26/02/2020 às 16h55min - Atualizada em 26/02/2020 às 16h55min

O que Zé do Caixão representa para o cinema brasileiro?

Carolina Rodrigues - Editado por Bárbara Miranda
FONTE: JOSÉ PATRÍCIO/Estadão Conteúdo.

Figura emblemática desde sua criação na década de 1960, Zé do Caixão está presente no imaginário brasileiro como uma figura assustadora e temida. Seu criador, José 

Mojica Marins deixa seu legado como pai do terror brasileiro. Mas, por que Mojica e Zé do Caixão são tão importantes assim?

Quem assistiu alguma de suas obras atualmente talvez não tenha entendido a genialidade por trás do personagem, muito pelo fato de Zé ser um coveiro machista, sem nenhuma moral, niilista de queixo erguido.

José Mojica Marins consegue tornar Zé do Caixão crível ao passo em que também o torna repulsivo e pavoroso. Esse é um dos pontos que o torna tão importante.

O longa À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1964), foi o primeiro filme de terror brasileiro. Inspirado num sonho em que era arrastado para uma cova por um coveiro assustador, ele colocou Zé do Caixão no papel e escreveu, pela primeira vez, um roteiro. 
 

José já havia feito filmes anteriormente, mas aquele de 1964 marca sua trajetória como cineasta e dá início a experimentações voltadas ao gênero suspense e terror no país. Seus primeiros longas não tinham roteiro e Mojica guiava-se apenas por seu instinto. 

Instinto este que marca seu estilo cinematográfico. Sem dinheiro para financiar um filme e sem nenhuma formação na área - apenas o amor pelo cinema derivado da infância e adolescência -, José Mojica Marins vendeu até a própria casa para produzir À Meia-Noite Levarei Sua Alma, já deduzindo que seria um sucesso.

E realmente foi, mesmo chocando o público. A imprensa do país ficou dividida, muitas de suas obras foram censuradas pela Ditadura Militar por serem consideradas amorais, mas o sucesso internacional foi inevitável. Zé do Caixão foi parar nos Estados Unidos e até mesmo na Europa.

O estilo de Mojica era novidade. Seu cinema inventivo e experimental, já que de experiência tinha apenas os anos assistindo filmes no cinema do pai, caíram no gosto do público e até mesmo de outros cineastas, como Glauber Rocha e Tim Burton. Além de ser o pai do terror no país, ele também ajudou a disseminar nosso cinema popular, sendo considerado um de seus precursores.

Seu senso estético, somado a violência gráfica e temáticas agressivas para a época marcam a trajetória de Zé do Caixão e o transformam em ícone brasileiro.

José Mojica Marins morreu aos 83 anos, dia 19 de fevereiro deste ano. Para quem tiver interesse em conhecer sua vida, o canal Space disponibilizou os episódios da minissérie Mojica, Maldito - A Vida e o Cinema de José Mojica Marins, em seu canal no YouTube

A série é estrelada por Matheus Nachtergaele e conta mais detalhadamente a trajetória do cineasta.
 


REFERÊNCIAS

Entreplanos. Zé do Caixão: O Pai do Terror Brasileiro. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=hRg9az4luvY>. Acesso em 25 de fev 2020.


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