09/04/2020 às 10h38min - Atualizada em 09/04/2020 às 10h38min

WhatsApp limita envio de conteúdo encaminhado

Objetivo do mensageiro é desacelerar a desinformação referente a Covid-19

Thiago Oliveira - Edição Manoel Paulo
Folha de S. Paulo
Reprodução/Instagram
Na tentativa de frear o alcance da desinformação relacionada ao Coronavírus, o WhatsApp anunciou na última terça-feira, 7, que começará a limitar o alcance de mensagens retransmitidas, as encaminhadas.

O limite agora é de apenas um reenvio por mensagem. Antes eram permitidos distribuir o conteúdo para até cinco contatos. É a terceira vez que o mensageiro corta a disseminação de conteúdo em massa, medida que é sempre resultado de alguma crise.

Estudo realizado pelos projetos Eleições sem Fake, do Departamento de Ciência da Computação da UFMG e Monitor do Debate Público no Meio Digital, da USP, identificou que dos 10 áudios mais compartilhados via WhatsApp, quatro traziam conteúdos negacionistas.

O estudo avaliou 2.108 áudios que circularam durante o intervalo de 24 a 28 de março em 522 grupos de WhatsApp, que tinham mais de 18 mil participantes ativos.

A desinformação é generalizada e passou a ser endossada por chefes de estado que já tem por praxe duvidar da ciência. O presidente americano Donald Trump, por exemplo, chamou o Sars-Cov-2 de “vírus chinês”, enquanto o presidente brasileiro adjetivou o vírus de “gripezinha” em pronunciamento à nação.

As últimas semanas foram marcadas por posicionamentos duros contra a disseminação de conteúdos falsos ou negacionistas nas redes sociais. O Twitter e o Facebook derrubaram um vídeo do presidente Jair Bolsonaro andando por Brasília no ultimo dia 29. As plataformas alegaram que, a postagem cria desinformação e pode “causar danos reais as pessoas”.

O pastor Silas Malafaia também foi alvo das regras das redes sociais, o Youtube, Facebook e o Instagram, retiraram do ar vídeo em que o pastor critica as medidas de isolamento social, apoiadas por organizações sanitárias do Brasil e do Mundo. Após forte repercussão, o Twitter também removeu postagens que violavam as políticas da plataforma.

O WhatsApp afirma que adicionou em sua versão beta mais recentes mecanismos que permitem ao usuário descobrir mais informações sobre um conteúdo encaminhado. O recurso deve adicionar o ícone de lupa ao lado de mensagens frequentemente encaminhadas que poderão trazer resultados da web sobre o conteúdo da mensagem.

“Acreditamos que é importante desacelerar a desinformação de mensagens encaminhadas para que o WhatsApp continue sendo um espaço seguro para conversas pessoais”, afirma a empresa em comunicado.
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