12/06/2020 às 12h25min - Atualizada em 12/06/2020 às 12h14min

Manifestantes saem as ruas em atos contra racismo e fascismo

Ele conta que o protesto do Movimento Negro teve um maior protagonismo no domingo (7)

Rute Moraes - Editor: Ronerson Pinheiro
Foto/Reprodução: Luigy/Arquivo Pessoal
Manifestantes saíram às ruas para protestarem contra o racismo e fascismo, no último domingo (7), no centro de São Paulo. Os protestos vieram à tona, logo após as mortes de George Floyd, nos Estados Unidos, do menino João Pedro, no Rio de Janeiro e do garoto Miguel, no Recife. O educador físico, e integrante do Movimento Negro, Luigy Gustavo, esteve presente nas manifestações, e relata a forma violenta com que muitos manifestantes estavam protestando. “Era apenas de uma parcela de grupo, em especial manifestantes do movimento ANTIFA (antifascista). No local havia muitas pessoas que não estavam pela manifestação de uma maneira pacífica. O maior problema que tivemos foi com um menino branco. Acredito que ele estava pelo movimento punk ou pelos ANTIFAS, não sei ao certo”, relata. Ele ressalta que o suposto rapaz estava agindo com violência. “Ele estava tentando puxar o prédio comercial, mas nós o impedimos. E foi ele quem quebrou a portaria do banco, mas isto não foi falado nas reportagens. Chegou num ponto em que tivemos de usar a ameaça contra ele. Falamos que se ele não parasse, iriamos usar a força e levá-lo a polícia. Não o fizemos, pois ele parou no mesmo momento”, conta.

Segundo ele, o protesto do Movimento Negro teve um maior protagonismo no domingo (7). “Nós tivemos a iniciativa de sair andando por Pinheiros, quando começamos a andar, eles foram atrás de nós. Muitas pessoas foram ao protesto pela causa negra, mas chegando lá, os manifestantes antifascistas já haviam tomado todo o local. Acredito que diversas pessoas só não foram, com medo de chegar lá e o protesto ser pela causa política. Não era isso que nós queríamos. Com o passar do tempo, colocamos ordem, explicamos o motivo de estarmos lá. Nossos representantes falaram no carro de som. Ao final, o que era para ser dois protestos, virou somente um. Estávamos com a maior voz”, explica. O educador conta que alguns representantes de partidos políticos, ficaram insistindo para que o movimento se juntasse e enfrentasse a polícia, “Ficaram insistindo para colocarmos a causa política, enfrentarmos a polícia, mas, no final não caímos na pilha deles. Decidimos não seguir esse caminho”, diz.

Luigy explica ainda, sobre a lei do crime de racismo, “Esta lei é muito fraca, ela não compreende as necessidades do povo. Se uma pessoa me chama de macaco, ela não é presa por racismo, mas sim, por injúria racial. Pois, ela está me ofendendo quanto individuo, e não um povo, um coletivo, segundo a lei. Mas, por que ela me chama de macaco? É porque eu pulo em árvores? Não, é por conta da minha cor, logo era para ser considerado crime de racismo. Sempre falo, a justiça é cega, mas quando é para acertar um preto ela tem uma ótima visão. É muito complicado”, diz.


Editora-chefe: Lavínia Carvalho

 
Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »