02/04/2020 às 12h38min - Atualizada em 02/04/2020 às 12h38min

O Poço, filme da Netflix, traz a educação como meio para revolução

Maria Cecília - Editado por Bárbara Miranda

Texto contém SPOILER

“Existem três tipos de pessoas. As de cima, as de baixo e as que caem”. ( O Poço/2019)

O filme traz essa frase logo no primeiro diálogo, que retrata muito bem o que está por vir. Ao longo da obra sempre é frisado a questão de os de cima serem de cima e os de baixo serem de baixo, aplicando uma metáfora durante todo o longa, que para maioria dos telespectadores é sobre a luta de classe e o comunismo como solução.

Sinopse:

Exibido pela Netflix, O Poço conta a história de um lugar misterioso, uma prisão indescritível, um buraco profundo, em que a comida é distribuída de cima para baixo. Dois reclusos que vivem em cada nível, um número desconhecido de níveis, quem está nos andares de cima come a vontade, quem está embaixo fica com. Um prato cheio para rebelião, uma luta desumana pela sobrevivência, mas também uma oportunidade de solidariedade.

O Poço apresenta essa metáfora para exemplificar o capitalismo, no qual os que estão no topo não pensam nos que estão embaixo, trazendo a desigualdade social que o mundo enfrenta hoje. Levanta também a questão sobre solidariedade e faz pensar em como as coisas seriam diferentes se parássemos um pouco e pensássemos no próximo.

Um das principais críticas levantadas durante o filme é a forma que o oprimido transforma-se em opressor, pois existe um rodízio de níveis, então provavelmente todos passarão por níveis muito baixos e altos. E o problema está justamente aí, aqueles que sofreram e lutaram por a sobrevivência quando estão em baixo, ao subirem se esquecem de tudo o que passaram e passam a se comportar como aqueles que estavam em cima. Assim, nota-se a desunião e como as pessoas só pensam em si e no seu bem.

Além de que a ideia do longa é justamente essa, criticar o sistema hierarquizado, no qual o acesso limitado aos recursos básicos são baseados na sua classe social e apontar o quão frágil e errado é esse método. Mostrando a alusão em que as pessoas no poço são os pobres e ricos, o protagonista, Goreng (Ivan Massagué), é a cara da revolução, aquele que percebe a situação após passar por diversos níveis. E tem também aqueles iludidos com o sistema, que o Imoguiri (Antonia San Juan), que era funcionário do poço e resolve ir para lá e fica assustada com toda a situação, principalmente quando acorda no nível 202 e acaba se matando por acreditar que existiam apenas 200 níveis.

Para que a situação melhore ou deixe de ser um pouco menos aterrorizante, o roteiro deixa claro em diversas situações que a chave para isso é a educação, pois é como Paulo Freire afirma, “quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser opressor”. E é através de Goreng que tudo começa a mudar, pois ele teve acesso a educação e é ele que está disposto a ir contra o sistema e mandar uma mensagem.

E como toda revolução, a de Goreng precisava de um símbolo, e o escolhido foi uma panacota, que seria devolvida por inteiro para a administração, porém ao chegar no nível 333, ele se depara com uma criança com fome e entrega o doce para a menina, assim transformando a garota na nova mensagem. O filme acaba sem um fim definido, não sabemos se a revolução funcionou ou não, mas é evidente a forte mensagem que o longa traz, além de uma mensagem para nós mesmos: nem sempre iremos desfrutar daquilo que plantamos.

  
REFERÊNCIAS 

ZULIANI, André. Crítica de O Poço: Filme da Netflix. [S. l.], 23 mar. 2020. Disponível em: <https://www.omelete.com.br/netflix/criticas/o-poco-netflix-critica>. Acesso em: 2 abr. 2020.

TROJAIKE, Laísa. O poço é um elogio à educação: como elemento revolucionário. In: TROJAIKE, Laísa. O poço é um elogio à educação: como elemento revolucionário. [S. l.], 26 mar. 2020. Disponível em: <https://canaltech.com.br/cinema/critica-o-poco-netflix-162400/>. Acesso em: 2 abr. 2020.

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