11/06/2020 às 19h38min - Atualizada em 11/06/2020 às 19h28min

Little Fires Evereywhere: Nova minissérie do Prime Vídeo e o porquê vale a pena assistir

Protagonizada pela Reese Witherspoon e Kerry Washington. A produção aborda temas como maternidade e racismo

Lucas Lima - Editado por Bárbara Miranda
Prime Video
Chegou no catalogo do Prime Vídeo sem muito destaque. A minissérie é uma adaptação audiovisual de um livro com o mesmo nome ‘Little Fires Everywhere’, produzido pelo streaming Hulu e distribuído no Brasil pelo Prime vídeo.

Contendo 8 episódios, o drama protagonizado por Reese Witherspoon e Kerry Washington conta a história de Mia e sua filha Pearl, que se mudam para um novo bairro e se cruzam com Elena e sua família, tendo vários conflitos e segredos do passado sendo revelados.

Ao longo dos episódios, assuntos e questões sociais são abordados, dentre eles estão o racismo e modo como os brancos lidam com ele e o papel da mulher enquanto mãe de dona de casa.

Em boa parte de ‘Litlle Fires Everywhere’ a questão da maternidade ganha um grande destaque. Mia e Elena, são duas mães com perspectivas diferentes sobre o assunto e por isso, se tornam duas personagens contrastantes. O mais interessante é que camadas vão sendo construídas ao decorrer dos episódios, revelando segredos do passado e motivações que levam a tomar certas decisões, tornando as personagens cada vez mais complexas. Em certos momentos do drama, é possível se identificar com elas, tanto pela questão das decisões tomadas ou pela relação parental, de mães e filhos.

E ainda, é preciso destacar a forma com a qual o racismo é tratado na minissérie. Muitas vezes, a perspectiva do racismo é colocada sob a visão da Elena, mulher branca que se declara como progressista nesse tema. As contradições e hipocrisia em seu discurso, aos poucos, vão sendo relevados, junto o racismo velado e estrutural que ela carrega com si. É uma forma diferenciada de destacar o problema, pois apresenta as diversas contradições que brancos carregam até hoje e como suas convicções, geralmente, só vão até onde os convém.

No outro lado, tem a perspectiva da Mia, mulher negra e que se apresenta como contraste de Elena. Sua presença é primordial para destacar o racismo presente em alguns personagens. Apesar de ela não confrontar sempre o problema, o contexto e a forma expressiva que ela reage, entrega o quanto preconceituosa certas falas e gestos são. Vale salientar também como a questão é trazida aos filhos. Por não terem convicções sociais bem formuladas, o racismo velado é trazido por alguns como algo natural o inocente. O grande triunfo fica na construção das cenas, que apesar de não discutir ou enfrentar de cara com a situação, ela é montada de uma forma que cause um desconforto no público e destaque o quão problemático é aquilo.

Little Fires Everywhere apresenta no início caminhos individuais, isto porque vai trabalhando a complexidade de cada personagem, mas no final, todas as histórias acabam conversando entre si, tendo um encerramento digno e fechando todas as pontas soltas.

REFERÊNCIAS:
 
DAMEROW, Barbara. Crítica: Little Fires Everywhere, minissérie do Prime Video, é dominada por talento e presença do feminino. Disponível em: < http://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-154541/> .Acessado em: 11/06/2020.
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