinação artística é um esporte caro.

A primeira estreia de 2020 da Netflix trouxe um trabalho consistente, sobretudo técnico, com transições que beiram à perfeição, sendo impossível identificar quando são atletas e quando são atores fazendo as apresentações de patinação. Além da preocupação de colocar em seu enredo termos inerentes ao esporte, tornando a narrativa ainda mais verossímil.

Trazendo discussões sobre bipolaridade, sexualidade, racismo, assédio e pedofilia, podemos considerar a produção como uma das que mais abordam temas atuais e que precisam ser discutidos. Sendo a patinação artística um esporte admirado pela união entre técnica e beleza, Spinning Out mostra que a perfeição não existe fora do rinque e que os atletas enfrentam traumas e pressões diversas para permanecerem no topo do pódio.


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