11/04/2019 às 23h33min - Atualizada em 11/04/2019 às 23h33min

Entenda os detalhes da parceria entre Banco BS2 e Flamengo

Modelo de contrato com valores variáveis virou moda entre clubes brasileiros

João Felipe Carvalho Vasconcellos - Editado por Amanda Cruz
Rodolfo Landim, presidente do Flamengo, ao lado de executivos do Banco BS2. Foto: Marcelo Cortes/Flamengo

O Flamengo oficializou, na primeira semana de abril, a parceria que coloca o Banco BS2 como seu novo patrocinador master. Após reunião com conselheiros, o grupo decidiu aprovar o contrato que passa a vigorar até o final de 2020 e já estampa, de forma imediata, o banco na parte frontal da camisa rubro-negra. De acordo com membros da diretoria do clube Rubro Negro, o contrato é considerado o maior acordo entre um clube e um banco no modelo proposto, e o rubro-negro espera faturar mais de R$40 milhões com o pacto.

O acordo entre Flamengo e BS2 foi firmado no modelo fixo + variável, isto é, o pagamento de uma quantia fixa por ano - estipulada em R$15 milhões - somada a valores adicionais pagos de acordo com a quantidade de abertura de contas e adesão de serviços financeiros por parte dos torcedores, que passariam a ser usuários do banco. No caso do contrato rubro-negro, o clube arrecada R$10 com cada conta aberta no banco com o mínimo de R$100 depositados, valor necessário para ativar a conta.

Além disso, o limite desse repasse adicional será de
R$10 milhões, sendo que em 2019 o pagamento será pró-rata, ou seja, proporcional ao tempo de vigência do patrocínio no ano. Logo, como o contrato foi assinado em abril, o limite cairá para R$7,5 milhões e o valor fixo, R$11,25 milhões. Os termos da negociação ainda ressaltam que as contas abertas nas praças de Minas Gerais e São Paulo não entram no sistema de remuneração variável, tendo os residentes desses estados que esperar o lançamento da plataforma BS2 Flamengo, que ainda contemplará o clube com metade do valor arrecadado com vendas de produtos e serviços.

O BS2 foi fundado em 1992, com o nome de Bonsucesso Financeira, para prestação de serviços financeiros de automóveis. Em 1998, decidiu expandir o negócio e virou o Banco Bonsucesso, que chegou a patrocinar o Cruzeiro em 2009, mas deixou o clube após impasse com o então presidente do clube, Zezé Perrella. Agora, o banco retorna ao cenário do futebol com o nome de Banco BS2, adotado depois de uma reformulação em 2017.

 

“Temos 26 anos de história. Somos um banco de Minas Gerais, mas com a tecnologia, vamos ter oportunidade de oferecer operação financeira em todo o território nacional. E para um banco que quer ganhar o Brasil, nada melhor que se associar a um clube que já ganhou o mundo. Essa parceria será do tamanho que a torcida quiser", disse Gabriel Guimarães, presidente do BS2, na coletiva de apresentação da parceria.

O modelo de patrocínio fixo + variável virou tendência entre bancos digitais e clubes da elite do futebol nacional, que buscavam preencher a camisa após a Caixa Economica Federal cancelar todos os contratos com times de futebol. Corinthians, Cruzeiro e Atlético Mineiro foram os primeiros a firmar parcerias.

Vasco, Santos e Athletico negociam contratos e também podem seguir essa tendência, que ganha espaço com o período de recessão que o Brasil atravessa. Em entrevista ao Torcedores.com, Cesar Grafietti, especialista e consultor de gestão e finanças do esporte, explicou que, para a parceria dar certo, a participação dos clubes não deve ser apenas de exposição da marca no uniforme:

 

“O fato é que os clubes precisarão de uma gestão cada vez mais eficiente das suas áreas de marketing. Marketing é investimento. Ações de marketing custam hoje para trazerem resultados no futuro. Inclusive é uma demanda desse novo modelo: as áreas de marketing dos clubes precisam andar em conjunto e criar ações que possibilitem ao novo negócio ter sucesso. Se deixarem apenas nas mãos dos bancos o modelo tende a demorar mais para evoluir”.


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