08/05/2020 às 19h39min - Atualizada em 08/05/2020 às 19h39min

Crítica: O Assassinato de Gianni Versace

Segunda temporada de American Crime Story nem chega aos pés da primeira

Clara de Andrade Lopes - Editado por Alinne Morais
Foto: Divulgação

A segunda temporada de American Crime Story, da rede de televisão americana FX,  intitulada "O Assassinato de Gianni Versace", estreou em janeiro de 2018 já muito aguardada pelos fãs da série. Com uma boa dose de dramatização, é retratada a história do serial killer Andrew Cunanan. Vencedora de 7 Emmys e 2 Globos de Ouro, a temporada é composta por nove episódios de cerca de uma hora de duração. 


Num período de dois meses, Andrew matou cinco pessoas. Entre elas, o renomado estilista Gianni Versace. Suas vítimas eram símbolos do que ele gostaria de ser, e onde descontava suas frustrações. Homens bem sucedidos, ou com uma vida social movimentada e repleta de reconhecimento. O assassino era extremamente violento, o que pode ser comprovado, por exemplo, pela forma como executou sua primeira vítima com vinte e sete marteladas. As cenas de violência da série são muito bem produzidas, e retratam muito bem a personalidade e o modus operandi de Cunanan.

Teve uma infância conturbada, mas diferente do que se costuma ver ao analisar o perfil de serial killers, não havia nenhum tipo de violência por parte de sua família. Muito pelo contrário. Andrew era extremamente mimado pelos pais, e tinha seu ego inflado o tempo todo. Seu pai sempre prometera que ele teria uma vida de reconhecimento e fama por ser superior a todos os outros. Isso com certeza ajudou na formação de seu caráter extremamente narcisista e egocêntrico. Ele nunca admitia rejeição, em qualquer aspecto que seja. 

 Foto: reprodução / internet

 

Cunanan era considerado um jovem muito culto, que desde criança devorava enciclopédias. Graças ao seu apreço pelo conhecimento, ele era capaz de usar dos melhores argumentos para desenvolver as mentiras que contava. Desde o primeiro episódio é fácil notar essa característica de mentiroso compulsivo, que era muito presente na vida de Andrew. Ele sempre contava longas histórias de sua vida, criando um grande espetáculo sobre si mesmo, dependendo de quem estivesse ouvindo. E as versões sempre mudavam de acordo com seu interesse. Ele sabia como construir narrativas complexas, quase teatrais, que costumavam passar uma ótima impressão aos outros. A série consegue deixar isso muito claro. Tudo que Andrew Cunanan fazia era sempre objetivando o sucesso e a ascensão social.
 

 Foto: reprodução / internet


Antecedida por uma majestosa produção, que tratava das revoltantes direções que tomavam os julgamentos de O.J. Simpson, um dos crimes mais famosos da história, a segunda temporada carregava uma responsabilidade enorme. Que apesar de não atingir as expectativas, não pode ser considerada  ruim. A linha do tempo utilizada pela direção acaba confundindo o espectador, e não facilita a identificação dos acontecimentos no espaço-tempo. Isso gera um certo desconforto, a sensação de estar perdido até o último episódio, onde suas dúvidas são melhor solucionadas. É possível assistir em https://www.netflix.com/br/title/81091015
 
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