26/04/2020 às 15h01min - Atualizada em 26/04/2020 às 15h01min

"Me aceite como sou": a complexidade do transtorno bipolar na série Modern Love

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o transtorno afetivo bipolar atinge atualmente cerca de 140 milhões de pessoas no mundo e é considerada uma das principais causas de incapacidade.

Talita Farias - Editado por Bruna Araújo
Reprodução | Amazon
A série "Modern Love" é uma produção original do streaming Prime Vídeo, da Amazon. Ela é composta por oito episódios independentes, em média 30min cada um que são baseados em uma coluna do The New York Times com o mesmo nome. O 3° episódio "Me aceita como eu sou, quem quer que eu seja" foi dirigido por John Carney, com histórico de filmes como "Apenas uma vez" e "Mesmo se nada der certo".
 
Você consegue se imaginar acordando, indo fazer comprar no supermercado e tomando café com um desconhecido que em um futuro próximo possa ser o amor da sua vida? Assim começa o episódio três da série "Amor Moderno", mas engana-se quem pensa que será um verdadeiro musical.
 
A protagonista do episódio é Anne Hathaway, que vive a personagem Lexi, uma advogada bem sucedida na carreira do entretenimento e com dificuldades em manter relações saudáveis de modo geral em Nova York. Entretanto, suas chances são diminuídas devido a uma doença mental que tenta esconder de todos ao seu redor.

A autora do texto foi a escritora Terri Cheney (de Bipolar: memória de extremos) e Anne a procurou para entender os altos e baixos do transtorno bipolar para melhor representá-lo. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o transtorno afetivo bipolar atinge atualmente cerca de 140 milhões de pessoas no mundo e é considerada uma das principais causas de incapacidade.
 
 "— Terry me ilustrou bem o peso da depressão. De como tudo ao seu redor podia ser mágico e fácil e então, horas depois, se tornar impossível e sem esperança — disse Anne, ao lado de Jones. — Muitos de nós precisamos aprender que somos dignos de ser amados. Lexi precisa de uma pessoa só, apenas uma, para aceitá-la como ela é. No fundo, é o que todos queremos."
 
 Em seu livro autobiográfico, a autora revela os efeitos causados por essa devastadora doença sobre si e sobre aqueles que a cercavam. Desde as múltiplas tentativas de suicídio, experiências de quase morte, noites na cadeia e exploração sexual, passando por amizades rompidas e pelo tratamento de eletrochoque, Bipolar é o retrato de uma vida vivida em extremos, uma inesquecível viagem numa montanha-russa. Cheney – como outros 10 milhões de pessoas, apenas nos Estados Unidos – sofre de transtorno bipolar, um terrível segredo que quase a matou.
 
Descrição do livro (conforme publicado no site da Amazon Brasil): Uma atraente e bem-sucedida advogada de entretenimento de Beverly Hills, Terri Cheney lutou contra o transtorno bipolar debilitante a maior parte de sua vida
- e ocultou o valor de medicamentos de uma farmácia para estabilizar seu humor e torná-la "normal".

Em rompantes explosivos de prosa que espelham a mania devastadora e o desespero extremo de sua doença, Cheney descreve sua existência na montanha-russa com uma honestidade chocante, dando voz brilhante à loucura anteriormente desarticulada que ela sofreu. Corajoso, eletrizante, pungente e perturbador, Manic não explica simplesmente o transtorno bipolar - ele nos leva ao seu alcance e não o deixa ir.
 
O médico oncologista, cientista e escritor brasileiro Drauzio Varella explica:
 
Transtorno afetivo bipolar é um distúrbio psiquiátrico complexo. Sua característica mais marcante é a alternância, às vezes súbita, de episódios de depressão com os de euforia (mania e hipomania) e de períodos assintomáticos entre eles. As crises podem variar de intensidade (leve, moderada e grave), frequência e duração.
 
As flutuações de humor têm reflexos negativos sobre o comportamento e atitudes dos pacientes, e a reação que provocam é sempre desproporcional aos fatos que serviram de gatilho ou, até mesmo, independem deles.
 
Em geral, essa perturbação do humor se manifesta tanto nos homens quanto nas mulheres, entre os 15 e os 25 anos, mas pode afetar também as crianças e pessoas mais velhas.
 
Ainda não foi determinada a causa efetiva do transtorno bipolar, mas já se sabe que fatores genéticos, alterações em certas áreas do cérebro e nos níveis de vários neurotransmissores estão envolvidos.

Conscientização
 
No dia 30 de Março é comemorado o Dia Mundial do Transtorno Bipolar. A data é celebrada no dia do aniversário do pintor Vincent Van Gogh, isso por que acredita-se que ele era acometido por essa doença.
 
O final do episódio traz uma reflexão sobre a importância do autoconhecimento e do amor próprio. Amor em suas diferentes formas, histórias que podem ser como as suas ou de alguém próximo. A personagem acaba encontrando conforto no final, embora não na companhia mais óbvia.
 
"Minha vida pessoal era outra história. No amor, não há como se esconder: você precisa deixar alguém saber quem você é. Mas eu não fazia ideia de quem eu era, até, de repente, descobrir."

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