16/04/2020 às 20h52min - Atualizada em 16/04/2020 às 20h52min

Opinião: Como o futebol brasileiro vai reagir a pandemia do Covid-19

Times grandes e pequenos vão sofrer com um ano atípico com diminuição da renda e muitos jogos em pouco tempo

Claudio de Salles Jr - Editado por Paulo Octávio
Texto opinativo
Pacaembu virou hospital de campanha para infectados com Coronavírus. FOTO: Globoesporte.com
A pandemia do novo Coronavírus tem impressionado todo o planeta. E, por isso, o mundo esportivo foi obrigado a paralisar todas as competições, o que provoca uma indefinição quanto ao termino destas competições e o restante do calendário de 2020.  Além disso com há falta de jogos os clubes não tem como obter renda e nem a cota de televisão para pagar salários. Isso em um país que a maioria dos clubes tem dificuldades financeiras e acumulam dívidas trabalhistas. A maioria dos jogadores e torcedores querem a sequência dos jogos e o fechamento da temporada. Mas para isso a melhor opção é a realização das partidas seguindo as precauções necessárias sem a presença do público até que se resolva o problema do surto. Porém, isso acareta com uma menor arrecadação das agremiações e um final de ano bem complicado.

Alguns clubes tem mais “facilidade” para passar por essa paralisação forçada. Na primeira divisão, o maior destaque é o Flamengo. O clube carioca tem a melhor política econômica do futebol brasileiro e “teoricamente” conseguiria suportar a falta das cotas televisivas com premiações e patrocínios. Com a responsabilidade financeira implantada no clube, a estimativa era do aumento das receitas em 16% no início do ano, o que chegaria a mais de 700 milhões de reais. Com a renda estimada para 2020 seria possível arcar com 50 meses de folhas salariais de jogadores e comissão técnica, que gira em tornp de 14 milhões mensais. Entratanto, apesar do boom financeiro, todo um projeto de reestruturação do clube pode ser comprometido caso pandemia dure mais tempo.


Mas essa não é a realidade dos outros times. Mesmo os grandes têm uma situação financeira complicada. Se antes da doença, equipes como Vasco, Corinthians e Cruzeiro (para citar alguns exemplos) já passavam por dificuldades, em um momento que não há renda devido a falta de jogos a situação tende a piorar. Muitas agremiações deram férias aos seus atletas e pagam ainda integralmente seus salários, outros já reduziram salário dos jogadores. Porém, nesse momento é necessário entrar em acordo com seus colaboradores, seus profissionais de todas as áreas envolvidas no clube e alguns terão que ceder.

Já  times menores sofrem muito com o desenrolar da pandemia. Além de não conseguir manter seus atletas que estão com contrato vigente, clubes têm perdido atletas devido ao fim do contrato, que iria até o fim dos estaduais. E aqueles que continuarem e não aceitarem redução de salário podem podem entrar na justiça contra o clube e agravar ainda mais a situação dos clubes. O Santo André já avisou que terá dificuldades com a retomada do Paulistão porque, além da perda de atletas, o estádio Bruno José Daniel virou hospital de campanha para infectados com Covid-19. Porém, Federação Paulista autorizou a inscrição de novos jogadores.

Independente da situação dos clubes, a retomada do futebol não será boa para todos. Porque é provável que jogadores recebam menos já que não haverá renda da torcida, pois -- ao menos até setembro -- os jogos dever acontecer com portões fechados. E com calendário apertado haverá a diminuição do intervalo dos jogos: de 68 horas para 48 horas. E ainda há o risco de um jogador ou profissional envolvido com jogo contaminar alguém -- bom lembrar que a maioria dos infectados não terão sintomas e podem espalhar a doença sem saber. A pré temporada para retomada da condição fisíca não deve ser a ideal, já que faltará datas. Há risco de desgaste pelo número de jogos. Mas, como sem jogo os clubes não terão como obter renda, agremiação serão obrigadas a jogar no sacrifício. Por isso, o resto do ano não será fácil, e 2021 deve só conter e não melhorar a crise financeira.

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