28/01/2020 às 15h20min - Atualizada em 28/01/2020 às 15h20min

Feijão é banido do tênis após ser acusado de manipular resultados

Suspenso das quadras desde 2019, o atleta espera a conclusão do caso para decidir se vai recorrer da decisão

Lúcia Oliveira - Editado por Paulo Octávio
Foto: Reprodução/DCM
João Souza, mais conhecido como Feijão, ex nº 1 do Brasil e 69 do mundo, foi banido definitivamente do tênis. A Tennis Integrity Union (TIU), comitê que investiga corrupção dentro do mundo do esporte, acusa o atleta de manipulação de resultados de suas partidas simples e duplas no Challenger de Morelos, no México. Além disso, o TIU exige que o esportista pague uma multa de US$ 200 mil, quantia equivalente a pouco mais de 820 mil reais.

De acordo com a entidade, “João Olavo Soares de Souza foi suspenso por toda a vida depois de ser considerado culpado de manipulação de várias partidas e outros atos de corrupção”. Depois de nove meses de andamento, as investigações afirmam que o tenista influenciou ou manipulou, entre 2015 e 2019, os resultados de partidas das competições ATP Challenger e ITF Futures no Brasil, Estados Unidos, México e República Tcheca.

Desde abril do ano passado, Feijão estava suspenso temporariamente das quadras por essa acusação, enquanto as investigações ainda estavam sendo desenvolvidas. Segundo um pronunciamento da TIU, em abril de 2019, a apuração teve início depois de duas partidas do atleta no Challenger de Morelos, no México, em fevereiro. Na ocasião, a TIU informou que o tenista havia afirmado a seu companheiro de jogo – João Menezes – que não se esforçaria na partida da chave de dupla contra os colombianos Santiago Giraldo e Daniel Elahl Galan. Na mesma competição, em seu primeiro jogo na chave de simples, João Souza foi derrotado pelo equatoriano Roberto Quiroz, em apenas 51 minutos, por 2 sets a 0, com parciais de 6/4 e 6/0.

Decisão da TIU deixa Feijão longe das quadras definitivamente. Foto: Reprodução/Reuters

Depois de saber da punição, a defesa do atleta afirmou que irá recorrer à decisão na Corte Arbitral do Esporte (CAS). Michel Asseff Filho, advogado, declarou que
Uma das teses é negar, como a gente vem negando, qualquer ato de corrupção por parte do Feijão. Por mais que tenham havido alertas de apostas em relação a alguns jogos que ele participou -- por isso que começa a investigação -- ele não tem nada a ver com isso. Se alguém estava fazendo (atos de corrupção) em relação às partidas dele, não tinha participação do Feijão de forma alguma, então esse é um dos argumentos. 

Asseff também indica que o acusado colaborou com as investigações, ao contrário do pronunciamento da entidade. A TIU afirma que Feijão não cooperou totalmente para o andamento do processo. Sobre a declaração que o tenista não se esforçaria na partida de dupla no Challenger de Morelos, Michel Assef defendeu que
Uma das teses que levanta suspeita na investigação é quando eventualmente o Feijão não estava utilizando os melhores esforços em jogos de duplas. Havia, sim, um motivo pessoal, mas não uma questão referente a qualquer tipo de corrupção.
A defesa tem um prazo de 20 dias úteis para entrar com recurso, além de apresentar a apelação. Desde quando fora suspenso, Feijão evitou dar entrevistas e aparecer em locais com forte presença da imprensa. Até o momento, o atleta só se pronunciou por meio de seu advogado e isso deve se manter até à conclusão do caso.

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