10/04/2020 às 11h12min - Atualizada em 10/04/2020 às 11h12min

Goleiro Thiago Passos, da Patrocinense, relata dificuldades com paralisação do campeonato

Passos afirma que a maior dificuldade nesse período é manter a renda

Brendo Romano - Editado por Paulo Octávio
Foto: Alair Constantino/Dono do Apito
Os clubes menores são os que mais sofrem com a pandemia de Coronavírus. Devido a paralisação dos torneios pelo país, muitas das equipes foram obrigadas a cortar o elenco inteiro por causa da falta de patrocínios e renda. Com isso, falta verba para arcar com seus compromissos. Uma das agremiações que se viu obrigada a tomar atitude mais drástica foi a Patrocinense, de Patrocínio (426 KM de Belo Horizonte). O clube mineiro resolveu rescindir o contrato de todos os jogadores e de integrantes da comissão técnica, que ficariam na equipe ao menos até 30 de abril, quando o campeonato estadual acabaria.

Isso prejudicou o goleiro Thiago Passos. Em 2019, Passos foi contratado para a disputa do Campeonato Mineiro e em uma possível disputa da Série D,  de 2021 -- em 2020 a equipe já desistiu por falta de dinheiro.  Com a paralisação, o arqueiro também teve seu contrato encerrado.  “Infelizmente isso acabou nos afetando diretamente, pois estávamos jogando o estadual e teríamos mais dois meses de jogos e salários. Para nós de time pequeno essa paralisação  foi muito ruim”, disse.

Muitos desses jogadores passaram a treinar em casa por conta própria, para manter a forma física. Entretanto, para Thiago  deixar de receber salário é o maior problema no período sem futebol é o que pesa mais. “Nossa maior dificuldade são os treinamentos e principalmente o lado financeiro. Infelizmente a maioria dos jogadores brasileiros tem que trabalhar para sobreviver, pois dependemos do futebol para manter nossas famílias”, afirmou. O presidente do clube de PatrocínioMarcos Antônio da Silva explicou que a equipe não tem condições de manter os atletas parados porque não há previsão para o retorno do campeonato.
 

“Entendemos que tem que ser paralisado. Mas com a decisão da FMF de que poderá voltar somente em maio, o clube já tinha definido que não tinha condição de manter os atletas parados e pagando. Estamos rescindindo com todos os atletas. Tivemos que fazer isso porque não temos planejamento financeiro para mantê-los, nem comissão técnica e colaboradores. Já agradecemos todos eles, e vamos cumprir os compromissos”, disse o dirigente.

Em caso de uma possível volta do Estadual, Marcão revelou que o Patrocinense terá que recomeçar o trabalho do zero, mas que fará  uma negociação com os atletas e comissão que estiveram no clube até a parada. Thiago Passos confirmou a informação e revelou alguns detalhes do contrato com a equipe. “Eles fizeram um acerto com todos nós e, se o Campeonato voltar, eles iriam entrar em contato. Todos somos registrados por CLT, mas com contrato de início e fim perdemos alguns direitos como o seguro desemprego".

O jogador ainda não recebeu nenhuma ajuda por parte da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e pede ajuda aos atletas que estão desempregados. “Infelizmente não recebemos ajuda da CBF, nem da Federação e Sindicatos. Que a CBF olhe para os times pequenos e para os atletas. A entidade têm condições de ajudar mais os clubes”, encerrou
 
 

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