01/06/2020 às 14h20min - Atualizada em 01/06/2020 às 14h14min

Representatividade negra importa sim!

Mercado editorial tem investido nessa temática

Talyta Brito - Editado por Bruna Araújo
Certo dia, ainda criança, o ator Junior Dantas, natural de Ipueira (RN), ouviu de uma professora que ele não poderia interpretar o papel do “Pequeno Príncipe” na peça escolar porque ”não era branco, não tinha os cabelos loiros nem os olhos claros”. O tempo passou, o menino cresceu.  Em 2019, juntou-se com alguns amigos e realizou o sonho de infância. Percorreu o Brasil com a peça “ O Pequeno Príncipe Preto”, uma releitura do clássico de Antoine de Saint-Exupéry. O espetáculo foi escrito e dirigido por Rodrigo França. O sucesso da peça foi tamanho que o diretor decidiu eternizar a adaptação nas páginas de um livro infantil lançado pela editora Nova Fronteira. A obra tem por intuito difundir a representatividade negra na literatura.
Entendendo a necessidade de identificação por parte dos leitores, principalmente do público infantil, as editoras têm investido na comercialização desse tipo de conteúdo. Obras como Hair Love (Mattew A. Cherry) – narrativa sobre uma garota negra e o seu cabelo crespo, Caderno sem rimas da Maria (Lázaro Ramos) história de uma menina que tem o costume de inventar palavras e Sulwe – ficção que discorre sobre as dificuldades de auto aceitação da protagonista quanto a cor de sua pele –  escrito pela atriz nigeriana Lupita Nyon’g corroboram para a construção de um espaço mais representativo.

 
A colonização do Brasil se deu através de diversos povos. Sendo assim, sua população é miscigenada. Apesar de tal característica, a indústria cultural – termo criado pelos pensadores da Escola de Frankfurt para designar os meios de comunicação de massa – televisão, cinema, bem como, a literatura por muito tempo resistiu em mostrar essa diversidade étnica tanto por parte de personagens quanto de escritores. Prova disso é que por vezes tentou-se embranquecer o escritor Machado de Assis nas fotografias. Entretanto, a Faculdade Zumbi dos Palmares juntamente com a agência Grey Brasil realizou uma ação intitulada “Machado de Assis Real”. A proposta era revelar a verdadeira identidade do celebre escritor brasileiro. Durante o evento o público pode levar os livros que possuíam para atualizarem a foto do bruxo do Cosme Velho.

Livros como Hair Love, Caderno sem rimas da Maria e Sulwe agentes empoderadores para uma nova geração. O poeta Antônio Cícero da Silva declarou que “ em cada criança, está o futuro da nação e do mundo”. Portanto, para termos dias melhores é preciso instruí-los desde agora que elas podem ocupar os espaços que quiserem independentemente da cor da pele.


 

Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »