26/02/2020 às 18h47min - Atualizada em 26/02/2020 às 18h47min

A literatura como ferramenta para superar desilusões amorosas

Malu começou a escrever sobre suas dores após um rompimento. Hoje em dia, tem um livro lançado de forma independente, uma comunidade fiel no Instagram e produtos autorais de papelaria em seu site

Fiamma Lira - Editado por Rafael Campos
Divulgação
A dor do coração partido. Feridas provocadas por levar um “fora” da pessoa amada. Uma sensação de vazio por um amor não correspondido. A tristeza causada por uma rejeição. Afinal, quem nunca sofreu uma desilusão amorosa? Quem nunca nutriu expectativas que não se cumpriram em relação a alguém?

Baseado em suas experiências afetivas e em ajudar outras mulheres a lidarem com tais situações, a jornalista e estudante de psicologia, Malu Silveira, de 28 anos, encontrou na literatura um espaço para compartilhar seus sentimentos e ajudar outras mulheres a superarem suas dores. “Escrever pra mim, e ler também, sempre foi um refúgio nos momentos de dor. Eu percebi que aliviar a minha dor pela escrita, ajudava outras pessoas”, destaca. Entre as suas principais inspirações literárias estão Marta Medeiros e Tati Bernardi. No meio artístico, a sua maior referência é Rita Lee. 

Em 2015, criou o blog intitulado “O amor que guardei para mim”, após o término de um relacionamento. Com mais de 5 mil seguidores no Instagram, Malu utiliza suas palavras, escritas em lettering, para promover um círculo de empatia com outras mulheres que enfrentam essa luta. O tempo passou e os seus escritos viraram coluna no NE10 – Portal de Notícias Online do Jornal do Commercio de Comunicação. E o melhor de tudo, em 2018, a jornalista recifense lançou seu primeiro livro autoral de modo independente. Intitulado: “Tudo passa. Esse amor vai passar também”. Através de suas crônicas, Malu destaca o valor em cultivar a empatia com o outro, enfatiza a importância de resgatar o amor próprio e a autoestima, além de mostrar que podemos nos  libertar de relacionamentos tóxicos e abusivos e que somos capazes de superar nossas feridas emocionais.

Em uma época em que há um alto índice de violência contra a mulher e inúmeros casos de feminicídio, praticar a empatia, a sensibilidade e o respeito com as mulheres e resgatar a autoestima e o amor próprio delas é mais do fundamental, é um ato de resistência. “A importância do jornalismo para promover o círculo de empatia é que as informações precisam ser divulgadas em todas as plataformas e, por mais que seja difícil trazer consciência pra algumas, seja difícil mudar o pensamento mais retrógrado de algumas, todo dia você conseguir conscientizar mais uma é uma vitória. É um trabalho de formiguinha, mas que é importantíssimo. A informação tem de ser lançada para que as pessoas decidam que caminho desejam seguir”, frisa. 
   
A jornalista também demonstrou coragem ao lançar a sua obra e a acreditar em si mesma nessa empreitada. “Eu sempre tive vontade de escrever um livro. Quando eu fui demitida do Jornal do Commercio, eu vi que era o momento de pôr em prática esse sonho”, conta. 


Fonte: Luiz Pessoa\ Divulgação

Ela chegou a procurar uma editora pernambucana, mas viu a burocracia atrapalhar esse processo para escritores iniciantes. “Eu percebi que eles cobravam muito caro para uma autora nova. E eu percebi que eu tinha todo o aparato para me lançar”, comenta.

Malu acrescenta que o processo de escrita da obra foi complexo, mas possível. “Eu terminei de escrever as crônicas que foram inéditas só para o livro, selecionei as que já tinham sido publicadas no Portal NE10, fui atrás de uma revisora de texto, de uma diagramadora que diagramou e fez o design da capa, fui em busca de um fotógrafo para tirar a minha foto oficial. Aí, fui à procura de todos os registros literários: a ficha catalogada, o ISBN, também procurei saber de direitos de registros autorais e depois fui atrás de gráficas que imprimem livros e botei pra rodar”, explica. 

Visto que as livrarias não apoiam o trabalho de novos autores, Malu decidiu lançar a obra em um local que reunisse seus amigos e conhecidos e pudesse vender os exemplares no boca a boca. O sucesso foi tanto que vendeu praticamente todos as 250 unidades impressas, restando apenas três livros. 

Diante do machismo existente na sociedade, Malu fala da importância da literatura como instrumento para o empoderamento feminino. “É as mulheres se sentirem parte de algum grupo. Terem essa sensação de pertencimento. Saber que outras pessoas entendem elas, saber que as outras vão segurar na nossa mão, que não vai haver julgamento. É poder mostrar para outras mulheres que existem outros caminhos, que existe esperança, um dia melhor. Porque a gente vive em um contexto tão patriarcal, essa ditadura da felicidade, que a gente precisa estar sempre bem, que precisa superar, que a gente sempre precisa desejar o bem pra aquele que fez mal e não é assim. Cada um tem que respeitar o tempo do outro e que a revolução pessoal seja no tempo de cada um”, pondera.

Para a jornalista recifense, é de grande valor nos aceitarmos e recomeçarmos. “É trazer a aceitação dos nossos sentimentos, dos nossos erros, deslizes, recaídas. O que eu tento passar sempre, que é uma coisa que eu todo dia tento sempre colocar na minha cabeça: existe sempre uma oportunidade para recomeçar. Amanhã é um novo dia”, destaca.

A autora não vai lançar livro neste ano, contudo, pretende reunir alguns textos curtos do Instagram para um lançamento futuro e estrear a sessão da loja no  site, além de continuar a produzir novos produtos de papelaria, que é uma de suas paixões. 
 
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