16/02/2020 às 10h09min - Atualizada em 16/02/2020 às 10h09min

Atenção! Atenção! O Estado é laico. Ou não?

Diante do preconceito, alguns livros brasileiros mostram a importância das religiões mais afetadas, como o candomblé e espiritismo

Talyta Brito - Editado por Rafael Campos
Foto: Dom Orvandil

Apesar da Constituição Federal de 1988 no artigo 5º inciso VI garantir “ a liberdade de consciência e de crença, assegurando o livre culto religiosos e garantindo, na forma da lei a proteção aos locais de culto e as suas liturgias”, os casos de intolerância religiosa crescem a cada ano. De acordo com o Disque 100, em 2018 foram registradas 213 notificações de desrespeito religioso as matrizes africanas – um aumento de 47% em relação a 2017. O primeiro semestre de 2019, de janeiro a junho, contabilizou um total de 354 ocorrências, aumentando para 56%. A grande maioria dos casos registrados são contra religiões de matrizes africanas. Segundo especialistas, o desconhecimento e a convicção de uma verdade absoluta são fatores que geram a intolerância.
 
Dentro dessa ótica, vale salientar que o desrespeito para com a crença do outro está presente na história humana. O movimento iconoclasta, ocorrido no Império Bizantino durante os séculos VIII e XI, foi um período aonde não se tolerava a veneração de imagens religiosas. Sendo assim, várias esculturas presentes no interior das igrejas e templos foram destruídas. Em 2016, Kailane Campos foi apedrejada no Rio de Janeiro ao sair de um culto de Candomblé. 

O mercado literário dispõe de obras que buscam desmistificar os pré-conceitos construídos ao longo dos anos sobre algumas religiões. No livro “As religiões do Rio”, escrito pelo jornalista Paulo Barreto, mais conhecido pelo pseudônimo de João do Rio, são apresentadas as principais crenças de algumas religiões (maronitas, presbiterianos, metodistas, batistas, adventistas, israelitas, espíritas). Originalmente as reportagens foram publicadas no jornal “Gazeta de Notícias” e só depois se transformaram em coletânea.

O livro “Presença do Axé: mapeando terreiros do Rio de Janeiro", escrito por Denise Pini Rosalem da Fonseca e Sonia Maria  Giacomini, a obra é fruto de uma pesquisa que durou 20 meses. Após as visitas aos terreiros, houve a produção de mapas que tinham por objetivo apontar locais onde foram apurados casos de discriminação religiosa.

É notório que há um longo caminho a ser percorrido para construirmos uma sociedade respeitosa. A denúncia dos casos e a identificação dos agressores é o primeiro passo a ser dado. As ocorrências podem ser feitas através do disque 100. A pena pode variar entre multa e reclusão – que pode chegar até três anos.  A ideia de um país onde os personagens Kailanes, Talitas, João e Josés possam cultuar livre sem sofrerem qualquer tipo de reclusão é bastante utópica, mas como dizia o jornalista Eduardo Galeano: "a utopia serve para que eu não deixei de caminhar. Sigamos caminhando e almejando dias melhores!"


 

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